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    Estudante faz testes de glicemia em várias pessoas com a mesma lanceta em feira de ciências no RJ; especialistas alertam sobre os riscos

    Caso aconteceu durante uma feira de ciências no Recreio. Escola interrompeu a atividade e orientou participantes a procurar atendimento de saúde.
    Estefane Moitinho15 de setembro de 2026Nenhum comentário8 Mins Read
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    Fachada do Colégio-Curso Tamandaré, com estrutura nas cores azul e branco e entrada principal coberta.
    Vista externa do Colégio-Curso Tamandaré, instituição de ensino identificada por sua fachada azul e branca.
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    Uma feira de ciências terminou com participantes buscando atendimento após reutilização de lancetas em teste de glicemia.

    O caso aconteceu no sábado (12), na Unidade Recreio II do Colégio-Curso Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

    Segundo a escola, uma aluna levou para o estande um lancetador e uma caixa de lancetas descartáveis para apresentar o trabalho. Antes da feira, professores e coordenação haviam orientado que o material poderia ser utilizado apenas como demonstração e que nenhuma medição deveria ser realizada em pessoas.

    A orientação não teria sido seguida. Próximo ao fim do evento, a estudante teria feito testes de glicemia em visitantes que se aproximaram do estande e aceitaram participar. De acordo com a instituição, uma mesma lanceta foi utilizada novamente em outras pessoas.

    A equipe escolar interrompeu a atividade assim que identificou o que estava acontecendo, recolheu os materiais e comunicou a responsável pela estudante. A escola afirma que nenhum professor, coordenador ou funcionário autorizou ou acompanhou os testes.

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    Escola comunicou autoridades e acompanhou participantes

    O Portal Um Diabético entrou em contato com o Colégio-Curso Tamandaré para entender as circunstâncias do caso e as providências adotadas.

    Em comunicados enviados às famílias, a escola informou que notificou a Secretaria Municipal de Saúde ainda no sábado. A instituição também passou a orientar os responsáveis a identificar quem havia sido submetido à punção e procurar uma unidade de saúde para avaliação.

    Na atualização divulgada nesta segunda-feira (14), a escola informou que 21 pessoas foram testadas e que todos os testes dos quais a instituição tomou conhecimento tiveram resultado negativo, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

    Dez alunos comunicaram à escola que passaram pelo procedimento. Segundo a instituição, eles estão recebendo acompanhamento médico e psicológico.

    Uma equipe do Centro Municipal de Saúde Harvey Ribeiro esteve na unidade nesta segunda-feira para prestar orientações e auxiliar na identificação dos participantes. A escola também informou que contratou uma infectologista pediátrica para acompanhar alunos e responsáveis.

    A instituição esclareceu ainda que o procedimento realizado durante a feira era diferente da rotina de monitorização da glicemia de uma pessoa com diabetes. O problema estava na realização de uma punção em outra pessoa com material que já havia sido utilizado.

    O que acontece quando uma lanceta é compartilhada?

    A lanceta é um material perfurocortante desenvolvido para fazer uma pequena punção na pele e obter uma gota de sangue. Como entra em contato com sangue durante o procedimento, ela é descartável e deve ser utilizada uma única vez.

    “A lanceta é um material perfurocortante de uso único. Após a punção, ela entra em contato direto com sangue e pode reter resíduos biológicos mesmo em quantidade não visível a olho nu”, explica a enfermeira Gisele Filgueiras, entrevistada pelo Portal Um Diabético.

    Quando o mesmo material é utilizado novamente, existe possibilidade de exposição ao sangue da pessoa que teve contato anterior com a lanceta. É essa possibilidade que leva os profissionais de saúde a avaliar a situação.

    Entre os agentes infecciosos considerados em exposições envolvendo sangue estão os vírus HIV e das hepatites B e C.

    Isso não significa, porém, que uma pessoa submetida à punção tenha sido infectada. O risco depende de diferentes fatores, como a condição de saúde da pessoa que teve contato anterior com a lanceta, as características da exposição e, no caso da hepatite B, a situação vacinal de quem foi exposto.

    Outro aspecto importante é que algumas dessas infecções podem não provocar sintomas no início.

    “O fato de uma pessoa não apresentar sintomas não significa que uma infecção possa ser descartada”, explica Gisele.

    Por esse motivo, a avaliação médica é necessária para determinar o que deve ser feito em cada situação.

    Por que o prazo de 72 horas é importante?

    A orientação dada pela escola para que os participantes procurassem atendimento rapidamente está relacionada principalmente à possibilidade de prevenção após uma exposição.

    No caso do HIV, existe a Profilaxia Pós-Exposição, conhecida como PEP. O Ministério da Saúde considera a medida uma estratégia de emergência para situações em que houve exposição ao vírus e estabelece 72 horas como limite para o início da medicação. Quanto mais cedo a pessoa for avaliada, maior é a possibilidade de iniciar a prevenção dentro do período indicado.

    A PEP é oferecida gratuitamente pelo SUS e, quando indicada, é utilizada por 28 dias.

    A consulta também permite avaliar outras possibilidades. Em relação à hepatite B, por exemplo, o profissional pode verificar o histórico de vacinação e definir se alguma medida adicional é necessária.

