A contagem de carboidratos ajuda pessoas com diabetes a entender quanto de carboidrato existe em cada refeição e como esse nutriente pode afetar a glicose. No entanto, acertar essa conta exige prática e acompanhamento profissional.
A endocrinologista e pesquisadora Denise Franco e a nutricionista Juliana Baptista explicaram como aplicar a estratégia no dia a dia em entrevista ao jornalismo do Um Diabético. As orientações mostram caminhos para quem precisa lidar com refeições fora de casa, alimentos sem rótulo e diferentes preparações.
Além disso, as profissionais destacaram que a contagem não significa ignorar proteínas, gorduras, fibras e calorias. Portanto, conhecer o carboidrato representa uma parte do cuidado alimentar de quem convive com diabetes.
1. Entenda o que entra na contagem de carboidratos
A primeira etapa consiste em identificar a quantidade de carboidrato presente no alimento consumido. Segundo Juliana Baptista, essa informação ajuda a definir a quantidade de insulina relacionada à refeição para quem utiliza essa estratégia.
No diabetes tipo 1, a relação entre carboidrato e insulina pode permitir maior flexibilidade alimentar. Nesse caso, o profissional de saúde determina a relação entre a quantidade de carboidrato e uma unidade de insulina.
Assim, uma pessoa que consome mais carboidrato pode precisar de uma dose diferente daquela utilizada em uma refeição menor. No entanto, o ajuste depende da orientação individual.
A estratégia também pode ajudar pessoas com diabetes tipo 2 e pessoas com diabetes gestacional. Segundo Denise Franco, a contagem pode contribuir para distribuir os carboidratos ao longo das refeições.
2. Aprenda a estimar as porções na contagem de carboidratos
Juliana Baptista utiliza uma estratégia baseada nas mãos e em medidas caseiras para facilitar a contagem. A técnica busca ajudar quem não tem uma balança ou uma tabela nutricional disponível.
Para alimentos como arroz, massa e grãos, a nutricionista usa a colher de sopa como referência. Ela orienta observar também a altura do alimento colocado na colher.
Segundo a profissional, uma colher de sopa de alguns alimentos cozidos pode representar cerca de 5 gramas de carboidrato. Ela cita arroz, massa, mandioca cozida e alguns grãos como exemplos.
No entanto, essa referência funciona como aproximação. A quantidade real pode variar conforme o alimento, a preparação e a porção.
Por isso, Juliana recomenda treinar a percepção visual em casa. O paciente pode estimar a quantidade e depois conferir a informação na tabela nutricional.
3. Não confunda carboidrato com calorias
A contagem de carboidratos não substitui a atenção ao total de calorias consumidas. Denise Franco e Juliana Baptista destacaram essa diferença durante a conversa.
O carboidrato influencia a glicose, mas outros nutrientes também participam da composição energética da alimentação. Carboidratos e proteínas fornecem 4 calorias por grama, enquanto a gordura fornece 9.
Além disso, o álcool fornece 7 calorias por grama. Portanto, observar apenas o carboidrato pode deixar de fora outros fatores relacionados ao peso e à alimentação.
A nutricionista explicou que cada pessoa possui necessidades diferentes. Altura, peso e quantidade de massa muscular entram nessa avaliação.
Por isso, o planejamento alimentar precisa considerar as características individuais. O profissional de nutrição pode calcular a quantidade adequada para cada pessoa.
4. Leia os rótulos e confira os aplicativos
Os rótulos dos alimentos ajudam a identificar a quantidade de carboidratos de produtos embalados. Ainda assim, interpretar essas informações pode gerar dúvidas durante a contagem de carboidratos.
Segundo as profissionais, a tabela nutricional representa uma ferramenta para quem aprende a fazer a contagem. Além disso, aplicativos podem facilitar o acesso aos dados.
No entanto, Juliana Baptista alerta para a necessidade de verificar a informação apresentada pelo aplicativo. Uma fotografia, por exemplo, pode não representar exatamente o tamanho da porção consumida.
Essa diferença importa quando a informação será usada para calcular uma dose de insulina. Portanto, a tecnologia pode auxiliar, mas não substitui o acompanhamento profissional.
A nutricionista também pode ajudar o paciente a comparar estimativas com as quantidades realmente consumidas.
