Uma caneta de insulina capaz de registrar aplicações, identificar possíveis doses esquecidas e ajudar a evitar hipoglicemias. Essa é a proposta da InPen, tecnologia apresentada durante a cobertura do ISPAD 2026, congresso internacional dedicado ao diabetes em crianças e adolescentes, realizada pelo Portal Um Diabético.
Desenvolvida pela MiniMed, a caneta inteligente funciona integrada ao aplicativo MiniMed Go, que reúne informações sobre as doses administradas e os níveis de glicose. O sistema também pode utilizar dados do sensor Instinct, desenvolvido pela Abbott em parceria com a MiniMed.
A proposta é facilitar o tratamento de pessoas com diabetes que utilizam múltiplas aplicações diárias de insulina, oferecendo informações que ajudam a tomar decisões mais seguras.
Como funciona a caneta inteligente?
Diferentemente das canetas convencionais, a InPen utiliza conexão Bluetooth para registrar automaticamente a quantidade de insulina administrada e o horário de cada aplicação.
Essas informações são enviadas ao MiniMed Go, que permite acompanhar o histórico das doses, os níveis de glicose e a quantidade estimada de insulina ainda ativa no organismo.
Durante a apresentação da tecnologia, o jornalista Tom Bueno, do Portal Um Diabético, destacou uma dificuldade comum entre pessoas que utilizam insulina rápida.
“A gente sabe que muitas das vezes, quando a gente faz uso de múltiplas doses de insulina, a gente, na ansiedade ou até mesmo no medo de uma hiperglicemia, a gente não faz o cálculo de quanto a gente tem de insulina ativa.”
Essa informação é importante porque a insulina rápida continua agindo por algumas horas após a aplicação. Quando uma nova dose é administrada sem considerar esse efeito, pode ocorrer o chamado empilhamento de insulina, aumentando o risco de hipoglicemia.
“Isso ajuda a gente a evitar super dosagem e, consequentemente, hipoglicemias graves”, explicou Tom.
O aplicativo também conta com uma calculadora de doses, que considera parâmetros individuais definidos com a equipe de saúde. Apesar desses recursos, a aplicação continua sendo realizada manualmente.
Esqueceu de aplicar insulina? O aplicativo pode avisar
Um dos diferenciais da tecnologia é a possibilidade de configurar alertas relacionados ao tratamento.
Quando o sistema identifica uma elevação rápida da glicose sem o registro de uma dose recente de insulina rápida, pode emitir um aviso de possível aplicação esquecida.
Outra funcionalidade está relacionada à hiperglicemia persistente. Se a glicose permanece elevada e a quantidade estimada de insulina ativa é insuficiente, o aplicativo pode enviar uma notificação para que a pessoa avalie a situação.
“O outro ponto é quanto a glicose está elevada de forma persistente. O aplicativo pode te avisar dizendo que você não tem insulina ativa suficiente.”
Os alertas consideram as informações disponíveis no sistema e as configurações individuais. Por isso, não significam necessariamente que uma nova dose deva ser aplicada imediatamente.
A caneta também funciona com insulina basal?
A InPen foi desenvolvida para administrar insulinas rápidas compatíveis, utilizadas principalmente antes das refeições e para correções da glicose.
Ela não substitui a caneta de insulina basal, responsável por ajudar a manter os níveis de glicose controlados entre as refeições e durante a noite.
Entretanto, o MiniMed Go permite configurar lembretes para essas aplicações. Assim, mesmo utilizando dispositivos diferentes, a pessoa pode organizar melhor os horários do tratamento.
Tecnologia já foi autorizada nos Estados Unidos
Em janeiro de 2026, a MiniMed anunciou que o sistema MiniMed Go recebeu autorização da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos.
Segundo a fabricante, a tecnologia foi autorizada para pessoas com diabetes tipo 1 ou tipo 2 que utilizam insulina, a partir dos 7 anos. O uso também é previsto para crianças de 2 a 6 anos, desde que acompanhadas por um adulto responsável.
Apesar do avanço internacional, a configuração apresentada durante o ISPAD 2026 ainda não está disponível comercialmente no Brasil. Existe expectativa de chegada ao país, mas não há uma data oficial confirmada.
Caneta inteligente substitui a bomba de insulina?
Embora ambas as tecnologias auxiliem no tratamento do diabetes, elas funcionam de maneiras diferentes.
A bomba de insulina administra o medicamento por meio de um dispositivo conectado ao corpo. Já a caneta inteligente mantém as aplicações individuais, acrescentando recursos digitais para registrar doses e acompanhar o tratamento.
Por isso, a InPen pode representar uma alternativa para pessoas que utilizam múltiplas injeções diárias e desejam contar com ferramentas adicionais de monitoramento.
É importante destacar que os cálculos e alertas dependem de configurações adequadas e informações atualizadas. A tecnologia não elimina a necessidade de acompanhamento médico nem substitui a orientação profissional sobre ajustes de insulina.
A apresentação no ISPAD 2026 mostra como a integração entre sensores, aplicativos e dispositivos de aplicação pode tornar o cuidado com o diabetes mais organizado, oferecendo informações que ajudam a reduzir esquecimentos e riscos durante o tratamento.
