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A alimentação continua a mesma, os medicamentos são tomados corretamente e os cuidados com o diabetes seguem a rotina habitual.  Mesmo assim, a glicemia começa a oscilar e o controle parece mais difícil. O que mudou? Para muitas mulheres, a resposta pode estar na menopausa, fase marcada por alterações hormonais capazes de influenciar a ação da insulina e o metabolismo da glicose. Celebrado em 18 de outubro, o Dia Mundial da Menopausa chama a atenção para uma etapa natural da vida feminina que pode trazer desafios adicionais para quem convive com o diabetes. A redução dos níveis de estrogênio pode modificar a distribuição de gordura corporal, a sensibilidade à insulina e o controle da glicose no sangue. Essas transformações não significam que todas as mulheres terão piora do diabetes, mas ajudam a explicar por que algumas passam a enfrentar dificuldades que não existiam anteriormente. Por que a menopausa pode dificultar o controle da glicemia? A menopausa é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruação, quando essa ausência não é explicada por outra causa. Geralmente ocorre entre os 45 e 55 anos, embora possa acontecer antes ou depois. As alterações hormonais, entretanto, começam antes da última menstruação, durante a chamada perimenopausa. Nessa fase, os níveis de estrogênio oscilam e os ciclos menstruais podem se tornar irregulares. O estrogênio participa de processos importantes para o metabolismo, incluindo a forma como o organismo utiliza a glicose e responde à insulina. Com sua redução, pode ocorrer maior acúmulo de gordura na região abdominal e diminuição da sensibilidade à insulina. Na prática, isso significa que o organismo pode precisar de mais insulina para realizar a mesma função, dificultando o controle glicêmico, especialmente quando essas mudanças estão associadas ao aumento de gordura corporal e à redução da massa muscular. No DiabetesCast, as especialistas destacaram que as necessidades de insulina podem mudar ao longo das diferentes fases da vida feminina, incluindo a menopausa. “Quando eu chego na menopausa, é a mesma coisa, muda também a dose de insulina”, foi uma das observações feitas durante a conversa. Isso não significa que todas as mulheres precisarão aumentar a dose. As necessidades podem variar, e qualquer ajuste deve ser individualizado, considerando o tipo de diabetes, os medicamentos utilizados e o comportamento da glicemia. Ganho de peso e resistência à insulina: qual é a relação? Uma das mudanças mais frequentes nessa etapa é a alteração da composição corporal. Mesmo sem grandes diferenças na balança, a mulher pode apresentar maior concentração de gordura abdominal e perda progressiva de massa muscular. Em entrevista ao Portal Um Diabético, o endocrinologista Rodrigo Siqueira explicou que os hormônios femininos exercem uma função importante na manutenção da composição corporal. “Uma função dos hormônios femininos é diminuir a quantidade de massa gorda e aumentar a massa magra, ou pelo menos preservar a massa magra.” Segundo o médico, a redução dessa proteção hormonal pode contribuir para o ganho de gordura e aumentar a dificuldade de ação da insulina. “Quanto mais peso, em geral mais gordura, mais dificuldade a insulina tem de agir. Então tende a ter uma piora do controle glicêmico.” O ganho de peso, entretanto, não é inevitável. O envelhecimento, a qualidade do sono, a alimentação e o nível de atividade física também influenciam essas mudanças. Para mulheres com diabetes tipo 2, o aumento da resistência à insulina pode dificultar a manutenção da glicemia dentro das metas. Já aquelas com diabetes tipo 1 podem perceber alterações nas necessidades de insulina e maior variabilidade glicêmica durante a transição hormonal.…