Quem tem diabetes e depende do Sistema Único de Saúde (SUS) encontra diferentes caminhos para conseguir medicamentos, insulinas e insumos. No caso dos sensores de glicose, o acesso ainda não ocorre para toda a população.
A tecnologia já aparece em programas criados por municípios, que definem critérios próprios para a distribuição. Ao mesmo tempo, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) avalia a inclusão do monitoramento contínuo da glicose no sistema público.
Durante participação no DiabetesCast, a enfermeira especializada em diabetes Gabriela Cavicchioli explicou como funciona atualmente o acesso ao tratamento e por que a chegada dos sensores ao SUS depende de uma avaliação que considera diferentes fatores.
Por que o sensor de glicose ainda não está disponível para todos?
Segundo Gabriela, a discussão sobre o sensor de glicose envolve mais do que a disponibilidade da tecnologia. O sistema público precisa avaliar critérios para definir quem terá acesso e como esse recurso será distribuído.
A Conitec já apresentou uma negativa à incorporação do sensor, segundo a entrevista. Depois disso, abriu uma consulta pública sobre o tema.
A consulta recebeu 26 mil participações, conforme relatado no programa. As contribuições apresentaram informações sobre os benefícios do monitoramento contínuo da glicose.
Enquanto isso, municípios passaram a criar protocolos próprios para oferecer sensores a determinados grupos da população.
Municípios já oferecem sensores de glicose com critérios próprios
O acesso ao sensor de glicose pelo SUS não acontece da mesma forma em todo o país. Municípios vêm criando protocolos para definir quem pode receber a tecnologia.
Gabriela explica que esse movimento também produz informações que podem ajudar na avaliação da tecnologia dentro da realidade brasileira.
Entre os dados considerados estão as internações e os custos relacionados ao tratamento. A análise também pode comparar os gastos com tiras de glicemia e sensores.
Nesse contexto, a discussão não envolve apenas o preço de cada insumo. Também entra na avaliação o que o monitoramento pode ajudar a prevenir e quais impactos isso pode gerar para o sistema de saúde.
O que falta para o sensor chegar ao SUS?
A incorporação de uma tecnologia ao sistema público exige a definição de critérios. Por isso, o acesso ao sensor não depende apenas da existência do equipamento.
A discussão também envolve onde a tecnologia será distribuída, quem poderá recebê-la e como o sistema vai organizar esse acesso.
Segundo Gabriela, os municípios que começaram a oferecer sensores ajudam a produzir dados sobre o uso da tecnologia no Brasil. Essas informações podem ampliar a análise sobre custos, internações e possíveis impactos do monitoramento.
Por outro lado, a enfermeira destaca que também será necessário preparar as pessoas para utilizar o recurso caso ele seja incorporado ao SUS.
Sensor de glicose precisa ser avaliado além do preço
Durante a entrevista, Gabriela explica que a análise do sensor precisa considerar mais do que o custo do equipamento.
A comparação envolve o valor das tiras de glicemia, o custo dos sensores e os possíveis impactos do monitoramento sobre internações e prevenção.
“Não é comparar um mais um”, afirmou Gabriela, ao explicar que a avaliação precisa considerar também o que o sensor pode evitar dentro do sistema de saúde.
Esse tipo de análise ganha importância porque o SUS trabalha com orçamento público. Portanto, a incorporação de uma tecnologia precisa considerar os recursos disponíveis e os resultados que ela pode gerar.
Como funciona hoje o acesso às tiras de glicemia pelo SUS
Enquanto o sensor ainda passa por esse processo, o SUS oferece tiras e reagentes para monitoramento da glicose por meio do teste de ponta de dedo.
Segundo Gabriela, pessoas com diabetes tipo 1 têm direito ao fornecimento. Pessoas com diabetes tipo 2 que iniciam o uso de insulina também podem receber as tiras.
A quantidade fornecida varia de acordo com a necessidade e a dosagem de cada pessoa. A retirada ocorre na unidade básica de saúde próxima da residência.
Esse modelo também ajuda a explicar a discussão sobre levar outros recursos para a atenção primária. Quanto mais itens a pessoa consegue retirar no próprio bairro, menor pode ser a necessidade de deslocamento para outros serviços.
