A dúvida sobre beterraba e diabetes é comum entre pessoas que convivem com a doença. Por ser um alimento de sabor adocicado, muita gente acredita que ela deve ser retirada da alimentação. No entanto, a nutricionista especialista em diabetes, Carol Netto, explica que isso não é necessário. Segundo ela, a beterraba pode fazer parte do cardápio quando consumida com equilíbrio e dentro de uma refeição planejada.
Beterraba tem carboidrato, mas isso não significa que ela deva ser evitada
Ela é rica em vitaminas, minerais e fibras. Além disso, ela contém carboidratos, nutriente que é convertido em glicose durante a digestão.
Carol Netto explica que esse fato, sozinho, não torna o alimento inadequado para quem tem diabetes. O que faz diferença é a quantidade consumida e a forma como a refeição é composta.
Em uma porção de aproximadamente 100 gramas de beterraba, existem cerca de 10 gramas de carboidratos.
Para facilitar a comparação, essa quantidade corresponde ao carboidrato presente em aproximadamente um terço de um pão francês. A nutricionista destaca, porém, que a comparação envolve apenas a quantidade de carboidratos, e não o tipo de carboidrato presente em cada alimento.
As fibras ajudam a reduzir a velocidade da elevação da glicose
Segundo Carol Netto, ela contém fibras que retardam a absorção dos carboidratos.
Na prática, isso significa que a glicose tende a subir de forma mais lenta após o consumo do alimento.
Ela explica que as fibras funcionam como uma espécie de freio para a absorção da glicose, diferente do que acontece com alimentos ricos em carboidratos simples, como o pão francês, cuja digestão costuma ser mais rápida.
Por isso, apesar de ser doce, ela não provoca um aumento rápido da glicemia quando consumida em quantidades habituais.
O restante da refeição também influencia a glicemia
Outro ponto destacado pela nutricionista é que nenhum alimento deve ser analisado de forma isolada.
Quando a beterraba faz parte de uma refeição com arroz, feijão, massas, batata ou outros alimentos ricos em carboidratos, todo esse conjunto precisa ser considerado.
Ou seja, o impacto na glicemia depende da soma dos carboidratos presentes no prato e não apenas da beterraba.
12 dicas para consumir beterraba com diabetes
Quem convive com diabetes não precisa excluir a beterraba da alimentação. Veja os cuidados recomendados pela nutricionista Carol Netto:
- Não retire a beterraba do cardápio apenas porque ela é doce.
- Lembre-se de que a beterraba contém carboidratos, que devem fazer parte do planejamento da refeição.
- Consuma com equilíbrio, evitando exageros na quantidade.
- Considere todos os carboidratos presentes no prato, e não apenas os da beterraba.
- Aproveite as fibras do alimento, que ajudam a retardar a absorção da glicose.
- Não compare apenas o sabor dos alimentos. O fato de ser doce não significa que a glicemia aumentará rapidamente.
- Entenda a comparação com o pão francês. Cem gramas de beterraba possuem quantidade de carboidratos semelhante à de um terço de pão francês, mas os alimentos têm características diferentes.
- Prefira incluir ela em refeições completas, em vez de avaliar o alimento de forma isolada.
- Evite consumir grandes quantidades de uma só vez. Comer várias beterrabas pode aumentar a carga de carboidratos da refeição.
- Use para variar os vegetais do prato, mantendo uma alimentação diversificada.
- Se você faz contagem de carboidratos, inclua a beterraba no cálculo da refeição.
- Se tiver dúvidas sobre as quantidades ideais, procure orientação do nutricionista responsável pelo seu tratamento.
Ajuda a reduzir a vontade de doce?
Carol Netto lembra que muitas pessoas relatam que a beterraba ajuda a reduzir a vontade de consumir doces por causa do sabor naturalmente adocicado.
Isso não significa que o alimento substitua sobremesas em todas as situações. No entanto, ele pode fazer parte de uma alimentação equilibrada para quem convive com diabetes.
A principal orientação permanece a mesma: considerar a quantidade consumida e avaliar todos os alimentos presentes na refeição.
