Beber álcool de estômago vazio pode aumentar os riscos para quem tem diabetes. Segundo a nutricionista Martha Amodio, o principal cuidado envolve a possibilidade de hipoglicemia, que pode aparecer horas depois do consumo.
Martha é educadora em Diabetes pela IDF, SBD e ADJ e coordena a área de nutrição da revista Momento Diabetes. Segundo ela, o álcool interfere no funcionamento do fígado e reduz a liberação de glicose na corrente sanguínea.
Por isso, mesmo quando a glicemia está normal ou alta antes da bebida, a pessoa pode apresentar uma queda posteriormente. O risco merece atenção principalmente para quem usa insulina ou medicamentos que podem causar hipoglicemia.
Por que o álcool pode causar hipoglicemia?
O fígado ajuda a manter a glicemia ao liberar glicose na corrente sanguínea. No entanto, o álcool interfere nesse processo.
Quando a pessoa consome álcool, o fígado reduz a liberação de glicose. Dessa forma, a glicemia pode cair, principalmente quando a pessoa não se alimenta.
Além disso, a hipoglicemia pode aparecer horas após o consumo. Em alguns casos, isso pode acontecer durante o sono.
“O maior risco do álcool para quem tem diabetes não é apenas a elevação da glicemia. Na verdade, o perigo principal é a hipoglicemia tardia, que pode surgir horas depois, inclusive durante o sono”, alerta Martha.
Beber álcool de estômago vazio aumenta o risco?
Segundo a nutricionista, a pessoa com diabetes não deve consumir álcool de estômago vazio. A ausência de alimentos pode acelerar a absorção do álcool e aumentar as oscilações da glicemia.
Por isso, fazer uma refeição ou um lanche antes de beber faz parte dos cuidados.
Martha recomenda opções que combinem fontes de proteína, carboidratos e outros nutrientes. Entre as sugestões estão sanduíche no pão integral com ovo, frango ou queijo, omelete com legumes e iogurte natural com castanhas.
Também é possível fazer uma refeição com arroz, feijão, carne ou frango e legumes.
O que comer enquanto consome álcool?
A alimentação também merece atenção durante o consumo de bebidas alcoólicas. Segundo Martha, manter alimentos com proteínas e fontes de gorduras ajuda a compor a alimentação nesse momento.
Entre as opções estão espetinhos de carne ou frango, queijo em cubos, amendoim, castanhas e ovo de codorna.
Sanduíches simples também podem entrar nas escolhas. Nesse caso, a nutricionista orienta evitar molhos doces.
A alimentação não elimina o risco de hipoglicemia. Portanto, quem tem diabetes precisa manter outros cuidados durante e depois do consumo.
Quais bebidas exigem mais atenção?
O tipo de bebida também interfere na quantidade de açúcar consumida. Entre as opções citadas pela nutricionista estão vinho seco, cerveja light ou low carb e destilados acompanhados de água, água com gás ou refrigerante zero.

Por outro lado, algumas bebidas podem concentrar mais açúcar. Esse é o caso de caipirinhas tradicionais, drinks prontos e bebidas que levam sucos, xaropes, leite condensado ou energético.
Essas combinações podem elevar a glicemia e provocar oscilações posteriores.
Por isso, olhar apenas para a presença de álcool não basta. A composição da bebida também precisa entrar na avaliação de quem tem diabetes.
Quando medir a glicemia?
O monitoramento ajuda a identificar como o organismo está respondendo ao consumo de álcool. Martha recomenda medir a glicemia antes de beber para conhecer o valor naquele momento.
Durante o consumo, a pessoa também deve acompanhar a glicemia, principalmente quando passa várias horas bebendo.
Além disso, a nutricionista recomenda verificar a glicemia algumas horas depois e antes de dormir. A madrugada exige atenção porque a hipoglicemia tardia pode ocorrer durante o sono.
Esse cuidado ganha importância para quem usa insulina ou medicamentos que podem provocar hipoglicemia. Pessoas que já tiveram episódios de hipoglicemia noturna também precisam de atenção.
Por que a hidratação também importa?
O álcool causa desidratação e pode mascarar sintomas de hipoglicemia. Por isso, a recomendação é intercalar as bebidas alcoólicas com água.
Manter a ingestão de líquidos ao longo do dia também faz parte dos cuidados.
Além disso, a pessoa deve evitar consumir álcool sozinha. Informar alguém de confiança sobre o diabetes pode facilitar a identificação de uma possível alteração da glicemia.
O que levar para tratar uma hipoglicemia?
Quem tem diabetes e consome álcool deve ter por perto uma fonte de açúcar para corrigir uma eventual hipoglicemia.
Entre as opções estão mel, açúcar, balas ou gel de glicose.
A recomendação também é manter esses itens acessíveis durante o período de consumo e nas horas seguintes. Isso porque a queda da glicemia pode acontecer depois que a pessoa já deixou de beber.
Álcool exige atenção mesmo quando a glicemia está normal
Uma glicemia normal ou elevada antes do consumo não elimina o risco de hipoglicemia posteriormente. O álcool pode interferir na liberação de glicose pelo fígado e alterar esse cenário ao longo das horas seguintes.
Por isso, quem tem diabetes precisa considerar o conjunto de cuidados: alimentação antes e durante o consumo, escolha da bebida, hidratação e monitoramento da glicemia.
A orientação também varia conforme o tratamento utilizado e o histórico de episódios de hipoglicemia. Por esse motivo, a avaliação individual com a equipe de saúde deve fazer parte das decisões sobre o consumo de álcool.
