Quem vive em regiões onde a temperatura muda bastante ao longo do dia já percebeu: a manhã começa fria, a tarde esquenta e, em poucas horas, pode voltar a chover. Em setembro, esse cenário ganha espaço com a aproximação da primavera, que começa oficialmente no dia 22.
Para quem tem diabetes, a mudança de estação não significa necessariamente que a glicose vai subir ou cair. O que merece atenção são os efeitos do frio, do calor, da desidratação, das infecções e das mudanças na rotina sobre o organismo e o tratamento.
Como frio e calor podem afetar a glicose
Temperaturas muito baixas ou muito altas podem interferir na resposta do organismo e mudar a rotina de cuidados com o diabetes.
No frio, o corpo utiliza mecanismos para manter a temperatura, incluindo a liberação de hormônios que podem contribuir para o aumento da glicose no sangue. As temperaturas mais baixas também podem reduzir a prática de atividade física.
Já nos dias quentes, a maior perda de líquidos pelo suor pode favorecer a desidratação. Quando isso acontece, a glicose pode ficar mais concentrada no sangue.
Esses efeitos não ocorrem da mesma forma para todas as pessoas. A resposta também depende da alimentação, da atividade física, dos medicamentos e das condições de saúde.
Infecções podem dificultar o controle da glicose
Outro ponto de atenção são as infecções respiratórias. Pessoas com diabetes apresentam maior risco de algumas infecções e, quando ficam doentes, podem ter mais dificuldade para manter a glicose dentro da faixa habitual.
Durante uma infecção, o organismo libera hormônios que podem aumentar a glicose. Febre, redução da ingestão de alimentos, vômitos e desidratação também podem provocar alterações.
O endocrinologista André Vianna, do Centro de Diabetes de Curitiba, explica que a imunidade das pessoas com diabetes pode ser mais baixa, o que as torna mais vulneráveis a infecções.
“É importante reforçar os cuidados diários para evitar complicações e manter a saúde equilibrada”, alerta o médico.
A recomendação é ficar atento aos sintomas e manter os cuidados habituais, especialmente quando houver uma infecção.
O que fazer durante a transição para a primavera
Entre as principais recomendações, Vianna destaca a importância de manter a casa bem ventilada, livre de poeira e sujeira, além de evitar a exposição excessiva ao frio e à chuva.
A alimentação também merece atenção. Manter uma rotina equilibrada, com frutas, verduras e legumes, faz parte dos cuidados gerais com a saúde.
“Frutas, verduras e legumes ajudam a fortalecer o organismo. E não podemos esquecer de beber bastante água”, orienta Vianna.
Nos dias mais quentes, a hidratação merece atenção especial. Pessoas que precisam restringir a ingestão de líquidos devem seguir a orientação do profissional que acompanha o tratamento.
Insulina e sensores precisam ficar protegidos do calor
A mudança de temperatura também exige atenção aos produtos utilizados no tratamento. A insulina não deve ser congelada e precisa ser protegida de temperaturas excessivamente altas e da exposição direta ao sol. Sensores de glicose, aparelhos de medição, tiras reagentes e outros dispositivos devem ser armazenados de acordo com as orientações do fabricante.
Também é importante evitar deixar insulina e outros insumos dentro do carro. Mesmo quando a temperatura externa parece agradável, o interior do veículo pode ficar muito mais quente.
Os pés continuam merecendo atenção
O cuidado com os pés deve fazer parte da rotina de quem tem diabetes. Pessoas com neuropatia podem apresentar redução da sensibilidade e não perceber pequenos ferimentos ou alterações de temperatura. Problemas de circulação também podem dificultar a cicatrização.
No período mais frio, o ressecamento pode favorecer rachaduras na pele. Por isso, é importante observar os pés regularmente e procurar atendimento diante de feridas, bolhas, inchaço, mudanças de cor ou alterações persistentes de temperatura.
Fontes de calor diretamente sobre os pés também devem ser evitadas quando existe perda de sensibilidade.
Vacinação ajuda na prevenção
Manter a vacinação em dia é outra medida importante para pessoas com diabetes. A gripe, por exemplo, pode ser mais perigosa nesse grupo, e uma infecção pode dificultar o controle da glicose.
A vacinação contra influenza e outras doenças indicadas para cada faixa etária e condição de saúde deve seguir as orientações do Ministério da Saúde.
Quando procurar orientação médica
Alterações persistentes da glicose ou valores fora do padrão habitual merecem atenção, principalmente quando aparecem acompanhados de outros sintomas.
Febre persistente, dificuldade para se alimentar ou beber líquidos, vômitos, sinais de desidratação e alterações importantes da glicose são situações que justificam contato com a equipe de saúde.
Quem utiliza insulina ou outros medicamentos para o diabetes não deve alterar as doses por conta própria diante de mudanças na glicose.
O que é importante entender
A chegada da primavera não exige uma mudança automática no tratamento do diabetes. O importante é observar como o organismo responde às mudanças de temperatura e manter os cuidados recomendados pela equipe de saúde.
Hidratação, alimentação equilibrada, atividade física dentro das condições individuais, vacinação e armazenamento correto da insulina e dos dispositivos fazem parte dessa rotina.
Mais do que a mudança de estação em si, são as condições que a acompanham, como calor intenso, desidratação, infecções e alterações na rotina, que podem exigir atenção redobrada.
