A tâmara aparece recheada com morango, usada em receitas ou consumida como um lanche rápido.
Por ser naturalmente muito doce, a tâmara costuma despertar uma dúvida entre pessoas com diabetes: afinal, ela deve ser encarada como fruta ou como doce?
A resposta começa pelo básico. Tâmara é fruta. O sabor adocicado não transforma o alimento em uma sobremesa e também não significa, sozinho, que ele terá o mesmo efeito de um doce preparado com açúcar.
A questão está em outro detalhe: a forma como a tâmara é consumida pode concentrar uma quantidade considerável de carboidratos em poucas unidades.
O sabor doce não conta toda a história
É comum imaginar que quanto mais doce um alimento é, maior será o impacto sobre a glicose. Na prática, essa relação não é tão simples.
A resposta glicêmica depende de vários fatores, incluindo a quantidade e o tipo de carboidrato, além da composição da refeição.
A Sociedade Brasileira de Diabetes não recomenda a exclusão de frutas da alimentação de pessoas com diabetes. A orientação é considerar a quantidade e a qualidade dos carboidratos dentro de um planejamento alimentar individualizado.
Por isso, não faz sentido colocar a tâmara na mesma categoria de um brigadeiro ou de uma sobremesa feita com açúcar apenas por causa do sabor.
Quando a fruta perde água
A diferença fica mais importante quando se trata da tâmara seca, forma bastante comum de consumo.
Durante a desidratação, parte da água da fruta é retirada. Os carboidratos continuam presentes, mas ficam concentrados em uma quantidade menor de alimento.
O Manual de Contagem de Carboidratos da Sociedade Brasileira de Diabetes informa que 40 gramas de tâmara seca fornecem cerca de 32 gramas de carboidratos.
Isso ajuda a entender por que pequenas unidades podem representar uma quantidade significativa de carboidratos.
Não significa que a tâmara precise ser retirada da alimentação. Significa que a porção merece atenção, principalmente porque é fácil comer várias unidades sem perceber.
Tâmara com morango: quando a fruta vira sobremesa
A combinação de tâmara com morango aparece em receitas que lembram sobremesas e pode ser uma opção para quem busca uma preparação diferente.
O morango acrescenta sabor e textura, enquanto a tâmara concentra mais carboidratos em pouco volume.
O ponto de atenção está na quantidade utilizada.
Também é preciso olhar para os demais ingredientes. Uma tâmara recheada com morango tem uma composição diferente de uma preparação que leva chocolate, doce de leite, mel ou outros ingredientes açucarados.
Nesse caso, não basta avaliar a fruta isoladamente. É a receita inteira que precisa ser considerada.
Uma pequena porção pode concentrar bastante carboidrato
O tamanho de um alimento nem sempre dá uma boa ideia da quantidade de carboidratos que ele fornece.
As frutas secas são um exemplo. Como perderam água, elas ficam menores e mais concentradas. Isso facilita consumir uma quantidade maior de carboidratos em pouco volume.
O mesmo cuidado vale para uvas-passas, damascos secos e outras frutas desidratadas.
A recomendação não é evitar esses alimentos, mas entender a porção e incluí-la no planejamento alimentar. Para quem faz contagem de carboidratos, essa informação é especialmente importante.
O que acompanha a fruta também conta
A tâmara pode ser combinada com morango, castanhas, pasta de amendoim, chocolate, coco ou outros ingredientes. Cada combinação produz uma preparação diferente.
Por isso, não existe uma regra dizendo que determinado alimento usado junto à tâmara vai impedir a elevação da glicose.
A composição da refeição pode influenciar a resposta glicêmica, mas os carboidratos continuam presentes e precisam ser considerados.
A diretriz da SBD para diabetes tipo 1 destaca que carboidratos, proteínas e gorduras podem participar da resposta glicêmica após uma refeição, e que esses efeitos variam de acordo com a composição e com cada pessoa.
O recheio pode mudar completamente a receita
É aqui que a diferença entre fruta e sobremesa fica mais clara.
A tâmara, sozinha, é uma fruta. Mas uma preparação feita com tâmara, chocolate, doce de leite, mel ou outros ingredientes pode ter uma composição nutricional bastante diferente.
O fato de não levar açúcar refinado também não significa que a receita tenha pouco carboidrato. Uma preparação pode utilizar apenas frutas secas para adoçar e ainda assim concentrar uma quantidade relevante de carboidratos.
“Natural” e “sem açúcar adicionado” não são sinônimos de “sem impacto na glicemia”.
Como incluir na alimentação?
A tâmara pode fazer parte da alimentação de uma pessoa com diabetes.
A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda uma estratégia nutricional individualizada, considerando as necessidades, preferências e objetivos de cada pessoa. Para pessoas com diabetes tipo 1, a quantidade de carboidratos deve ser individualizada e a contagem de carboidratos é uma ferramenta utilizada no manejo da alimentação.
No diabetes tipo 2, a entidade recomenda priorizar fontes de carboidratos mais nutritivas, ricas em fibras e minimamente processadas, além de reduzir carboidratos refinados e açúcares adicionados.
Assim, a melhor maneira de avaliar a tâmara não é perguntar se ela está liberada ou proibida.
É observar a quantidade, a forma de consumo e o restante da refeição.
Afinal, fruta ou doce?
Fruta. O sabor muito doce pode causar confusão, mas não muda a classificação do alimento.
O que merece atenção é principalmente a versão seca, que concentra carboidratos em uma quantidade pequena e pode ser consumida rapidamente.
Quando aparece em receitas, também é importante considerar todos os ingredientes utilizados.
Para quem tem diabetes, portanto, a tâmara não precisa ser tratada como um doce proibido. Ela deve ser considerada dentro da alimentação, com atenção à porção e à quantidade de carboidratos.
No fim, o que está no prato importa, mas quanto está no prato também.
