O pão com requeijão é presença frequente no café da manhã de muitos brasileiros. Para quem vive com diabetes, porém, surge uma dúvida comum: esse hábito precisa ser abandonado?
Segundo a nutricionista Martha Amodio, especialista em condições crônicas e autoimunes, não é necessário excluir o requeijão da alimentação. A atenção deve estar principalmente na quantidade consumida e na forma como o alimento é combinado com os demais itens da refeição.
Requeijão aumenta a glicemia?
A composição do requeijão ajuda a explicar seu impacto sobre a glicemia. Diferentemente de alimentos ricos em carboidratos simples, o produto tradicional apresenta baixo teor de carboidratos e concentra principalmente gordura e proteína.
Por isso, seu impacto direto sobre a glicose tende a ser pequeno. O cenário é diferente do pão, por exemplo, que contém carboidratos e pode ter maior influência sobre a glicemia após a refeição.
“O requeijão praticamente não contém carboidratos em sua versão tradicional, o que reduz seu efeito imediato sobre a glicose no sangue”, explica Martha Amodio.
No entanto, o requeijão raramente é consumido sozinho. Ele costuma acompanhar pães, torradas ou biscoitos, que concentram boa parte dos carboidratos do café da manhã. Por isso, mais do que avaliar o alimento isoladamente, é importante observar a composição da refeição como um todo.
Requeijão também exige atenção à gordura
Embora tenha baixo impacto direto sobre a glicemia, o requeijão tradicional pode apresentar quantidade significativa de gordura saturada. O consumo excessivo desse tipo de gordura pode contribuir para alterações no colesterol e aumentar a preocupação com a saúde cardiovascular.
Esse cuidado é especialmente relevante para pessoas com diabetes tipo 2, que podem apresentar outros fatores de risco cardiovascular associados.
Por isso, o fato de um alimento ter pouco impacto sobre a glicemia não significa que ele possa ser consumido sem limite. A quantidade e o contexto da alimentação continuam importantes.
Quanto requeijão uma pessoa com diabetes pode comer?
Segundo Martha Amodio, uma porção de aproximadamente uma colher de sopa cheia, equivalente a cerca de 20 gramas, pode ser suficiente para acompanhar o pão no café da manhã.
A especialista destaca que o problema geralmente não está em consumir requeijão, mas no excesso. Passar uma camada muito generosa no pão todos os dias pode aumentar significativamente a quantidade de gordura consumida ao longo da rotina.
Nesse sentido, o requeijão pode ser usado como complemento da refeição, e não como o principal alimento do café da manhã.
Uma colher de sopa cheia equivale a cerca de 20 gramas
Essa é a porção indicada pela nutricionista como referência para o consumo no café da manhã. A quantidade, porém, pode variar de acordo com as necessidades e características de cada pessoa.
Requeijão light, tradicional ou zero lactose: qual escolher?
As diferentes versões disponíveis no mercado também podem gerar dúvidas. Segundo a nutricionista, a escolha depende das necessidades individuais e das condições de saúde associadas ao diabetes.
Requeijão light: costuma apresentar menor teor de gordura e pode ser uma alternativa para pessoas que precisam controlar a ingestão desse nutriente ou já apresentam colesterol elevado.
Requeijão zero lactose: pode ser uma opção para quem tem intolerância à lactose. A ausência de lactose, por si só, não significa que o produto seja mais adequado para o controle da glicemia.
Requeijão tradicional: pode fazer parte da alimentação, desde que consumido em quantidade adequada e dentro de uma dieta equilibrada.
Martha Amodio reforça que nenhuma dessas versões é obrigatória para quem tem diabetes. A escolha deve levar em conta o contexto de saúde de cada pessoa. Além disso, termos como “light” ou “diet” não devem ser o único critério na hora da compra. A leitura da tabela nutricional e da lista de ingredientes também é importante.
Como combinar o requeijão no café da manhã?
A composição da refeição pode fazer diferença na resposta glicêmica. Por isso, a nutricionista recomenda combinar o requeijão com alimentos que contribuam para uma refeição mais equilibrada.
Algumas opções sugeridas pela especialista:
- Pão integral ou rico em fibras: pode ser uma alternativa ao pão branco refinado, por apresentar maior quantidade de fibras.
- Ovo: acrescenta uma fonte de proteína à refeição.
- Frutas com fibras: mamão e maçã são exemplos que podem complementar o café da manhã.
- Requeijão em quantidade moderada: cerca de uma colher de sopa cheia, ou 20 gramas, segundo a orientação da especialista.
A ideia é combinar diferentes grupos alimentares, reunindo carboidratos, proteínas, gorduras e fibras. Essa composição pode contribuir para uma resposta glicêmica mais estável do que uma refeição baseada apenas em carboidratos.
Monitorar a glicemia também ajuda a entender a resposta individual
A resposta aos alimentos pode variar de uma pessoa para outra. Por isso, o monitoramento da glicemia após o café da manhã pode ajudar a identificar como aquela combinação específica interfere nos níveis de glicose.
A nutricionista também reforça a importância de manter regularidade nos horários das refeições e observar não apenas um alimento isoladamente, mas o conjunto da alimentação ao longo do dia.
Assim, quem tem diabetes não precisa necessariamente abrir mão do tradicional pão com requeijão. O mais importante é considerar a quantidade, o tipo de pão, os acompanhamentos e o contexto geral da alimentação, sempre levando em conta as necessidades individuais e as orientações da equipe de saúde.
