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    Diabetes Gestacional

    Exame de curva glicêmica na gravidez: toda gestante precisa fazer? Especialista explica

    Teste ajuda a identificar o diabetes gestacional mesmo em mulheres sem fatores de risco
    Estefane Moitinho18 de agosto de 2026Nenhum comentário7 Mins Read
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    Exame de curva glicêmica na gravidez.
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    Durante a gravidez, o acompanhamento da glicemia faz parte do pré-natal e tem um objetivo importante: identificar alterações que podem afetar a saúde da mãe e do bebê. Entre os exames utilizados nesse processo está a chamada curva glicêmica, conhecida tecnicamente como teste oral de tolerância à glicose (TOTG).

    Mas será que toda gestante precisa fazer o exame?

    A recomendação da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) é que o rastreamento do diabetes gestacional seja feito de forma universal em gestantes que não tenham diagnóstico prévio de diabetes, independentemente da presença de fatores de risco.

    Isso acontece porque o diabetes gestacional pode surgir mesmo em mulheres que não apresentam características consideradas de maior risco e, muitas vezes, não provoca sintomas.

    “A alteração da glicemia é a alteração metabólica mais comum na gestação”, explica a endocrinologista Denise Franco.

    O exame de curva glicêmica é obrigatório para todas as gestantes?

    A resposta depende do resultado da avaliação feita no início do pré-natal.

    A investigação começa na primeira consulta, geralmente com a solicitação da glicemia de jejum. Esse resultado pode indicar se a gestante apresenta uma alteração que já permite estabelecer o diagnóstico ou se será necessário continuar o rastreamento ao longo da gravidez.

    Quando a glicemia de jejum no início da gestação está abaixo de 92 mg/dL, o resultado é considerado normal para esse momento. Nessa situação, a gestante deve seguir para o rastreamento do diabetes gestacional entre a 24ª e a 28ª semana, quando é realizado o TOTG de 75 g.

    Já uma glicemia de jejum entre 92 e 125 mg/dL no início da gestação é compatível com diabetes gestacional. Valores iguais ou superiores a 126 mg/dL indicam diabetes diagnosticado na gestação.

    Por isso, nem toda gestante necessariamente chegará à etapa do exame da curva glicêmica. Algumas já terão uma alteração identificada nas primeiras consultas e precisarão iniciar o acompanhamento específico.

    Por que a curva glicêmica é importante?

    Uma das principais razões para realizar o TOTG é que a glicemia de jejum isolada não consegue identificar todas as alterações do metabolismo da glicose.

    Durante o exame, a gestante ingere uma quantidade padronizada de glicose e tem a glicemia medida em diferentes momentos. Dessa forma, é possível observar como o organismo responde à sobrecarga de glicose.

    “A curva glicêmica identifica intolerância à glicose que só se manifesta sob sobrecarga, algo que a glicemia de jejum isolada frequentemente não capta”, afirma Denise.

    Segundo a endocrinologista, o exame também permite identificar elevações da glicemia após a ingestão da glicose, alterações que podem estar relacionadas a complicações da gestação, como o crescimento excessivo do bebê.

    A identificação do diabetes gestacional permite iniciar o acompanhamento e as medidas necessárias para manter a glicemia dentro das metas estabelecidas.

    Quando a curva glicêmica é realizada?

    Para as gestantes sem diagnóstico prévio de diabetes e que apresentaram glicemia normal no início do pré-natal, a recomendação é realizar o TOTG entre a 24ª e a 28ª semana de gestação.

    O exame é feito com 75 gramas de glicose. Após um período de jejum, é realizada uma primeira coleta de sangue. Em seguida, a gestante ingere a solução de glicose e são feitas novas coletas uma e duas horas depois.

    A preparação adequada também é importante para o resultado. A SBD recomenda que, nos três dias anteriores ao exame, a gestante mantenha uma alimentação sem restrição de carboidratos ou com pelo menos 150 gramas de carboidratos por dia. O exame deve ser realizado após oito horas de jejum.

    Quais valores podem indicar diabetes gestacional?

    No TOTG de 75 g, um único resultado do exame acima do ponto de corte já pode confirmar o diagnóstico de diabetes gestacional.

    Os valores utilizados são:

    • Jejum: igual ou superior a 92 mg/dL;
    • 1 hora após a ingestão: igual ou superior a 180 mg/dL;
    • 2 horas após a ingestão: igual ou superior a 153 mg/dL.

