Rico em açúcares de rápida absorção, o caldo de cana desperta dúvidas entre pessoas com diabetes. Afinal, a bebida pode fazer parte da alimentação de quem convive com a condição?
A resposta é sim, mas isso exige planejamento e cuidados. As nutricionistas especialistas em diabetes Tarcila Campos e Carol Netto explicam que o impacto da bebida depende do tipo de diabetes, do tratamento realizado e da quantidade consumida.
O caldo de cana tem muito açúcar e alto índice glicêmico
O caldo de cana é uma bebida extraída da cana-de-açúcar. Por isso, contém grande quantidade de sacarose, glicose e frutose. Na prática, ele funciona como um açúcar líquido.
Além da quantidade de carboidratos, outro ponto importante é o índice glicêmico elevado. Isso significa que a glicose presente na bebida é absorvida rapidamente pelo organismo, provocando aumento rápido da glicemia.
Em outras palavras, após consumir o caldo de cana, os níveis de açúcar no sangue podem subir em pouco tempo.
Os cuidados mudam conforme o tratamento do diabetes
Segundo Carol Netto e Tarcila Campos, o consumo da bebida deve ser analisado de forma diferente para pessoas com diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2.
Quem utiliza insulina precisa considerar a quantidade de caldo de cana que será ingerida antes de fazer a aplicação da insulina. Para isso, é importante saber o volume da bebida, seja em copo ou garrafa, para realizar corretamente a contagem de carboidratos.
Esse cuidado é necessário porque o índice glicêmico da bebida é alto e a glicemia tende a subir rapidamente.
Quem tem diabetes tipo 2 também precisa fazer ajustes
Para pessoas com diabetes tipo 2 que não utilizam insulina e fazem tratamento com medicamentos ou apenas monitoram a glicose, o cuidado também deve ser redobrado.
Segundo as nutricionistas, é preciso avaliar quanto caldo de cana será consumido e como essa bebida se encaixa na alimentação daquele momento.
Se a pessoa pretende consumir a bebida durante uma refeição, como o almoço, por exemplo, pode ser necessário ajustar a quantidade de carboidratos dos outros alimentos para evitar excesso de carboidrato na refeição.
Esse planejamento deve ser feito de forma individualizada, considerando o tratamento e os objetivos de controle da glicemia.
Frequência e quantidade fazem diferença
As especialistas destacam que o caldo de cana não precisa ser proibido para todas as pessoas com diabetes. No entanto, a frequência e a quantidade consumidas fazem diferença no controle da glicemia.
Segundo Tarcila Campos, por ser uma bebida concentrada em carboidratos e de rápida absorção, vale a pena entender quando ela pode fazer parte da rotina alimentar e como adaptá-la ao plano alimentar e ao tratamento medicamentoso.
A nutricionista reforça que essa decisão deve ser individualizada e feita com cuidado, para que o consumo não prejudique o controle do diabetes.