    “Quanto mais cedo a pessoa chega ao serviço de saúde, mais possibilidades existem para que a equipe avalie a situação e indique a conduta adequada”, afirma Gisele.

    No atendimento, também pode ser definido um cronograma de exames e acompanhamento. Não existe uma única conduta para todas as pessoas expostas, porque a avaliação depende das características de cada caso.

    O que fazer imediatamente após uma exposição?

    Se ocorrer uma punção com uma lanceta que já foi utilizada, o local deve ser lavado com água e sabão.

    Não é indicado espremer a região para provocar sangramento nem aplicar produtos químicos ou substâncias irritantes.

    Depois da higiene inicial, a pessoa deve procurar um serviço de saúde o quanto antes. A equipe precisa saber quando ocorreu a exposição e como ela aconteceu para avaliar o risco e indicar as medidas necessárias.

    Também é importante levar informações sobre a vacinação contra hepatite B, quando disponíveis.

    No caso do Recreio, a escola orientou os participantes a apresentar a caderneta de vacinação durante o atendimento. A instituição também indicou unidades de referência e reforçou que quem já havia procurado um serviço, mas não tinha recebido a avaliação adequada, deveria retornar ao local indicado pela Secretaria Municipal de Saúde.

    A reutilização também pode prejudicar a medição

    Além da questão de segurança, reutilizar uma lanceta não é adequado para a própria coleta da glicemia.

    A punção precisa produzir uma amostra adequada para que o aparelho faça a leitura. Uma lanceta já utilizada pode não oferecer as mesmas condições de uma nova e resíduos da coleta anterior também podem interferir na qualidade da amostra.

    “Uma lanceta reutilizada pode provocar uma amostra insuficiente e comprometer a confiabilidade do resultado”, explica Gisele.

    Por isso, cada teste deve começar com uma lanceta nova. As tiras também precisam estar dentro do prazo de validade e armazenadas corretamente.

    Outro cuidado simples é a higienização das mãos. Elas devem estar limpas e secas antes da coleta, já que resíduos presentes na pele podem interferir no resultado.

    Como a glicemia deve ser medida?

    Na rotina de uma pessoa com diabetes, o procedimento começa pela higienização das mãos. Depois, são preparados o glicosímetro, a tira reagente compatível, o lancetador e uma nova lanceta.

    A punção pode ser feita na lateral da ponta do dedo, alternando os locais para evitar o trauma repetido na mesma região. A gota de sangue é colocada na tira e o aparelho apresenta o resultado.

    Depois da medição, a lanceta deve ser descartada em um recipiente adequado para materiais perfurocortantes.

    O lancetador também é considerado de uso individual. O mesmo vale para seringas, agulhas e outros materiais utilizados na administração de insulina.

    Já o glicosímetro precisa ser tratado de acordo com as instruções do fabricante. Alguns aparelhos podem ser compartilhados em situações específicas quando existem protocolos adequados de limpeza e desinfecção, mas, em ambientes como escolas, o mais seguro é que cada pessoa tenha seu próprio equipamento e seus próprios materiais de coleta.

    O que muda quando a medição acontece na escola?

    Para estudantes com diabetes, medir a glicemia durante o horário escolar pode ser uma parte necessária do tratamento. O cuidado, portanto, não deve ser confundido com o episódio ocorrido na feira.

    A questão central é garantir que o estudante tenha acesso aos próprios materiais e que a equipe escolar saiba como apoiar a rotina de cuidados.

    A família pode combinar previamente com a escola onde os materiais serão guardados, como será feito o descarte das lancetas e quem deve ser acionado diante de uma alteração importante da glicemia.

    Também é importante que os profissionais que acompanham o aluno orientem a escola sobre sinais de hipoglicemia e hiperglicemia e sobre as medidas que devem ser tomadas em uma situação de emergência.

    Em atividades como feiras de ciências, a mesma lógica de segurança deve ser mantida. Uma apresentação pode mostrar um glicosímetro, uma lanceta ou uma tira reagente, mas materiais perfurocortantes não devem ser utilizados em outras pessoas apenas para demonstrar como o procedimento funciona.

    Exposição não é sinônimo de contaminação

    O caso ocorrido no Recreio colocou em evidência uma regra básica da monitorização da glicemia: a lanceta utilizada em uma pessoa deve ser descartada e nunca reutilizada em outra.

    Ao mesmo tempo, a exposição ao material não permite concluir que houve uma infecção. Essa definição depende da avaliação individual realizada pelos profissionais de saúde.

    No caso acompanhado pela escola, os 21 testes informados à instituição tiveram resultado negativo, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. A escola afirmou que o acompanhamento dos envolvidos continua e que os alunos identificados também receberam suporte psicológico.

    Para quem vive com diabetes, medir a glicemia é um procedimento que faz parte da rotina e pode ser realizado com segurança. O cuidado está em respeitar regras simples de biossegurança: material individual, lanceta nova a cada punção, descarte adequado e orientação correta para quem precisar realizar o procedimento fora de casa.

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    Estefane Moitinho

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