    É importante destacar que esses valores fazem parte de uma avaliação médica e devem ser interpretados considerando o momento da gestação e o histórico da paciente. Resultados muito elevados podem indicar diabetes diagnosticado na gestação, e não apenas diabetes gestacional.

    Por que o rastreamento é feito mesmo sem fatores de risco?

    O rastreamento universal é recomendado porque o diabetes gestacional não aparece somente em mulheres que já apresentam fatores de risco.

    Entre as características associadas a um risco maior estão idade materna avançada, sobrepeso ou obesidade, histórico familiar de diabetes em parentes de primeiro grau, diabetes gestacional em uma gravidez anterior e condições relacionadas à resistência à insulina, como síndrome dos ovários policísticos.

    Também entram nessa avaliação situações como hipertensão arterial, ganho excessivo de peso durante a gravidez, crescimento fetal excessivo, polidrâmnio, pré-eclâmpsia e histórico obstétrico de macrossomia, entre outros fatores.

    Ainda assim, uma mulher sem nenhuma dessas características também pode desenvolver diabetes gestacional. É justamente por isso que a investigação através do exame não deve ficar restrita aos chamados grupos de risco.

    Quais são os riscos do diabetes gestacional não identificado?

    Quando não identificado e acompanhado adequadamente, o diabetes gestacional pode aumentar o risco de complicações para a mãe e o bebê.

    Entre os possíveis desfechos estão a macrossomia, que é o crescimento excessivo do bebê, distocia de ombro, hipoglicemia neonatal e maior possibilidade de parto cesáreo.

    Para a gestante, a alteração da glicemia está associada a maior risco de hipertensão e pré-eclâmpsia, além de representar um sinal de maior risco metabólico no futuro.

    “A elevação da glicemia durante a gestação permite uma intervenção terapêutica que reduz significativamente essas complicações”, explica Denise.

    Por isso, identificar o problema não significa apenas dar um nome à alteração. O diagnóstico permite que a gestante receba orientação e acompanhamento para controlar a glicemia durante a gravidez.

    Toda gestante com diabetes gestacional precisa usar insulina?

    Não.

    O diagnóstico de diabetes gestacional não significa automaticamente que a gestante precisará utilizar insulina.

    De acordo com Denise, o tratamento inicial envolve terapia nutricional médica e atividade física. A insulina é indicada quando as metas de glicemia não são alcançadas apenas com as mudanças no estilo de vida.

    A necessidade ou não de medicamento depende da resposta individual de cada gestante e deve ser definida pela equipe responsável pelo acompanhamento.

    O que acontece depois do parto?

    Em muitos casos, a alteração da glicemia melhora após o nascimento do bebê. Mesmo assim, o acompanhamento não deve terminar com o fim da gestação.

    Ter diabetes gestacional aumenta de forma importante o risco de desenvolver diabetes tipo 2 posteriormente. Por isso, a SBD recomenda que a mulher faça um novo teste oral de tolerância à glicose com 75 g entre quatro e 12 semanas após o parto.

    Depois dessa avaliação, o acompanhamento deve continuar de forma periódica, conforme os resultados e a orientação médica.

    Esse cuidado é importante porque o diabetes gestacional pode funcionar como um alerta para a saúde metabólica da mulher nos anos seguintes.

    Em resumo: toda gestante precisa fazer a curva glicêmica?

    O que é recomendado para todas as gestantes sem diagnóstico prévio de diabetes é o rastreamento do diabetes durante a gravidez.

    O exame e investigação começa no início do pré-natal. Se a glicemia estiver normal nessa primeira avaliação, o TOTG de 75 g é indicado entre a 24ª e a 28ª semana.

    Por outro lado, se a glicemia inicial já estiver alterada em níveis que permitam estabelecer o diagnóstico, a gestante não precisa esperar pela curva glicêmica para começar o acompanhamento.

    O ponto principal é que a ausência de sintomas ou de fatores de risco não elimina a necessidade de investigação. O diabetes gestacional pode passar despercebido e, por isso, o rastreamento faz parte do acompanhamento pré-natal.

    A decisão sobre quando realizar o exame e a interpretação dos resultados devem ser feitas pelo profissional ou pela equipe de saúde que acompanha a gestação.

    Diabetes gestacional: o que é, riscos para o bebê e como controlar na gravidez
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    Estefane Moitinho

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