Quem tem diabetes e passou dos 60 anos pode perceber mudanças na alimentação. O tempero que antes bastava passa a parecer sem sabor, a sede quase não aparece e mastigar certos alimentos pode virar um desafio. Nessa fase, essas mudanças exigem atenção especial ao que vai ao prato.
Segundo a nutricionista Maristela Strufaldi, do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), esse é um momento em que a alimentação exige ajustes específicos. Além disso, fatores como condição socioeconômica, apoio da família e autonomia para comprar e preparar as refeições influenciam o suporte nutricional nessa fase.
Por que o corpo pede mais atenção à mesa depois dos 60
O paladar menos apurado e a menor sensação de sede fazem parte do processo natural de envelhecimento. Nesse contexto, muitos idosos reduzem a ingestão de líquidos sem perceber. Isso pode comprometer a hidratação e, consequentemente, o funcionamento do intestino e dos rins.
Além disso, a dificuldade de mastigação e deglutição pode levar à exclusão de grupos alimentares inteiros do cardápio, especialmente proteínas e fibras. Portanto, adaptar a consistência dos alimentos, sem eliminar nutrientes importantes, torna-se uma estratégia central nessa fase.
Equilíbrio como palavra-chave contra a monotonia alimentar
Para combater a rotina repetitiva de refeições, a especialista defende variedade e equilíbrio entre os grupos alimentares. Uma alimentação colorida e balanceada garante mais vitalidade no dia a dia, e ajuda a prevenir e tratar obesidade, pressão alta, colesterol elevado e diabetes.
Dessa forma, o consumo adequado de macro e micronutrientes, aliado à boa hidratação, sustenta um envelhecimento mais saudável e um controle glicêmico mais estável.
Como montar o prato: os grupos que não podem faltar
A pirâmide alimentar orienta a distribuição dos grupos de alimentos em qualquer fase da vida. Na terceira idade, essa lógica se mantém, mas pede alguns cuidados extras.
| Grupo alimentar | O que priorizar | Por que é importante |
|---|---|---|
| Pães, cereais, raízes e tubérculos | Versões integrais | Fornecem energia e são ricos em fibras, que ajudam a evitar picos de glicose |
| Verduras e legumes | Consumo frequente e variado | Fornecem vitaminas, minerais e fibras importantes para o organismo |
| Frutas | Consumo moderado | São fontes de vitaminas, minerais e fibras, mas também contêm frutose |
| Carnes, aves, peixes e ovos | Incluir nas refeições | Fornecem proteínas e leucina, que ajudam na manutenção da massa muscular, além de vitaminas do complexo B, ferro e zinco |
| Leite e derivados | Preferir versões com menor teor de gordura | Ajudam no aporte de proteínas e cálcio e podem contribuir para o controle do peso e do colesterol |
| Feijões e oleaginosas | Variar as fontes | Fornecem proteína vegetal, fibras e gorduras benéficas à saúde cardiovascular |
| Gorduras boas | Azeite, castanhas, peixes, linhaça e chia | São fontes de gorduras insaturadas e ômega-3, associados à saúde cardiovascular e à função cerebral |
Açúcar não é proibido, mas pede moderação
Segundo a nutricionista, doces e açúcares não precisam ser eliminados do cardápio, mas o consumo deve ser moderado. Essa recomendação vale não apenas para quem tem diabetes, mas para qualquer pessoa que busque uma saúde mais equilibrada. Já frituras e gorduras saturadas, presentes em carnes vermelhas, queijos amarelos e guloseimas, merecem atenção redobrada por parte de quem convive com a doença.
Além da composição do prato, alguns hábitos simples reforçam o controle glicêmico. Reduzir o sal de produtos industrializados e substituí-lo por ervas e temperos naturais é uma das recomendações da especialista. Evitar longos períodos em jejum também é importante. Fracionar as refeições a cada três horas, aproximadamente, ajuda a controlar o apetite e o peso, além de prevenir episódios de hipoglicemia.
A boa hidratação, por sua vez, facilita o funcionamento do intestino e dos rins. Somada à prática regular de atividade física, caminhar, nadar ou dançar são exemplos acessíveis, ela contribui para manter o corpo ativo e o metabolismo equilibrado. Por fim, o monitoramento frequente da glicemia e a realização de exames de rotina seguem indispensáveis.
