A retinopatia diabética é uma das complicações mais conhecidas do diabetes e ainda gera dúvidas entre pessoas que convivem com a condição. Afinal, mesmo cuidando da glicose, a doença pode progredir? O quadro pode piorar rapidamente? E toda pessoa com diabetes terá alterações na retina ao longo da vida?
Durante participação no DiabetesCast, a oftalmologista especialista em retina Letícia Rubman explicou que o principal fator de risco para o desenvolvimento da retinopatia diabética é o tempo de diagnóstico do diabetes. No entanto, segundo ela, o manejo clínico realizado ao longo da rotina influencia diretamente a velocidade de progressão da doença.
Tempo de diabetes aumenta risco de retinopatia diabética
De acordo com a médica, estudos robustos mostram que o tempo de convivência com o diabetes é o fator mais importante para o desenvolvimento da retinopatia diabética.
Segundo Letícia Rubman, diretrizes atuais apontam que cerca de 90% das pessoas com diabetes tipo 1 podem apresentar algum grau de retinopatia após 15 anos de diagnóstico. Ainda assim, isso não significa, necessariamente, perda de visão ou evolução rápida para casos graves.
A especialista destacou que existe diferença entre desenvolver algum grau de alteração na retina e apresentar quadros avançados da doença.
“Isso não está relacionado ao fato do paciente não cuidar”, explicou a oftalmologista ao comentar que o diabetes é uma condição crônica e contínua.
Nesse contexto, ela reforçou que o diabetes permanece ativo no organismo mesmo diante de tratamentos modernos, monitorização e tecnologias disponíveis atualmente.
Retinopatia diabética pode permanecer estável por anos
Uma das principais dúvidas enviadas pela audiência do DiabetesCast questionava se a retinopatia diabética pode continuar evoluindo mesmo em pessoas que fazem acompanhamento e tratamento.
Segundo Letícia Rubman, a resposta depende de vários fatores, principalmente do manejo clínico realizado pela pessoa com diabetes.
A médica explicou que as lesões iniciais da retinopatia, chamadas de microaneurismas, passam por classificações que ajudam a acompanhar a evolução do quadro. A partir disso, o acompanhamento oftalmológico avalia se a doença permanece estável ou avança para formas mais graves.
Ela afirmou que alguns pacientes conseguem permanecer durante muitos anos em estágios iniciais da retinopatia diabética. Por outro lado, existem situações em que a progressão ocorre em um período mais curto, chegando à retinopatia diabética proliferativa, considerada uma forma avançada da doença.
Segundo a especialista, o controle glicêmico, o acompanhamento médico e o cuidado diário influenciam diretamente esse processo.
Perda de visão não acontece em todos os casos
Durante a entrevista, Letícia Rubman também comentou uma das maiores preocupações de quem recebe o diagnóstico de retinopatia diabética: o medo da cegueira.
A oftalmologista explicou que ter retinopatia diabética não significa, automaticamente, perder a visão. Segundo ela, existe um longo caminho entre as formas iniciais da doença e os quadros proliferativos mais graves.
Além disso, ela destacou que hoje existem mais recursos terapêuticos, diferentes tipos de insulina, sensores de glicose e bombas de infusão que ajudam no manejo do diabetes.
“Não quer dizer que o paciente que tem um quadro de retinopatia inicial vai evoluir para perda de visão”, afirmou.
A médica explicou que os maiores riscos costumam aparecer quando o paciente já apresenta retinopatia proliferativa e deixa de realizar o tratamento adequado.
Acompanhamento oftalmológico é parte do cuidado com diabetes
Outro ponto destacado pela especialista foi a importância do acompanhamento periódico com oftalmologista.
Segundo ela, o exame de mapeamento de retina consegue identificar alterações importantes mesmo antes do surgimento de sintomas. Além disso, a retinopatia diabética costuma ser silenciosa em fases iniciais.
No diabetes tipo 1, a orientação apresentada durante a entrevista é realizar o primeiro exame oftalmológico cinco anos após o diagnóstico. Já no diabetes tipo 2, o exame deve acontecer no momento da descoberta da doença.
A explicação envolve o fato de muitas pessoas com diabetes tipo 2 conviverem durante anos com alterações glicêmicas antes do diagnóstico oficial.
Controle da pressão arterial também influencia a retina
Além da glicose, Letícia Rubman chamou atenção para outros fatores que podem influenciar a progressão da retinopatia diabética.
Segundo ela, pessoas com diabetes e hipertensão precisam manter atenção redobrada ao controle da pressão arterial. A médica citou estudos que mostram redução de até 47% na progressão da retinopatia em pacientes com melhor controle da hipertensão.
Nesse contexto, o acompanhamento multidisciplinar aparece como parte importante do manejo do diabetes, principalmente em pessoas com fatores de risco associados.
A especialista também destacou que tecnologias ajudam no cuidado, mas o acesso ainda varia entre diferentes regiões do Brasil. Ainda assim, ela reforçou que pessoas que utilizam insulina NPH, regular e glicosímetro também podem alcançar bom manejo do diabetes com educação em saúde e acompanhamento adequado.
