O cuscuz está presente no café da manhã de milhões de brasileiros. No Nordeste, ele faz parte da rotina de muitas famílias. No entanto, quem convive com diabetes costuma ter dúvidas sobre a melhor forma de consumir o alimento sem provocar grandes oscilações na glicose.
Segundo a nutricionista e educadora em diabetes Carol Netto, o cuscuz pode fazer parte da alimentação de pessoas com diabetes. Porém, a quantidade consumida, os acompanhamentos e até o modo de preparo influenciam diretamente na resposta glicêmica.
Durante conversa com Tom Bueno, do Portal Um Diabético, a especialista explicou que o primeiro passo é entender que o cuscuz é derivado do milho e, portanto, contém carboidrato.
Cuscuz aumenta a glicose?
De acordo com Carol Netto, o carboidrato presente no cuscuz interfere diretamente nos níveis de glicose no sangue. Por isso, o alimento exige atenção semelhante à dada ao arroz, macarrão e tapioca.
“O cuscuz é derivado do milho. Portanto, a gente tem que lembrar que tem carboidrato. Carboidrato igual glicose no sangue”, explicou.
Além disso, a nutricionista destacou que o alimento possui índice glicêmico moderado. Isso significa que a glicose pode subir de forma mais rápida dependendo da quantidade consumida e da composição da refeição.
Nesse contexto, exagerar na porção pode dificultar o controle glicêmico, principalmente no café da manhã, período em que muitas pessoas já consomem outros alimentos ricos em carboidrato.
Nutricionista explica qual o melhor jeito de comer cuscuz no diabetes
Segundo Carol Netto, o melhor caminho é equilibrar o consumo do cuscuz com o restante da refeição. Isso significa evitar a combinação com muitos outros carboidratos ao mesmo tempo.
Para quem convive com diabetes tipo 2 e não faz contagem de carboidratos, a orientação é trabalhar com substituições.
“Vai comer o cuscuz? Não come o pão então”, orientou.
Enquanto isso, pessoas que utilizam insulina e fazem contagem de carboidratos precisam considerar a quantidade consumida no cálculo da aplicação.
A nutricionista explicou ainda que uma colher de sopa de cuscuz contém cerca de 5 gramas de carboidrato. Portanto, porções maiores exigem mais atenção.
Além disso, ela reforçou que o alimento não deve ser tratado como “liberado” apenas por ser derivado do milho.
Cuscuz se parece com tapioca no impacto glicêmico
Durante a explicação, Carol Netto comparou o cuscuz à tapioca, alimento muito presente no café da manhã brasileiro.
Segundo ela, os dois exigem cuidado semelhante porque podem elevar a glicose rapidamente quando consumidos em excesso.
“Muitas vezes as pessoas acham que a tapioca é um alimento sem impacto. Mas ela também é fonte de carboidrato”, explicou.
Nesse contexto, a nutricionista reforça que o problema não está apenas no alimento isolado, mas principalmente na quantidade e na combinação feita na refeição.
Por outro lado, isso não significa que pessoas com diabetes precisam excluir o cuscuz da rotina. O foco, segundo ela, está no equilíbrio alimentar e no planejamento das refeições.
Manteiga no cuscuz pode alterar a resposta da glicose
Outro ponto citado pela especialista envolve o preparo do cuscuz. Muitas pessoas costumam adicionar manteiga ou consumir o alimento acompanhado de carnes, queijo ou camarão.
Segundo Carol Netto, a gordura presente nesses acompanhamentos pode retardar a subida inicial da glicose. No entanto, horas depois, esse efeito pode mudar.
“A gordura funciona como um freio. Ela segura a subida da glicose no começo, mas depois de três ou quatro horas a glicose pode subir”, explicou.
Além disso, a nutricionista lembra que refeições com gordura exigem atenção principalmente de pessoas que utilizam insulina rápida, já que a glicemia pode permanecer elevada por mais tempo.
Café da manhã exige atenção no diabetes
O café da manhã costuma concentrar alimentos ricos em carboidrato, como pão, tapioca, bolos e cuscuz. Por isso, especialistas orientam atenção à composição da refeição.
Enquanto algumas pessoas apresentam aumento rápido da glicose pela manhã, outras podem responder de maneira diferente ao mesmo alimento. Nesse contexto, monitorar a glicemia ajuda a entender como o organismo reage.
Além disso, Carol Netto reforça que o cuscuz pode ser incluído na alimentação com moderação e estratégia. A especialista destaca que o alimento não precisa ser excluído, mas deve entrar dentro de um planejamento alimentar compatível com o tratamento do diabetes.