5. Considere o preparo e a combinação dos alimentos
A quantidade de carboidrato não determina sozinha a velocidade com que a glicose aumenta. O preparo e a combinação dos alimentos também podem influenciar esse processo.
Denise Franco e Juliana Baptista explicaram essa diferença ao comparar alimentos como massa, purê, fruta e suco.
O índice glicêmico está relacionado à velocidade de aumento da glicose após o consumo de determinado alimento. Portanto, alimentos com a mesma quantidade de carboidrato podem produzir respostas diferentes.
Juliana citou o purê de batata como exemplo. O alimento já está amassado e processado, o que modifica a forma como o organismo lida com ele.
A combinação também interfere. Segundo a nutricionista, adicionar proteína e fibras pode modificar o índice glicêmico da refeição.
Por outro lado, alimentos com gordura podem produzir alterações mais tardias na glicose. Denise relatou situações em que a glicose aumentou horas depois da refeição.
6. Não ignore proteínas e gorduras na contagem de carboidratos
Um alimento pode apresentar pouco ou nenhum carboidrato e ainda participar da resposta glicêmica. Por isso, a contagem não deve transformar alimentos sem carboidrato em opções de consumo livre.
Juliana Baptista citou carnes, frango, peixe, ovos e queijos como fontes de proteína. Segundo ela, o excesso de proteína também pode influenciar a glicose mais tarde.
A gordura exige atenção pelo conteúdo calórico na contagem de carboidratos. Denise Franco explicou que o ganho de peso pode aumentar a necessidade de insulina em determinadas situações.
Além disso, a profissional destacou que controlar a glicemia não significa, sozinho, que a pessoa esteja bem controlada. O acompanhamento também precisa considerar peso, alimentação e outros fatores.
A preparação dos alimentos também pode interferir. Juliana relatou o caso de uma paciente cuja glicose subia horas depois do consumo de feijão.
Durante a investigação, a nutricionista identificou o uso de bacon no preparo. A mudança na preparação ajudou a explicar a alteração observada posteriormente.
7. Inclua frutas e escolha a forma de consumo
As frutas também contêm carboidratos e precisam entrar na avaliação da refeição. Juliana Baptista utiliza o tamanho da mão como referência para ajudar o paciente a estimar porções fora de casa.
A estratégia busca evitar que a pessoa deixe de considerar a fruta durante a contagem. No entanto, a quantidade precisa ser individualizada conforme o plano alimentar.
A forma de consumo também pode mudar a resposta da glicose. Durante o episódio, Juliana e Denise destacaram a diferença entre comer a fruta e consumir seu suco.
Segundo elas, o suco concentra uma quantidade maior de fruta em um copo e reduz a presença de fibras. Por isso, a forma líquida pode provocar uma elevação mais rápida da glicose.
A orientação apresentada no programa é priorizar a fruta inteira em vez do suco. As profissionais citaram laranja e maçã como exemplos.
Contagem de carboidratos exige prática e acompanhamento
A contagem de carboidratos não precisa depender de uma única técnica. Juliana Baptista explicou que diferentes nutricionistas podem utilizar estratégias distintas para ensinar o paciente.
A pessoa pode aprender a usar balança, tabela nutricional, aplicativos ou medidas caseiras. Além disso, pode desenvolver referências visuais para situações em que não possui ferramentas disponíveis.
No entanto, a técnica precisa fazer sentido para a rotina de cada pessoa. Segundo Denise Franco, o acompanhamento permite avaliar se a relação entre alimentação, glicose e insulina está funcionando.
Para quem utiliza insulina, a contagem também não representa o único cálculo necessário. A correção da glicose e a quantidade relacionada aos carboidratos fazem parte de etapas diferentes.
Enquanto isso, tecnologias de monitoramento da glicose podem ajudar o paciente a observar como determinada refeição afetou sua curva glicêmica. Sistemas automatizados de insulina também podem fazer ajustes conforme os dados do sensor.
Denise Franco destacou que essas tecnologias buscam reduzir o tempo gasto com cálculos. Ainda assim, a contagem de carboidratos continua fazendo parte da rotina de muitas pessoas que precisam ajustar a alimentação e a insulina.
