A batata inglesa e a batata-doce costumam ocupar posições opostas quando o assunto é diabetes. Enquanto uma frequentemente é evitada, a outra costuma ser vista como alternativa preferencial. No entanto, segundo a nutricionista Carol Netto, doutora em Ciências da Nutrição pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a escolha entre elas não depende apenas do tipo de batata, mas também da forma de preparo e da quantidade consumida.
Embora a batata-doce seja frequentemente associada ao controle da glicose, essa diferença não pode ser explicada apenas pelo tipo de batata. A quantidade de carboidratos, o índice glicêmico e a forma de preparo também interferem na resposta do organismo.
Batata inglesa e batata-doce têm a mesma quantidade de carboidratos?
Ao contrário do que muita gente imagina, a batata inglesa não possui mais carboidratos do que a batata-doce.
Segundo Carol Netto, em uma porção de 100 gramas, a batata inglesa contém cerca de 12 gramas de carboidratos. Já a batata-doce possui aproximadamente 18 gramas.
Os carboidratos são os nutrientes que se transformam em glicose durante a digestão. Por isso, muitas pessoas acreditam que apenas a quantidade de carboidratos determina o impacto na glicemia. No entanto, outros fatores também interferem nessa resposta.
O índice glicêmico explica por que as duas batatas agem de forma diferente
A principal diferença entre os dois alimentos está no índice glicêmico. A batata inglesa apresenta índice glicêmico mais alto. Isso significa que seus carboidratos são absorvidos mais rapidamente pelo organismo, fazendo com que a glicose chegue ao sangue em menos tempo.
Enquanto isso, a batata-doce possui maior quantidade de fibras. Segundo Carol Netto, essas fibras funcionam como um freio durante a digestão, reduzindo a velocidade de absorção dos carboidratos e diminuindo a rapidez da elevação da glicose.
Por esse motivo, mesmo contendo mais carboidratos, a batata-doce costuma provocar um impacto glicêmico menor do que a batata inglesa.
Afinal, quem tem diabetes pode comer batata?
A resposta é sim. Segundo Carol Netto, não existe uma batata proibida para quem convive com diabetes. Tanto a batata inglesa quanto a batata-doce podem fazer parte da alimentação.
No entanto, a nutricionista destaca que o equilíbrio deve orientar o consumo. O excesso de qualquer alimento rico em carboidratos pode dificultar o controle da glicemia.
Nesse contexto, a quantidade consumida e a forma de preparo têm mais influência do que a escolha entre batata inglesa ou batata-doce.
Qual é a melhor forma de preparar a batata?

De acordo com Carol Netto, as melhores opções são a batata cozida ou assada. Esses preparos preservam as características do alimento sem adicionar grandes quantidades de gordura.
Além disso, essas formas de consumo facilitam o planejamento alimentar de quem precisa controlar a glicose e acompanhar a ingestão de carboidratos.
A batata frita é a opção que exige mais atenção
Entre todas as formas de preparo, a batata frita merece maior cuidado. Segundo Carol Netto, a gordura presente na fritura retarda a absorção da glicose. Isso pode alterar o comportamento da glicemia após a refeição e dificultar a interpretação da resposta do organismo.
Além disso, a fritura aumenta a quantidade de calorias da refeição. Esse fator pode contribuir para o ganho de peso, que está relacionado ao aumento da resistência à insulina.
Por isso, a orientação é reduzir o consumo de batata frita, principalmente para pessoas com diabetes tipo 2 que também precisam controlar o peso corporal.
O que realmente faz diferença no controle da glicose
A escolha entre batata inglesa e batata-doce não determina, sozinha, o controle do diabetes.
Segundo Carol Netto, a alimentação deve considerar a quantidade consumida, o modo de preparo e o equilíbrio da refeição. Assim, tanto a batata inglesa quanto a batata-doce podem fazer parte da rotina alimentar quando inseridas dentro de um planejamento adequado.