Presente no café da manhã de muitas famílias, o cuscuz pode fazer parte da alimentação de pessoas com diabetes. O cuidado, segundo especialistas, está na quantidade consumida, na forma de preparo e na combinação com outros alimentos da refeição.
Segundo Carol Netto, nutricionista e educadora em diabetes, a resposta é sim. No entanto, o consumo exige atenção à quantidade, ao preparo e ao equilíbrio com outros alimentos ricos em carboidratos.
O cuscuz é produzido a partir do milho e, por isso, é fonte de carboidratos. Isso significa que ele aumenta a glicose no sangue e deve ser incluído no planejamento alimentar de quem vive com diabetes.
O cuscuz aumenta a glicose?
Carol Netto explica que o cuscuz possui índice glicêmico moderado, ou seja, a velocidade com que ele eleva a glicose no sangue não é das mais rápidas nem das mais lentas.
Mesmo assim, isso não significa que ele possa ser consumido sem controle.
Além de fornecer vitaminas A e do complexo B, o alimento contém carboidratos que precisam ser considerados na alimentação diária. Segundo a nutricionista, uma colher de sopa de cuscuz contém cerca de 5 gramas de carboidratos.
Para quem faz contagem de carboidratos, essa informação ajuda no cálculo da quantidade de insulina necessária antes da refeição.
Já quem não utiliza esse método pode recorrer à substituição de alimentos para evitar o excesso de carboidratos em uma mesma refeição.
Como consumir cuscuz convivendo com diabetes
A nutricionista reforça que o cuscuz pode fazer parte da alimentação, desde que seja consumido com moderação. Ela também destaca que ele funciona de forma semelhante a outros alimentos ricos em carboidratos, como arroz, macarrão e tapioca.
Confira cinco orientações para incluir o alimento no café da manhã.
1. Controle a quantidade
Quanto maior a porção, maior tende a ser o impacto na glicemia. Se a pessoa consumir mais de um cuscuz ou aumentar muito a quantidade no prato, a carga de carboidratos da refeição também aumenta. Por isso, controlar a porção é um dos primeiros cuidados.
2. Faça a contagem de carboidratos, se esse for o seu tratamento
Quem utiliza insulina e faz contagem de carboidratos deve considerar que cada colher de sopa de cuscuz fornece cerca de 5 gramas de carboidratos.
Segundo Carol Netto, esse cálculo permite ajustar corretamente a dose de insulina antes da refeição.
3. Se não faz contagem, faça substituições
Para quem convive com diabetes tipo 2 e não realiza contagem de carboidratos, a orientação é evitar somar vários alimentos ricos em carboidratos na mesma refeição.
Se a escolha for o cuscuz, o ideal é não consumir pão ao mesmo tempo, por exemplo.
Essa estratégia ajuda a controlar melhor a quantidade total de carboidratos ingerida.
4. Atenção ao preparo com manteiga
O modo de preparo também interfere na resposta da glicemia.
Segundo a nutricionista, algumas pessoas preparam o cuscuz com manteiga. A gordura presente nesse ingrediente funciona como um freio na digestão dos carboidratos.
Isso significa que a glicose pode não subir rapidamente logo após a refeição. No entanto, cerca de três a quatro horas depois, esse aumento pode acontecer justamente por causa do efeito da gordura sobre a digestão.
Por isso, quem monitora a glicemia deve observar esse comportamento após consumir a combinação.
5. Não transforme o cuscuz em alimento diário
Carol Netto explica que o cuscuz pode ser consumido por pessoas com diabetes, mas não precisa fazer parte do café da manhã todos os dias.
Assim como arroz, macarrão e tapioca, ele é uma fonte de carboidratos e deve entrar em uma alimentação equilibrada, alternando com outras opções.
Cuscuz é saudável, mas isso não elimina os cuidados
O fato de o cuscuz ser derivado do milho faz com que muitas pessoas o considerem um alimento saudável. De acordo com Carol Netto, ele realmente é uma fonte de carboidrato de origem vegetal e também fornece vitaminas.
No entanto, isso não significa que seu consumo seja livre para quem vive com diabetes.
A nutricionista lembra que alimentos considerados saudáveis também podem elevar a glicose quando consumidos em excesso. Por isso, a quantidade continua sendo um dos principais fatores para manter o controle glicêmico.
