Quem convive com diabetes ou acabou de receber o diagnóstico provavelmente já fez essa pergunta: afinal, qual é o tipo de diabetes mais perigoso?
Embora muita gente espere uma resposta direta entre diabetes tipo 1 e tipo 2, especialistas afirmam que a comparação não é tão simples.
“O problema do diabetes é permanecer durante anos com a glicose alta. É isso que aumenta o risco de complicações”, explica a endocrinologista Mônica Gabay.
Segundo ela, o tratamento moderno busca evitar tanto a hipoglicemia quanto a exposição prolongada à glicemia elevada, responsável pelas principais consequências da doença.
A nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos reforça que o diabetes mal controlado, independentemente do tipo, pode provocar danos em diversos órgãos ao longo do tempo. Ela destaca que cuidar da doença envolve um conjunto de medidas, como alimentação, atividade física, uso correto dos medicamentos e acompanhamento médico.
O diabetes tipo 1 oferece riscos imediatos
No diabetes tipo 1, o organismo deixa de produzir insulina. Sem tratamento, a glicose sobe rapidamente e pode levar à cetoacidose diabética, uma complicação grave que exige atendimento de urgência.
Por isso, muitas pessoas acreditam que o tipo 1 seja o mais perigoso. Segundo Mônica Gabay, os avanços no tratamento mudaram esse cenário. Nas últimas décadas, houve redução importante das complicações nos olhos e nos rins graças ao monitoramento mais frequente da glicose, ao uso adequado da insulina e ao maior acesso à educação em diabetes.
O diabetes tipo 2 costuma agir em silêncio
Já o diabetes tipo 2 normalmente evolui de forma lenta. Esse é justamente um dos seus maiores desafios.
Segundo Tarcila Campos, muitas pessoas descobrem a doença apenas quando já apresentam alguma complicação, porque a glicose permanece elevada por anos sem causar sintomas importantes.
Essa característica faz com que alguns pacientes recebam o diagnóstico após um infarto, um AVC, alterações na visão ou doença renal.
Então, qual é o mais perigoso?
Para os especialistas, a resposta é outra.
O diabetes mais perigoso é aquele que permanece sem diagnóstico ou sem controle.
A endocrinologista explica que o excesso de glicose circulando no sangue durante muitos anos danifica os vasos sanguíneos de todo o organismo.
Ela compara esse processo ao acúmulo de gordura em um encanamento: aos poucos, os vasos vão sofrendo danos que comprometem órgãos como coração, rins, cérebro, olhos e pés.
As complicações não atingem apenas um órgão
Os especialistas dividem as complicações do diabetes em dois grandes grupos.
As microvasculares afetam pequenos vasos sanguíneos e incluem:
- retinopatia diabética;
- doença renal diabética;
- neuropatia e pé diabético.
Já as macrovasculares envolvem grandes vasos e aumentam o risco de:
- infarto;
- AVC;
- doenças cardiovasculares.
Segundo Mônica Gabay, hoje as complicações cardiovasculares continuam sendo um dos maiores desafios, especialmente quando pressão alta, colesterol elevado e excesso de peso também não são tratados.
O controle vai além da glicose
Outro ponto destacado na entrevista é que controlar apenas a glicemia não basta.
É necessário acompanhar também:
- pressão arterial;
- colesterol;
- triglicerídeos;
- peso corporal;
- prática regular de atividade física;
- abandono do cigarro.
Tarcila Campos alerta que algumas pessoas passam a evitar carboidratos, mas aumentam o consumo de alimentos ultraprocessados ricos em gordura e sódio, o que pode favorecer doenças cardiovasculares mesmo quando a glicemia parece controlada.
O cuidado com os pés também faz diferença
Os especialistas também reforçam a importância de examinar os pés diariamente.
Feridas que passam despercebidas podem evoluir para infecções e, nos casos mais graves, resultar em amputações.
Entre as recomendações estão usar calçados confortáveis, hidratar a pele, observar qualquer alteração e nunca tentar remover calos ou lesões por conta própria.
O diagnóstico não é uma sentença
Apesar dos riscos, a mensagem final da entrevista é de esperança. Segundo Mônica Gabay, hoje existem tratamentos capazes de reduzir significativamente o risco de complicações e de impedir a progressão de problemas nos olhos, rins e outros órgãos quando o acompanhamento é feito regularmente.
O que você precisa lembrar
Não existe um tipo de diabetes que seja automaticamente mais perigoso do que outro.
O diabetes tipo 1 exige atenção desde o início porque pode evoluir rapidamente sem insulina. Já o diabetes tipo 2 costuma ser silencioso e, justamente por isso, muitas vezes só é descoberto quando já provocou danos ao organismo.
Em comum, ambos têm um fator decisivo: quanto mais cedo o diagnóstico e melhor o controle da glicose, menores são as chances de desenvolver complicações graves.