O SEMID 7L, programa de monitoramento de glicose para pessoas com diabetes tipo 1 em Sete Lagoas (MG) ampliou o atendimento desde o início da distribuição dos sensores, em abril de 2026.
A iniciativa começou atendendo crianças de 2 a 13 anos. Em poucos meses, a Secretaria Municipal de Saúde ampliou a faixa etária conforme a disponibilidade de estoque.
O número de pacientes cadastrados e atendidos passou de 37 para 54. Desde agosto, unidades de saúde também notificam famílias de adolescentes que entraram nos critérios de atendimento.
Entre os pacientes estão as gêmeas Alice Emanuele e Cecília Emanuele, de 7 anos. As duas convivem com diabetes tipo 1 desde a infância e receberam sensores durante o lançamento do programa.
Como funciona o SEMID 7L para diabetes
O SEMID 7L fornece sensores aplicados no braço para medir a glicose de forma contínua e em tempo real.
O sensor reduz a necessidade de realizar várias medições por meio da picada no dedo. A tecnologia permite acompanhar as variações da glicose ao longo do dia.
A empresa vencedora do processo licitatório fornece os sensores do sistema FreeStyle Libre. Ela também oferece suporte técnico e orientação para profissionais de saúde e famílias.
Para acessar o programa, a Secretaria Municipal de Saúde orienta as famílias a procurarem a unidade de saúde de referência do bairro.
A Estratégia de Saúde da Família informa os critérios de elegibilidade e orienta sobre a entrega do sensor.
Programa ampliou faixa etária em quatro meses
A distribuição dos sensores começou em 29 de abril de 2026 e continua em andamento, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
Inicialmente, o programa atendia crianças de 2 a 13 anos. A Secretaria ampliou o público de forma progressiva conforme a disponibilidade de sensores na Assistência Farmacêutica.
Desde 5 de agosto, unidades de saúde notificam famílias de crianças de 14 e 15 anos. Esses pacientes entram em regulação para atendimento no ambulatório.
A partir de 12 de agosto, a liberação passou a alcançar adolescentes de 15 a 16 anos. A expansão continuou até incluir jovens de até 19 anos, 11 meses e 29 dias.
Com a mudança, o programa passou de 37 para 54 pacientes cadastrados e atendidos.
Gêmeas vivem com diabetes tipo 1 desde a infância
Alice recebeu o diagnóstico em abril de 2020, no início da pandemia. Ela chegou ao hospital em cetoacidose diabética e permaneceu internada por seis dias.
Segundo a mãe, Alexsandra Silva, uma sequência de erros médicos atrasou o diagnóstico correto.
Cerca de um ano depois, em junho de 2021, Cecília recebeu o diagnóstico. A mãe já reconhecia os sintomas por causa da experiência com a irmã.
Por isso, o atendimento aconteceu mais rápido. Cecília não desenvolveu cetoacidose e permaneceu internada por dois dias.
As duas meninas chegaram a usar sensores aos 4 e 5 anos. Depois, a família perdeu o acesso e voltou a medir a glicose com a picada no dedo.
“Não tínhamos rotina de sono, não tinha segurança ao sair, ao ficar na escola e até mesmo para viajar”, conta Alexsandra.
Segundo ela, as meninas tiveram episódios de hipoglicemia severa identificados apenas pela medição capilar. A família precisava recorrer à picada no dedo para identificar essas alterações.
Sensor mudou acompanhamento da glicose
A família participou da mobilização de uma rede de pais, em conjunto com o vereador Caio. O grupo levou a demanda até o prefeito e ajudou a viabilizar o programa municipal.
Com o uso contínuo dos sensores, Alice e Cecília passaram a acompanhar os episódios de hiperglicemia prolongada e hipoglicemia.
Os dados também ajudam a endocrinologista a avaliar mudanças no tratamento. Além disso, as meninas fazem acompanhamento com nutricionista no ambulatório.
“Hoje posso falar que a rotina mudou bastante com a chance de usar o sensor, e estamos conseguindo mudar também as glicemias”, afirma Alexsandra.
Diabetes exige cuidados também na escola
A rotina das gêmeas inclui escola, parquinho, visitas aos avós e consultas.
Antes das refeições na escola, Alexsandra analisa o cardápio da semana. Ela avalia a contagem de carboidratos e as opções sem açúcar para decidir se as meninas podem consumir a merenda.
Quando a alimentação da escola não atende ao planejamento, ela prepara uma lancheira em casa.
Alice e Cecília almoçam por volta das 11h40 e estudam no período da tarde. Antes de saírem, a mãe aplica a insulina.
Embora a escola das meninas tenha recebido a família, a ausência de um profissional dedicado ao cuidado diário exige que Alexsandra acompanhe os horários de aplicação da insulina.
Família ainda enfrenta dificuldades no tratamento
O acesso a insumos e especialistas pela rede pública continua entre as dificuldades enfrentadas pela família.
Além disso, escolas estaduais e municipais nem sempre oferecem suporte especializado para crianças com diabetes tipo 1.
A necessidade de acompanhar as filhas também interfere na rotina profissional de Alexsandra. Ela não consegue trabalhar fora e não recebe auxílio governamental.
Enquanto isso, a família mantém despesas com aluguel e deslocamento até a escola.
A expansão do SEMID 7L ocorre nesse contexto. O programa segue ampliando o atendimento conforme a disponibilidade de sensores na rede municipal.
Famílias interessadas no serviço devem procurar a unidade de saúde de referência do bairro para consultar os critérios de acesso e a entrega dos sensores.
