Em 1991, após descobrir o diagnóstico de diabetes tipo 1 da filha, Margareth Del Bianco Vargas criou uma associação.
Na época, a região Noroeste Paulista não contava com atendimento especializado para a condição. Diante dessa lacuna, ela fundou, em 19 de julho daquele ano, a Associação de Diabetes Juvenil da Região Noroeste Paulista — a ADJ Birigui.
O Portal Um Diabético inicia hoje uma série de reportagens dedicada às associações brasileiras que prestam assistência a pessoas com diabetes. Nesse contexto, a ADJ Birigui abre a série por representar uma das trajetórias mais antigas e consolidadas entre as entidades do setor.
Dos encontros voluntários à referência regional
Nos primeiros anos, as atividades da ADJ eram conduzidas de forma voluntária, com encontros educativos e apoio pontual de médicos e outros profissionais da saúde. A entidade foi constituída juridicamente em 1992, um ano após sua criação informal.
Assim, ao longo de mais de três décadas, a instituição se consolidou como referência regional em atenção integral ao diabetes. Atualmente, atende pacientes de Birigui e de diversos municípios vizinhos, somando aproximadamente 5.000 atendimentos por ano.
Uma equipe multidisciplinar completa
Um dos diferenciais da ADJ Birigui, nesse sentido, é a amplitude da equipe disponível aos pacientes. A instituição conta com médicos endocrinologistas, enfermeira educadora em diabetes, nutricionistas, psicólogos, farmacêutica, assistente social, dentista e profissional de educação física.
Esse conjunto de especialidades permite oferecer consultas especializadas, educação em diabetes, orientação nutricional, acompanhamento psicológico, assistência farmacêutica e avaliação odontológica. Além disso, a associação realiza atividades físicas supervisionadas, atendimento social e monitorização glicêmica. Nesse sentido, também são oferecidas orientações sobre insulinoterapia, bombas de insulina e sistemas de monitorização contínua da glicose.
Vale destacar que a equipe multidisciplinar é composta majoritariamente por profissionais remunerados, o que garante regularidade e continuidade no atendimento oferecido à população. Nesse contexto, a sustentabilidade financeira da instituição depende principalmente de emendas parlamentares, recurso que viabiliza grande parte dos serviços prestados gratuitamente aos pacientes.
Projetos voltados a públicos específicos
Entre os projetos permanentes da ADJ, o Programa Doce Cuidado se destina ao acompanhamento de crianças e adolescentes com diabetes, disponibilizando sensor de monitoramento. Paralelamente, a instituição mantém um projeto de acompanhamento de gestantes com diabetes, também com fornecimento de sensor.
Além disso, a entidade desenvolve um programa de prevenção e tratamento da obesidade infantil. A associação também mantém a Academia ADJ e grupos de atividade física voltados aos pacientes. Por meio do projeto Educar para Salvar, ainda capacita profissionais de saúde e agentes comunitários da região.
Outras frentes incluem oficinas educativas sobre tecnologias em diabetes e campanhas de prevenção e conscientização em datas alusivas à saúde. Por fim, a instituição realiza ações de doação de insumos e medicamentos para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Quem é atendido pela associação
O público da ADJ Birigui é bastante diverso. Nele estão crianças, adolescentes, adultos, idosos e gestantes com diabetes tipo 1, tipo 2, diabetes gestacional e outras formas da doença. Nesse sentido, familiares e cuidadores também participam das atividades educativas oferecidas.
Ainda de acordo com a instituição, boa parte dos atendidos está em situação de vulnerabilidade social. Nesse contexto, esse público depende do acesso a insumos indispensáveis ao tratamento, oferecidos gratuitamente pela associação.
Os principais desafios apontados pela associação
Na percepção da ADJ Birigui, as pessoas com diabetes da região Noroeste Paulista enfrentam desafios em diversas frentes. Entre os principais estão a falta de acesso a insumos e a medicamentos, além da dificuldade para chegar a especialistas. Nesse sentido, a entidade também destaca a carência de educação em diabetes voltada à população.
Ainda segundo a associação, outros pontos críticos são a falta de diagnóstico precoce e a ausência de políticas públicas consistentes. Por fim, a entidade aponta a escassez de informação disponível para a comunidade e as dificuldades socioeconômicas enfrentadas por parte dos pacientes.
Cláudia Elaine Terensi, gestora da ADJ Birigui, destaca a relevância de iniciativas que deem visibilidade ao trabalho das associações brasileiras. “É uma satisfação saber da iniciativa do Portal Um Diabético em divulgar o trabalho das associações brasileiras que atuam em prol das pessoas com diabetes”, afirma. Para ela, esse tipo de reportagem “fortalece a rede de apoio às pessoas que convivem com o diabetes em todo o país”.
Como conhecer o trabalho da ADJ Birigui
Por fim, quem quiser acompanhar as ações da associação pode seguir os perfis oficiais nas redes sociais. Tanto no Instagram quanto no Facebook, o identificador utilizado é @adj.birigui.

