Com a chegada das temperaturas mais baixas, a sopa costuma ganhar espaço no jantar. No entanto, para quem vive com diabetes, a forma como essa refeição é preparada pode influenciar diretamente os níveis de glicose no sangue durante a noite e na manhã seguinte.
Segundo a nutricionista Tarcila Campos, a consistência dos alimentos interfere na velocidade de absorção dos carboidratos. Por isso, uma sopa líquida pode provocar uma resposta glicêmica diferente daquela observada em refeições sólidas com quantidade semelhante de carboidratos.
Nesse contexto, entender a composição da sopa e fazer alguns ajustes simples pode ajudar no controle da glicemia sem abrir mão da refeição nos dias frios.
Como a sopa pode influenciar a glicemia
De acordo com Tarcila Campos, os alimentos líquidos costumam ser absorvidos mais rapidamente pelo organismo. Como consequência, a glicose pode subir mais rápido após a refeição.
Um exemplo é uma sopa de mandioquinha com legumes e proteína batida ou muito líquida. Mesmo contendo ingredientes semelhantes, ela pode elevar a glicemia mais rapidamente do que uma refeição sólida composta por pão, proteína desfiada e salada.
Além disso, a textura sólida exige mais mastigação e digestão. Portanto, a absorção dos carboidratos acontece de forma mais lenta, favorecendo uma resposta glicêmica mais gradual.
O que não pode faltar em uma sopa para diabetes
Para reduzir o impacto da refeição na glicemia, Tarcila Campos recomenda incluir representantes dos principais grupos alimentares.
A composição ideal deve conter:
- Vegetais, que fornecem fibras e vitaminas
- Carboidratos, como mandioquinha, batata ou grãos
- Proteínas, como frango, carne, ovos ou leguminosas
Além disso, acrescentar alimentos sólidos à refeição pode ajudar a desacelerar a absorção da glicose. Por outro lado, consumir apenas uma sopa rica em carboidratos tende a favorecer elevações mais rápidas da glicemia.
5 dicas para comer sopa e manter o controle da glicemia
1. Evite sopas feitas apenas com carboidratos
Receitas compostas apenas por mandioquinha, batata ou outros carboidratos podem favorecer picos glicêmicos. Portanto, vale incluir proteínas e vegetais na preparação.
2. Inclua uma fonte de proteína
Ovos cozidos, frango desfiado, carne ou leguminosas ajudam a equilibrar a refeição. Além disso, a proteína contribui para uma absorção mais lenta dos carboidratos.
3. Combine a sopa com alimentos sólidos
Uma salada ou outro alimento sólido pode complementar a refeição. Nesse contexto, a digestão ocorre de forma mais gradual, o que pode ajudar no controle da glicemia.
4. Distribua o consumo ao longo da refeição
Segundo Tarcila Campos, consumir a sopa de forma mais lenta pode ajudar no monitoramento da resposta glicêmica após o jantar.
5. Observe a resposta do seu organismo
Ainda assim, cada pessoa responde de maneira diferente aos alimentos. Sono, estresse, atividade física e outros fatores também podem influenciar os níveis de glicose.
O que muda no diabetes tipo 1 e no diabetes tipo 2
Embora os princípios da alimentação equilibrada sejam semelhantes, existem diferenças importantes entre os tipos de diabetes.
No diabetes tipo 2, o organismo ainda produz insulina. Portanto, ajustar a quantidade de carboidratos e a composição da refeição pode ajudar a reduzir os picos glicêmicos.
Enquanto isso, no diabetes tipo 1, a quantidade de insulina aplicada precisa acompanhar a quantidade de carboidrato consumida. Por isso, medir as porções e planejar a refeição torna-se parte do controle glicêmico.
Segundo Tarcila Campos, compreender como os alimentos são absorvidos pode auxiliar tanto pessoas com diabetes tipo 1 quanto com diabetes tipo 2 no planejamento das refeições e das doses de insulina.
Três opções de sopa para quem tem diabetes
Além da composição equilibrada da refeição, a escolha dos ingredientes também faz diferença.
A nutricionista Ana Carolina Almeida, do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes, destaca três preparações que podem fazer parte do cardápio nos dias frios.
Sopa de abóbora
A abóbora apresenta baixo índice glicêmico e contém fibras que ajudam a retardar a absorção da glicose. Além disso, fornece betacaroteno.
Ingredientes
- 200 g de abóbora cabotiá cozida
- 30 g de espinafre picado cru
- 2 dentes de alho amassados
- 1/2 cebola em fatias
- 150 g de creme de ricota
Modo de preparo
Cozinhe a abóbora em cubos até ficar macia. Refogue a cebola, o alho e o espinafre em azeite. Em seguida, bata todos os ingredientes no liquidificador até formar um creme homogêneo. Tempere a gosto.
Sopa de brócolis
O brócolis contém fibras, vitaminas e minerais. Além disso, apresenta baixo índice glicêmico.
Ingredientes
- 350 g de brócolis
- 2 dentes de alho
- 1/2 cebola
- 1 colher de sopa de azeite de oliva
- Sal a gosto
- 350 ml de água
Modo de preparo
Higienize o brócolis em solução de hipoclorito de sódio por 15 minutos e lave em água corrente. Refogue com alho e cebola. Depois, bata no liquidificador e acrescente água aos poucos até atingir a consistência desejada.
Canja de galinha
Na canja, a recomendação é utilizar uma quantidade maior de frango do que de arroz. Dessa forma, a proteína ajuda a reduzir a velocidade de absorção dos carboidratos.
Ingredientes
- 2 litros de água
- 1 cebola em cubos
- 2 dentes de alho amassados
- 130 g de cenoura em cubos
- 1/4 de xícara de arroz
- 500 g de frango desfiado
- Sal, cebolinha e salsinha a gosto
Modo de preparo
Coloque todos os ingredientes na panela de pressão. Após pegar pressão, cozinhe por 20 minutos em fogo baixo. Finalize com salsinha e cebolinha.
Fibras e proteínas ajudam a desacelerar a absorção
As três receitas sugeridas por Ana Carolina Almeida apresentam ingredientes que fornecem fibras e proteínas. Por isso, podem contribuir para uma absorção mais gradual dos carboidratos quando comparadas a preparações compostas apenas por fontes de carboidrato.
Além disso, a combinação entre vegetais, proteínas e carboidratos favorece uma refeição mais equilibrada para quem precisa monitorar a glicemia diariamente.
