Controlar a taxa de gordura corporal é um cuidado frequente entre quem convive com diabetes, mas o tema costuma gerar dúvidas. Afinal, ter gordura corporal é necessariamente prejudicial? Segundo a nutricionista Tarcila Campos, a resposta está no equilíbrio, e não nos extremos.
A especialista é educadora em diabetes pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), pela Associação de Diabetes Juvenil (ADJ) e pela Federação Internacional de Diabetes (IDF).
Por que o excesso de gordura preocupa?
O excesso de gordura corporal está associado a diferentes problemas de saúde. Além da questão estética, o acúmulo pode contribuir para o aumento da pressão arterial e do colesterol e está relacionado a um maior risco de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.
Por isso, acompanhar a composição corporal pode fazer parte do cuidado com a saúde metabólica. Para quem tem diabetes, esse acompanhamento deve considerar não apenas o peso, mas também fatores como alimentação, atividade física, distribuição da gordura corporal e histórico de saúde.
Alimentação pode ajudar no controle da gordura corporal
Entre os fatores que influenciam o acúmulo de gordura estão o consumo excessivo de alimentos ricos em açúcares e gorduras, principalmente quando a ingestão de energia ultrapassa as necessidades do organismo.
Nesse contexto, pequenas mudanças na alimentação podem ser mais sustentáveis do que restrições muito rígidas.
Segundo Tarcila Campos, algumas substituições podem ajudar a reduzir a ingestão calórica e melhorar a qualidade da alimentação:
“Algumas substituições ajudam na perda de gordura, como trocar o açúcar por adoçante, o leite e os iogurtes integrais pelas versões light ou desnatadas, os queijos amarelos por queijo branco, cottage ou ricota, os pães e torradas pelas versões integrais, as frituras por preparações assadas e cozidas ou grelhadas. Também vale priorizar carnes magras, como peixe e frango, e trocar os doces tradicionais por opções à base de frutas.”
Trocas que podem fazer parte da rotina
| Em vez de | Uma alternativa |
|---|---|
| Açúcar | Adoçante, quando adequado |
| Leite e iogurte integrais | Versões com menor teor de gordura |
| Queijos amarelos | Queijo branco, cottage ou ricota |
| Pães e torradas refinados | Versões integrais |
| Frituras | Preparações assadas, cozidas ou grelhadas |
| Carnes mais gordurosas | Peixes e cortes mais magros de frango |
| Doces tradicionais | Preparações ou opções à base de frutas |
A ideia, segundo a especialista, é incorporar essas mudanças de forma gradual. Em vez de seguir dietas muito restritivas por períodos curtos, a manutenção de hábitos mais equilibrados ao longo do tempo tende a ser uma estratégia mais sustentável.
Além disso, reduzir o consumo de açúcares adicionados e de alimentos ricos em gorduras saturadas pode contribuir para uma alimentação mais adequada ao controle metabólico.
Estresse também pode influenciar o acúmulo de gordura
A alimentação não é o único fator relacionado à composição corporal. O estresse também merece atenção, especialmente quando se torna frequente ou prolongado.
Segundo Tarcila, situações de pressão emocional ou profissional podem estar associadas ao aumento da produção de cortisol, hormônio relacionado à resposta do organismo ao estresse.
“O estresse, causado por questões emocionais ou por pressão no trabalho, por exemplo, tem sido considerado um dos principais fatores predisponentes ao acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal. Situações estressantes propiciam o aumento na secreção de cortisol, hormônio que estimula o apetite e aumenta a proliferação e o acúmulo das células de gordura”, explica.
Na prática, períodos de estresse podem vir acompanhados de alterações no apetite, no sono, na rotina e nos hábitos alimentares. Por isso, o cuidado com a saúde emocional também pode fazer parte da estratégia de controle do diabetes e da composição corporal.
Atividade física ajuda no controle da gordura e do estresse
A prática regular de atividade física é outro componente importante desse cuidado. Além de contribuir para a manutenção ou redução da gordura corporal, o exercício pode ajudar no controle do estresse e trazer benefícios para a saúde metabólica.
Atividades aeróbicas, como caminhada, corrida, natação e dança, podem fazer parte da rotina de acordo com as condições e preferências de cada pessoa. Exercícios de força também são importantes para a manutenção da massa muscular.
Três pilares do cuidado
- Alimentação equilibrada
Priorizar alimentos nutritivos e fazer substituições possíveis de manter no dia a dia. - Atividade física
Manter uma rotina de exercícios adequada à condição e aos objetivos de cada pessoa. - Manejo do estresse
Buscar estratégias para lidar com situações de tensão e cuidar também da saúde emocional.
Gordura corporal não deve ser avaliada isoladamente
O objetivo não deve ser simplesmente eliminar gordura corporal. Cada organismo apresenta necessidades diferentes, e a composição corporal precisa ser analisada dentro do contexto de saúde de cada pessoa.
Para quem tem diabetes, o acompanhamento com profissionais de saúde pode ajudar a estabelecer metas realistas e adequadas. O planejamento deve considerar o histórico clínico, o tipo de diabetes, os medicamentos utilizados, a alimentação, a atividade física e outros fatores individuais.
Dessa forma, o cuidado com a gordura corporal deixa de ser uma questão exclusivamente estética e passa a fazer parte de uma abordagem mais ampla de saúde. Alimentação equilibrada, atividade física, manejo do estresse e acompanhamento profissional atuam em conjunto para favorecer o controle metabólico e o cuidado com o diabetes a longo prazo.
