A receita de uma farofa preparada com oleaginosas no lugar da tradicional farinha de mandioca, chamou atenção por utilizar ingredientes que podem ter menor impacto na glicemia quando comparados à versão tradicional. A campeã da oitava temporada do MasterChef Brasil, Isabella Scherer, compartilhou nas redes sociais uma adaptação que fez na alimentação após receber o diagnóstico de diabetes gestacional.
No vídeo publicado, Isabella explica que criou a preparação como uma alternativa para continuar consumindo um acompanhamento comum nas refeições, mas com uma composição diferente.
“Eu criei essa daqui só feita basicamente com oleaginosas, que são boas para o controle da glicemia”, afirma.
A chef também reforça que a receita não deve ser vista como uma solução isolada para controlar a glicose.
“Não vai achando que essa farofa vai fazer milagre. Ela só vai te ajudar a não comer uma farofa normal.”
Mas será que essa substituição realmente faz diferença para quem precisa ter atenção à glicemia?
Para responder a essa pergunta, o Um Diabético conversou com o nutricionista Danilo Araújo, que analisou os ingredientes da receita e explicou os benefícios e os cuidados da preparação para pessoas com pré-diabetes, diabetes tipo 1, diabetes tipo 2 e mulheres com diabetes gestacional.
Como é a farofa compartilhada por Isabella Scherer?
A principal diferença da receita está na substituição da farinha de mandioca pela farinha de amêndoas. Além dela, a preparação leva castanha-de-caju, nozes, sementes de abóbora, sementes de girassol, bacon, cebola, manteiga e temperos como páprica, pimenta-do-reino e pimenta calabresa.
Castanhas, nozes e amêndoas fazem parte do grupo das oleaginosas, alimentos que fornecem gorduras insaturadas, proteínas, fibras, vitaminas e minerais.
No preparo, o bacon é dourado para liberar a gordura, depois são acrescentados a cebola e os temperos. Em seguida, entram as castanhas e as sementes, que são tostadas para ganhar sabor e crocância. Por último, a farinha de amêndoas é adicionada para dar textura à preparação.
Apesar de manter a aparência da farofa tradicional, a composição nutricional da receita é diferente. E é justamente essa mudança que pode influenciar a resposta da glicemia após a refeição.
A substituição que muda o perfil nutricional da receita
Segundo o nutricionista Danilo Araújo, o principal diferencial da preparação está na troca da farinha de mandioca pela farinha de amêndoas.
“Alimentos fontes de carboidrato, como a farinha de mandioca, são rapidamente transformados em glicose no sangue, e é isso que gera o pico de glicemia depois da refeição. Quando essa farinha é trocada pela farinha de amêndoas, a função nutricional desse ingrediente muda por completo”, explica.
Enquanto a farinha de mandioca é rica em carboidratos, a farinha de amêndoas possui maior quantidade de gorduras insaturadas, proteínas e fibras, nutrientes que apresentam um efeito diferente sobre a resposta glicêmica.
“Na prática, essa troca faz com que a glicemia não suba como subiria com a farofa tradicional”, destaca o nutricionista.
Além da substituição da farinha, a presença das oleaginosas e sementes aumenta a oferta de fibras e proteínas da receita. As fibras ajudam a retardar a absorção dos carboidratos, favorecem a saciedade e podem contribuir para uma elevação mais gradual da glicose após a refeição.
Menos carboidratos não significa consumo livre
Pela composição dos ingredientes, a receita pode ser considerada uma preparação com menor quantidade de carboidratos em comparação à farofa tradicional.
Segundo Danilo, essa é a lógica de uma receita low carb: reduzir a presença de alimentos que são rapidamente transformados em glicose no organismo.
No entanto, o nutricionista alerta que ter menos carboidratos não significa que o alimento possa ser consumido sem atenção.
“Refeição low carb não significa automaticamente refeição saudável e liberada à vontade. Essa farofa tem menos carboidrato, mas é bem concentrada em calorias e gordura”, afirma.
