A tapioca faz parte do café da manhã de muitos brasileiros, mas quem tem diabetes precisa observar mais do que apenas o recheio escolhido. A quantidade de goma e os ingredientes adicionados podem influenciar a resposta da glicemia.
O Portal Um Diabético conversou com a nutricionista Martha Amodio para entender o que muda quando o ovo entra na preparação e quais cuidados podem ajudar a montar uma refeição mais equilibrada.
O que muda quando o ovo entra na tapioca?
A tapioca tradicional é feita principalmente com goma de mandioca e apresenta pouca fibra e proteína. Por isso, quando consumida sozinha, pode elevar a glicemia rapidamente.
Ao acrescentar o ovo, a preparação passa a ter proteína e gordura. Essa mudança altera a composição da refeição e pode influenciar a forma como o organismo responde aos carboidratos.
Segundo Martha Amodio, proteínas e gorduras podem modificar o esvaziamento do estômago, a digestão e a saciedade.
No entanto, isso não significa que o ovo elimine o efeito do carboidrato presente na goma.
O ovo diminui o índice glicêmico da tapioca?
A nutricionista faz uma diferença importante entre o índice glicêmico de um alimento e a resposta glicêmica de uma refeição.
O índice glicêmico avalia um alimento isoladamente, em condições específicas. Quando o ovo é acrescentado à tapioca, o que muda é a composição da refeição como um todo.
Por isso, não é correto dizer simplesmente que o ovo reduz o índice glicêmico da tapioca.
Na prática, a presença de proteína e gordura pode modificar a resposta do organismo à refeição. Para quem usa insulina, essa alteração também pode aparecer algumas horas depois.
A quantidade de goma continua sendo importante
Mesmo com a adição do ovo, a quantidade de goma usada na receita continua sendo um dos principais pontos de atenção.
Segundo Martha, não existe uma quantidade que possa ser considerada adequada para todas as pessoas. A necessidade depende do tratamento, da atividade física e da resposta individual à glicemia.
Por isso, a recomendação é evitar preparar a tapioca no olho. Medir a quantidade de goma permite saber quanto carboidrato está presente naquela porção.
Quanto maior a quantidade de goma, maior tende a ser o impacto glicêmico da preparação.
O recheio com proteína não compensa completamente uma quantidade excessiva de goma. Por isso, a nutricionista resume a estratégia em uma orientação: menos goma e mais qualidade nos ingredientes da preparação.
Farelo de aveia pode entrar na receita?
Outra opção citada pela nutricionista é o farelo de aveia.
Diferentemente da farinha de aveia, o farelo concentra as camadas externas do grão e apresenta maior quantidade de fibras. Entre elas está a beta glucana, uma fibra solúvel que aumenta a viscosidade do conteúdo gastrointestinal e contribui para uma absorção mais gradual dos carboidratos.
A aveia em flocos também pode ser utilizada, já que preserva parte da estrutura do grão.
Como referência, Martha sugere cerca de uma colher de sopa de farelo de aveia, entre 10 e 15 gramas. A quantidade de goma utilizada na receita também precisa entrar nessa conta.
Ainda assim, o farelo não anula o carboidrato da tapioca.
Qual recheio escolher?
O recheio também pode melhorar a composição nutricional da refeição. Entre as opções citadas pela nutricionista estão cottage, ricota, queijo minas frescal e muçarela.
O cottage pode ajudar a aumentar a quantidade de proteína sem acrescentar muita gordura. A ricota também pode ser usada em preparações como pastinhas temperadas.
A muçarela não precisa ser excluída, mas merece atenção em relação à gordura saturada e ao sódio.
Por isso, a nutricionista recomenda observar o rótulo dos produtos. Proteína, gordura saturada, sódio, aditivos e tamanho da porção são informações que ajudam na escolha.
Quem tem diabetes pode comer fruta junto?
A presença da tapioca no café da manhã não impede o consumo de frutas.
Segundo Martha, uma refeição com goma em quantidade controlada, ovo, farelo de aveia e um recheio proteico pode ser acompanhada de fruta.
No entanto, uma tapioca grande, com muita goma, somada a uma porção grande de fruta, aumenta a quantidade total de carboidratos da refeição.
A nutricionista cita morango, kiwi, goiaba, abacate e frutas vermelhas entre as opções que costumam ter menor impacto glicêmico. Ainda assim, ela não recomenda criar uma lista de frutas proibidas.
Mamão, maçã, pera, laranja e banana também podem fazer parte da alimentação. A quantidade, a glicemia naquele momento e os demais alimentos da refeição precisam ser considerados.
Como montar uma tapioca para quem tem diabetes?
A orientação da nutricionista pode ser resumida em alguns pontos práticos:
- Controle a quantidade de goma. Evite preparar a tapioca sem medir a porção.
- Inclua proteína. O ovo e alguns tipos de queijo podem fazer parte da preparação.
- Considere o farelo de aveia. A nutricionista sugere cerca de 10 a 15 gramas.
- Observe os rótulos. Nos queijos, compare proteína, gordura saturada, sódio e aditivos.
- Considere a refeição completa. A fruta pode fazer parte do café da manhã, mas a quantidade total de carboidratos deve ser observada.
- Observe sua resposta individual. Quem utiliza sensor de glicose pode acompanhar como diferentes preparações interferem na glicemia.
O que observar depois de comer?
Para quem usa insulina, a resposta glicêmica não precisa aparecer apenas nos primeiros momentos após a refeição.
A presença de proteína e gordura pode modificar a resposta inicial e também a glicemia algumas horas depois.
Por isso, acompanhar os valores após diferentes preparações pode ajudar a entender como o próprio organismo reage. Essa observação, no entanto, deve fazer parte do acompanhamento individual do diabetes.
A principal questão não é retirar a tapioca do cardápio, mas entender a composição da refeição e controlar a quantidade de goma utilizada.
