O café da manhã não precisa excluir pão, cuscuz ou alimentos como batata-doce após o diagnóstico de diabetes. A nutricionista Tarcila Campos explica que a escolha depende da quantidade e da combinação dos alimentos.
Segundo Tarcila, nutricionista e educadora em diabetes, membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o objetivo não é retirar alimentos da rotina, mas adaptar as refeições.
1. Pão francês com ovo
O pão francês pode fazer parte do café da manhã de uma pessoa com diabetes tipo 2. No entanto, a quantidade e os alimentos consumidos junto precisam entrar no planejamento.
Durante a entrevista, Tarcila cita uma unidade de pão de aproximadamente 50 gramas como referência. Ela também menciona a possibilidade de retirar parte do miolo.
Além disso, a nutricionista sugere acrescentar uma fonte de proteína, como o ovo mexido. A combinação pode ajudar a montar uma refeição mais equilibrada do que consumir apenas o pão.
A orientação também considera o restante da refeição. Por exemplo, se a pessoa já consome pão no café da manhã, acrescentar uma fruta pode aumentar a quantidade total de carboidrato.
Nesse caso, Tarcila sugere deixar a fruta para outro momento e manter uma fonte de proteína junto ao pão.
2. Batata-doce ou macaxeira com proteína
Alimentos como batata-doce, macaxeira, cará e outros tubérculos também podem aparecer no café da manhã.
Tarcila explica que essas opções fazem parte dos alimentos que podem ser utilizados na alimentação de quem tem diabetes. O preparo e a quantidade, porém, precisam ser considerados.
A nutricionista cita como exemplo a batata-doce acompanhada de ovo mexido ou queijo. Também menciona a possibilidade de consumir macaxeira no café da manhã.
A escolha também pode variar conforme a cultura alimentar e o acesso aos alimentos. Em algumas regiões, alimentos como macaxeira e batata-doce fazem parte da rotina matinal.
Por outro lado, a nutricionista diferencia esses alimentos de produtos ultraprocessados feitos com esses ingredientes. Um biscoito à base de batata-doce, por exemplo, não equivale ao alimento preparado e consumido diretamente.
Cuscuz e tapioca também podem entrar
O cuscuz de milho também aparece entre as opções discutidas no episódio. Tarcila explica que ele pode fazer parte do café da manhã e destaca a importância de considerar a quantidade.
A tapioca também pode ser consumida, mas algumas pessoas relatam maior dificuldade para controlar a glicose após essa preparação.
Por isso, a orientação pode começar com uma quantidade definida. A nutricionista cita como exemplos duas ou três colheres de sopa de goma ou cuscuz.
A combinação importa mais do que retirar alimentos
Para Tarcila, pessoas com diabetes não precisam montar o café da manhã apenas com alimentos considerados específicos para a doença.
O planejamento deve considerar a quantidade de carboidrato e os alimentos que acompanham essa fonte. Além disso, cada pessoa pode apresentar uma resposta diferente à mesma refeição.
A monitorização da glicose pode ajudar nesse processo. Segundo a nutricionista, o glicosímetro ou o sensor permitem observar como o organismo responde aos alimentos.
Nesse contexto, o café da manhã pode ser ajustado a partir da resposta individual. A proposta é entender quais alimentos e combinações fazem sentido para cada pessoa, em vez de estabelecer uma lista geral de alimentos proibidos.
