Uma nova opção de semaglutida começa a chegar às farmácias brasileiras nesta sexta-feira (4). O Semavy, da Mantecorp, marca da Hypera Pharma, passa a ser comercializado no país para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2, ampliando a oferta de medicamentos dessa classe no mercado nacional.
A chegada às farmácias acontece depois do registro do medicamento no Brasil e coloca no varejo uma semaglutida produzida por síntese química. Segundo a fabricante, o produto foi avaliado em um estudo clínico de fase III realizado em adultos com diabetes tipo 2.

Outro ponto que deve chamar a atenção é o preço. De acordo com a Hypera Pharma, por meio do programa de benefícios Mantecorp Saúde, o custo pode chegar a R$ 333 por caneta injetável de 1 mg, considerando o tratamento de três meses. O valor está relacionado às condições do programa e, portanto, não significa necessariamente que esse será o preço encontrado diretamente nas farmácias.
Para quem o Semavy é indicado?
Apesar de a semaglutida ter ganhado grande visibilidade nos últimos anos por causa de seus efeitos sobre o peso, é importante observar a indicação específica de cada medicamento.
Segundo as informações do Semavy, a indicação é para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, como complemento à alimentação e à prática de atividade física.
O medicamento pode ser utilizado sozinho quando a metformina é considerada inadequada ou associado a outros medicamentos utilizados no tratamento do diabetes.
A indicação aprovada também inclui a redução do risco de declínio sustentado da taxa de filtração glomerular, doença renal em estágio terminal e morte cardiovascular em adultos com diabetes tipo 2 e doença renal crônica, em associação ao tratamento padrão.
O Semavy é um medicamento de venda sob prescrição. Ele não é indicado para pessoas com diabetes tipo 1 nem para o tratamento da cetoacidose diabética e não deve ser utilizado como substituto da insulina.
O que significa ser uma semaglutida sintética?
Uma das características do Semavy é a forma como seu princípio ativo é produzido.
A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Esses medicamentos atuam em diferentes mecanismos envolvidos no controle da glicose e também podem reduzir o apetite e favorecer a perda de peso.
No caso do Semavy, a molécula utilizada é obtida por síntese química. Isso diferencia seu processo de produção daquele utilizado em algumas outras versões de semaglutida disponíveis no mercado.
Para o paciente, entretanto, o ponto mais importante não é apenas a maneira como a molécula é produzida, mas a existência de avaliação regulatória e de estudos capazes de demonstrar a eficácia e a segurança do medicamento.
Semavy foi comparado com a semaglutida de referência
Segundo o material de lançamento, a eficácia e a segurança da semaglutida utilizada no Semavy foram avaliadas em um estudo clínico de fase III com 314 adultos com diabetes tipo 2.
A pesquisa comparou o tratamento com o produto ao medicamento de referência durante 24 semanas.
De acordo com a fabricante, os resultados demonstraram desempenho e segurança equivalentes entre os tratamentos nos parâmetros avaliados de controle do diabetes e redução de peso. O estudo foi publicado na revista científica Diabetes, Obesity and Metabolism.
A existência de um estudo clínico realizado em humanos é um ponto relevante diante da ampliação da oferta de produtos contendo semaglutida no mercado brasileiro.
Isso não significa, porém, que todos os medicamentos que possuem semaglutida sejam automaticamente intercambiáveis ou tenham exatamente as mesmas indicações. O paciente deve utilizar o medicamento prescrito e seguir as orientações do profissional responsável pelo tratamento.
Como é feito o tratamento com Semavy?
O Semavy é administrado por injeção subcutânea uma vez por semana.
De acordo com as informações do medicamento, a dose inicial é de 0,25 mg uma vez por semana. Depois de quatro semanas, a dose deve ser aumentada para 0,5 mg semanal.
Após pelo menos quatro semanas utilizando 0,5 mg, a dose pode ser elevada para 1 mg uma vez por semana quando houver necessidade de controle glicêmico adicional.
A dose de 0,25 mg é utilizada para o início do tratamento e não é considerada dose de manutenção. Doses superiores a 1 mg por semana não são recomendadas para o Semavy.
O escalonamento da dose é importante porque medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 podem provocar efeitos gastrointestinais, especialmente no início do tratamento e durante mudanças de dose.
Caneta pode permanecer fora da geladeira depois de aberta
O armazenamento é outra característica destacada no lançamento.
Segundo a fabricante, depois de aberta, a caneta do Semavy pode ser mantida em temperatura ambiente por até seis semanas, sem necessidade de refrigeração.
A possibilidade pode facilitar o transporte e o uso durante viagens e deslocamentos. Ainda assim, é importante respeitar as condições específicas de temperatura e conservação descritas na bula do medicamento.
As regras de armazenamento não devem ser generalizadas entre diferentes marcas apenas porque todas contêm semaglutida.
Quais são os principais efeitos colaterais?
Assim como outros medicamentos que atuam no receptor de GLP-1, o Semavy pode provocar efeitos adversos.
Entre as reações muito comuns e comuns descritas nas informações do produto estão náusea, vômito, diarreia, redução do apetite, dor abdominal, distensão abdominal, constipação, refluxo, tontura, cefaleia e fadiga, entre outras.
Os sintomas gastrointestinais merecem atenção porque episódios de vômito e diarreia podem provocar desidratação, especialmente em pessoas que já apresentam comprometimento da função renal.
Também pode ocorrer hipoglicemia, principalmente quando a semaglutida é utilizada junto com insulina, sulfonilureias ou outros medicamentos capazes de reduzir a glicose.
Por isso, iniciar ou modificar o tratamento por conta própria pode trazer riscos.
Semaglutida exige prescrição e acompanhamento
A maior disponibilidade de medicamentos à base de semaglutida não muda um ponto fundamental: o tratamento precisa ter indicação individualizada e acompanhamento profissional.
A escolha do medicamento para uma pessoa com diabetes tipo 2 depende de diferentes fatores, incluindo níveis de glicose, presença de doença cardiovascular ou renal, peso, outros medicamentos utilizados, risco de hipoglicemia, efeitos adversos e condições individuais.
O Semavy também não deve ser utilizado durante a gravidez. Segundo as informações do produto, devido à longa meia-vida da semaglutida, o medicamento deve ser descontinuado pelo menos dois meses antes de uma gravidez planejada.
Com a chegada do Semavy às farmácias, pessoas com diabetes tipo 2 passam a encontrar mais uma opção de semaglutida no mercado brasileiro. A ampliação da oferta pode aumentar as alternativas disponíveis para médicos e pacientes, mas a decisão sobre qual tratamento utilizar continua dependendo de avaliação individual, prescrição e acompanhamento.