Com a chegada dos dias mais frios, a sopa costuma aparecer com mais frequência no jantar.
Para quem tem diabetes, ela pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, mas a escolha dos ingredientes e o tamanho da porção fazem diferença.
Não existe uma específica que seja obrigatória ou proibida para pessoas com diabetes. O principal cuidado é observar a quantidade de carboidratos e combinar a refeição com fontes de proteínas, fibras e outros nutrientes.
O que colocar na sopa?
Uma sopa mais equilibrada pode reunir diferentes grupos de alimentos. Vegetais como abóbora, brócolis, couve-flor, cenoura, abobrinha, chuchu e folhas ajudam a aumentar a oferta de fibras, vitaminas e minerais.
Também é possível incluir fontes de proteína, como frango desfiado, carne magra, ovos ou leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico.
Já ingredientes como batata, mandioca, mandioquinha, batata-doce, macarrão, arroz e outros cereais são fontes de carboidratos e precisam entrar na conta da refeição.
Isso não significa que esses alimentos precisem ser retirados da sopa. A questão é considerar quanto carboidrato existe na preparação e qual é o tamanho da porção.
Segundo a nutricionista Tarcila Campos, a composição da refeição é importante para entender como a sopa pode interferir na glicemia.
“Evite sopas com apenas um tipo de carboidrato, como mandioquinha, sem proteína ou vegetais”, orienta.
Sopa pode aumentar a glicose?
Pode, dependendo da composição.
Uma sopa feita principalmente com batata, mandioca, mandioquinha ou outros alimentos ricos em carboidratos, especialmente quando consumida em grande quantidade e sem outras fontes de proteína ou fibras, pode provocar uma elevação maior da glicose.
Por outro lado, uma preparação com variedade de vegetais, proteína e uma quantidade adequada de carboidratos tende a oferecer uma refeição mais completa.
A resposta também varia de uma pessoa para outra. No diabetes tipo 1, a quantidade de carboidratos da refeição é especialmente importante para o planejamento da dose de insulina. No diabetes tipo 2, composição e porção também fazem parte da estratégia alimentar.
Cremes e sopas batidas exigem atenção?
Não é necessário evitar sopas cremosas ou preparações batidas. O mais importante é observar o que foi usado para prepará-las.
Uma sopa de legumes batidos, por exemplo, continua contendo os nutrientes dos vegetais. O cuidado deve estar na composição da preparação e na quantidade de ingredientes ricos em carboidratos.
Por isso, o nome da sopa não diz tudo. Uma “sopa de abóbora” pode ter uma composição bastante diferente de outra feita com grandes quantidades de abóbora e acompanhada de outros ingredientes ricos em carboidratos.
Boas opções para variar o jantar
Não é preciso seguir receitas específicas. Algumas combinações podem servir de inspiração:
Legumes + frango desfiado: combina vegetais e proteína e pode receber uma pequena porção de arroz ou outro carboidrato.
Abóbora + carne ou frango: a abóbora pode fazer parte da refeição, desde que a quantidade seja considerada no total de carboidratos.
Brócolis e outros vegetais + ovo: uma opção com vegetais e proteína.
Lentilha ou feijão + legumes: as leguminosas fornecem carboidratos, fibras e proteínas e podem compor uma sopa bastante nutritiva.
Canja: pode ser uma opção, mas vale observar a quantidade de arroz ou outros carboidratos e a proporção de frango e vegetais.
A ideia não é transformar a sopa em uma refeição “sem carboidrato”. O objetivo é equilibrar os diferentes componentes da refeição.
E o pão ou a torrada para acompanhar?
Esse é outro ponto que merece atenção. Se a sopa já contém batata, mandioca, arroz, macarrão ou outro carboidrato, acrescentar pão, torradas ou croutons pode aumentar ainda mais a quantidade total de carboidratos da refeição.
Isso não significa que o acompanhamento esteja proibido. É preciso considerar o conjunto da refeição e a resposta individual da glicose.
Para quem monitora a glicemia, observar o que acontece após diferentes combinações também pode ajudar a entender como o próprio organismo responde.
O que é importante lembrar
Sopa pode fazer parte da alimentação de quem tem diabetes. O mais importante é olhar para a refeição como um todo e observar como o organismo responde à combinação e à quantidade dos alimentos.
Para quem usa insulina ou medicamentos que podem causar hipoglicemia, o planejamento das refeições deve considerar o tratamento individual. Em caso de dúvidas sobre porções, quantidade de carboidratos ou ajustes na alimentação, a orientação deve ser feita com a equipe de saúde.
