O almoço pode manter alimentos comuns da rotina de quem tem diabetes, mas a forma de montar o prato interfere na resposta da glicose. A nutricionista Tarcila Campos explica quais escolhas merecem atenção.
Tarcila é nutricionista e educadora em diabetes e integra o Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Segundo ela, o controle alimentar não exige retirar arroz, feijão, batata ou macarrão.
No entanto, a quantidade e a combinação desses alimentos precisam entrar no planejamento. Veja cinco erros que podem aumentar o impacto da refeição na glicose.
1. Colocar carboidrato demais no prato
Arroz, macarrão e batata fornecem carboidratos. Esse nutriente influencia a glicose após a refeição.
Por isso, aumentar a quantidade desses alimentos pode elevar a resposta glicêmica. Tarcila explica que, no diabetes tipo 2, a quantidade de carboidrato ganha importância por causa da resistência à insulina.
Além disso, ela cita uma distribuição de referência para montar o prato. Metade deve ficar para verduras e legumes, enquanto um quarto pode receber o carboidrato.
2. Tirar os vegetais do almoço
Outro erro é montar uma refeição baseada apenas em carboidrato e proteína. Nesse caso, o prato perde uma parte importante da combinação alimentar.
A orientação apresentada por Tarcila coloca verduras e legumes em pelo menos metade do prato. Alface, tomate e cenoura aparecem como exemplos.
No entanto, a preparação pode variar. Os vegetais podem ser consumidos crus, cozidos ou refogados.
3. Comer o carboidrato sozinho
A forma de combinar os alimentos também importa. Tarcila explica que arroz branco, por exemplo, pode ter uma absorção mais rápida quando consumido sozinho.
Já o arroz acompanhado de feijão acrescenta fibras e proteína à refeição. Outra possibilidade é combinar o carboidrato com uma fonte de proteína.
Portanto, não é necessário retirar o arroz branco. A combinação pode fazer parte da estratégia alimentar.
4. Escolher preparações fritas
A forma de preparo também entra na avaliação da refeição. Ao falar sobre batata e frango, Tarcila orienta observar se os alimentos foram fritos ou preparados de outra maneira.
Ela cita opções como alimentos cozidos ou assados. Além disso, explica que preparações com mais gordura podem interferir na glicose.
No caso do macarrão com molho branco, por exemplo, a quantidade de gordura também precisa ser considerada.
5. Aumentar a porção porque o alimento é considerado saudável
Um alimento pode fazer parte da alimentação e, ainda assim, exigir atenção à quantidade. Tarcila usa a castanha como exemplo, mas o princípio também aparece nas refeições principais.
No diabetes tipo 2, a quantidade de carboidrato precisa considerar a necessidade de cada pessoa. Segundo a nutricionista, algumas pessoas podem trabalhar com 50 gramas por refeição, enquanto outras precisam de uma quantidade menor.
Assim, chamar um alimento de saudável não significa que a pessoa possa consumi-lo sem considerar a porção.
Arroz, batata e macarrão precisam sair do almoço?
Não. A entrevista reforça que pessoas com diabetes não precisam abandonar esses alimentos.
Tarcila cita arroz branco, batata inglesa, batata-doce, inhame, macaxeira e macarrão como opções que podem entrar no planejamento alimentar.
O ponto central está na quantidade e na combinação. Uma refeição pode reunir carboidrato, proteína e vegetais sem exigir a retirada de alimentos presentes na rotina.
Além disso, a resposta da glicose varia entre as pessoas. A nutricionista destaca que a monitorização pode ajudar a entender como cada organismo reage aos alimentos.
Nesse contexto, o glicosímetro e o sensor de glicose podem mostrar a resposta antes e depois da refeição para quem tem acesso a essas tecnologias.