Os ingredientes utilizados na preparação oferecem nutrientes importantes, como fibras, proteínas, vitaminas, minerais e gorduras consideradas benéficas para a saúde. Por outro lado, também apresentam alta densidade energética.
“Mesmo sendo nutritivos, uma quantidade grande pode elevar bastante o valor energético da refeição”, ressalta.
Por isso, o tamanho da porção continua sendo um ponto importante, especialmente durante a gestação.
Bacon e manteiga exigem moderação
Apesar de a receita apresentar uma composição diferente da farofa tradicional, alguns ingredientes merecem atenção.
Segundo Danilo Araújo, o bacon e a manteiga aumentam a quantidade de gordura saturada da preparação. Além disso, o bacon é uma carne processada e costuma apresentar maior quantidade de sódio.
“O bacon e a manteiga também merecem atenção. Eles aumentam a gordura saturada da preparação. O bacon, além disso, é uma carne processada e costuma ter bastante sódio”, explica.
Por isso, o nutricionista recomenda que esses ingredientes sejam utilizados com moderação e que o excesso de sal seja evitado durante o preparo, principalmente no período da gestação.
A composição da refeição também influencia a glicemia
Outro ponto destacado pelo especialista é que nenhum alimento, isoladamente, é capaz de controlar a glicemia. A resposta do organismo depende da composição da refeição como um todo e dos hábitos alimentares adotados no dia a dia.
No vídeo, Isabella Scherer também reforça essa ideia ao explicar que a estratégia alimentar vai além da escolha da farofa.
“Vai realmente ajudar você a controlar sua glicemia é comer primeiro bastante salada antes de começar a refeição, depois a proteína e aí sim você vem com o resto da sua refeição. Não vai achar que essa farofa vai fazer milagre. Ela só vai te ajudar a não comer uma farofa normal.”
Danilo faz uma recomendação semelhante e explica que a preparação deve ser inserida dentro de um contexto alimentar equilibrado.
“Não adianta comer uma farofa com pouco carboidrato ao lado de muito arroz, massa, pão, doce ou bebida açucarada”, afirma.
O ideal, segundo o nutricionista, é utilizar a receita como acompanhamento, em uma porção moderada, junto a verduras, legumes e uma fonte de proteína, como frango, peixe, carne ou ovos.
Como a receita pode ajudar mulheres com diabetes gestacional?
Em muitos casos, o diabetes gestacional pode ser controlado com mudanças na alimentação e no estilo de vida, sempre com acompanhamento da equipe de saúde. Nesse contexto, adaptações em receitas do dia a dia podem ajudar a reduzir a elevação da glicemia após as refeições.
Para mulheres que receberam esse diagnóstico, a farofa compartilhada por Isabella Scherer pode ser uma alternativa à versão tradicional, principalmente pela substituição da farinha de mandioca por uma opção com menor quantidade de carboidratos e maior presença de fibras, proteínas e gorduras insaturadas.
“Para pessoas com diabetes gestacional, essa substituição pode ajudar a reduzir o aumento da glicemia depois da refeição”, explica Danilo Araújo.
O nutricionista reforça, no entanto, que a resposta varia de pessoa para pessoa e depende de fatores como a quantidade consumida, os demais alimentos presentes na refeição e o acompanhamento individual durante a gestação.
Na avaliação do especialista, a preparação pode fazer parte da alimentação de uma gestante com diabetes gestacional quando inserida em um plano alimentar adequado.
“Essa receita é, sim, uma receita ‘amiga’ da glicemia e pode fazer parte da alimentação de uma gestante com diabetes gestacional”, conclui.
A receita compartilhada por Isabella Scherer mostra como pequenas substituições em preparações tradicionais podem modificar a composição nutricional de uma refeição. No entanto, como a própria chef destaca, a farofa não deve ser vista como uma solução isolada, mas como uma alternativa que pode fazer parte de uma alimentação equilibrada e orientada por profissionais de saúde.
