A busca por medicamentos à base de semaglutida cresceu nos últimos anos e transformou essa classe terapêutica em uma das mais disputadas pela indústria farmacêutica. Agora, uma das maiores empresas brasileiras do setor entra oficialmente nesse mercado com uma nova opção para o tratamento do diabetes tipo 2.
A Hypera Pharma anunciou o Semavy, medicamento injetável à base de semaglutida que será comercializado pela marca Mantecorp. O produto recebeu registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, segundo a empresa, deve chegar às farmácias brasileiras em até dois meses, após a conclusão das etapas operacionais e comerciais do lançamento.
A chegada do Semavy ocorre poucos dias após a Anvisa conceder novos registros para medicamentos contendo semaglutida, ampliando o número de fabricantes autorizados a comercializar esse princípio ativo no país. Para quem convive com diabetes tipo 2, a expectativa é que o aumento da oferta possa ampliar as alternativas disponíveis ao longo do tempo, embora fatores como preço e disponibilidade ainda dependam da estratégia comercial de cada empresa.
O que é o Semavy?
O Semavy é um medicamento injetável desenvolvido com semaglutida, princípio ativo pertencente à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Esses medicamentos são utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 porque ajudam o organismo a liberar insulina quando os níveis de glicose estão elevados, reduzem a produção de glucagon, retardam o esvaziamento do estômago e aumentam a sensação de saciedade.
Segundo a Hypera Pharma, o registro foi concedido pela Anvisa após análise dos critérios de qualidade, segurança e eficácia exigidos para esse tipo de medicamento. A comercialização será feita pela Mantecorp, divisão de medicamentos de prescrição da companhia.
Semavy marca a entrada da Hypera no mercado de semaglutida
Mais do que o lançamento de um novo medicamento, o Semavy representa a entrada da Hypera Pharma em um dos segmentos de maior crescimento da indústria farmacêutica mundial.
De acordo com a empresa, o mercado brasileiro de medicamentos da classe GLP-1 movimenta cerca de R$ 15,6 bilhões e registrou crescimento de 111% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da IQVIA citado no comunicado.
A Hypera também informa ter investido aproximadamente R$ 2,5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento nos últimos cinco anos, estratégia que busca ampliar seu portfólio de medicamentos inovadores e fortalecer sua atuação no segmento de produtos de prescrição.
Em nota, Breno Oliveira, CEO da Hypera Pharma, afirmou que a empresa pretende ampliar a oferta nacional de semaglutida.
“O medicamento chega para ampliar a oferta nacional de semaglutida, contribuindo para tornar esse tipo de tratamento cada vez mais acessível e disponível à população brasileira. Queremos garantir que mais brasileiros possam iniciar e, principalmente, manter seu tratamento com um produto de altíssima qualidade a um preço justo.”
Até o momento, a companhia não informou o preço que será praticado nas farmácias.
O que muda para quem tem diabetes tipo 2?
Na prática, a chegada do Semavy amplia o número de empresas que passam a oferecer medicamentos à base de semaglutida no Brasil. No entanto, isso não significa que o tratamento ficará imediatamente mais barato ou que haverá disponibilidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Além disso, a utilização da semaglutida depende de avaliação médica individual. O medicamento possui indicações específicas aprovadas pela Anvisa e não deve ser iniciado sem orientação de um profissional de saúde.
Especialistas lembram que o tratamento do diabetes tipo 2 continua baseado em diferentes pilares. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, monitoramento da glicemia e acompanhamento médico permanecem fundamentais, independentemente do medicamento utilizado.
Quando o Semavy estará disponível?
Segundo a Hypera Pharma, o Semavy deverá chegar às farmácias brasileiras em até dois meses, prazo necessário para a conclusão das etapas logísticas e comerciais que antecedem o lançamento nacional.
Até lá, médicos e pacientes aguardam informações como apresentações disponíveis, preços, programas de acesso e distribuição nas redes de farmácia.
Embora o registro regulatório seja uma etapa essencial, a disponibilidade efetiva para o consumidor dependerá do cronograma definido pela fabricante.