Por muitos anos, o ovo foi associado ao aumento do colesterol e retirado da alimentação de muitas pessoas com diabetes. No entanto, pesquisas mais recentes mudaram a forma como especialistas analisam esse alimento. Hoje, sociedades médicas e profissionais da nutrição avaliam o contexto alimentar completo antes de recomendar restrições.
Nesse cenário, a nutricionista Maria Conceição Chaves, membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes e professora associada da Universidade Federal de Pernambuco, afirma que o ovo pode fazer parte da rotina alimentar de quem convive com diabetes, desde que o consumo respeite orientação individualizada e formas de preparo adequadas.
Ovo no diabetes deixou de ser tratado como vilão
A principal mudança aconteceu na compreensão sobre o colesterol presente nos alimentos. Durante décadas, muitas pessoas acreditaram que consumir ovos aumentaria diretamente o colesterol no sangue. Atualmente, os estudos mostram que essa relação não funciona de maneira tão simples.
Segundo a nutricionista, o colesterol alimentar exerce pouca influência direta sobre os níveis de LDL, conhecido como “mau colesterol”, para a maior parte da população. Por outro lado, gorduras trans e gorduras saturadas continuam sendo os principais fatores ligados ao aumento do LDL.
A gordura trans está presente principalmente em alimentos industrializados. Enquanto isso, a gordura saturada aparece em carnes gordurosas, leite integral e derivados. Nesse contexto, ele deixou de ocupar o centro das preocupações alimentares.
Além disso, estudos apontam que entre 75% e 85% das pessoas apresentam pouca sensibilidade ao colesterol da dieta. Isso significa que o consumo moderado de alimentos ricos em colesterol costuma provocar impacto pequeno nos níveis sanguíneos.
1. Ajuda na ingestão de proteína no café da manhã
Ele contém proteína de alto valor biológico, especialmente na clara. Esse tipo de proteína participa da manutenção muscular e também pode contribuir para maior sensação de saciedade ao longo do dia.
Para quem convive com diabetes, organizar melhor o café da manhã pode ajudar na rotina alimentar e no controle das refeições seguintes. Além disso, refeições com proteína costumam reduzir a velocidade de absorção dos carboidratos quando combinadas com outros alimentos.
A nutricionista explica que ele pode ser associado a pão integral, tapioca, cuscuz e frutas, formando refeições mais completas.
2. O alimento concentra vitaminas e minerais importantes
A gema reúne diferentes micronutrientes importantes para o funcionamento do organismo. Entre eles estão vitaminas A, D, E, K e B12.
Além disso, o alimento fornece folato, riboflavina, selênio, colina, ferro, fósforo, cálcio, magnésio e zinco. Por isso, especialistas orientam o consumo do ovo inteiro, e não apenas da clara.
Nesse contexto, o ovo se destaca como uma opção acessível para aumentar a ingestão de nutrientes na alimentação diária.
3. O ovo contém antioxidantes ligados à saúde dos olhos
Outro ponto observado pelos especialistas envolve a presença de luteína e zeaxantina. Esses antioxidantes aparecem associados à prevenção da degeneração macular, condição ligada ao envelhecimento da retina.
A saúde ocular merece atenção entre pessoas com diabetes, já que alterações na glicemia podem aumentar o risco de complicações nos olhos ao longo do tempo. Portanto, incluir alimentos com nutrientes relacionados à visão pode fazer parte de uma estratégia alimentar equilibrada.
Ainda assim, os especialistas lembram que nenhum alimento isolado previne doenças sozinho. O acompanhamento médico e oftalmológico continua sendo necessário.
4. O consumo moderado de ovos pode fazer parte da alimentação no diabetes
Meta-análises citadas pela nutricionista indicam que o consumo de até um ovo por dia pode ser seguro para pessoas com diabetes. Em alguns casos, os estudos também apontaram possíveis benefícios dentro de padrões alimentares equilibrados.
No entanto, pesquisas que avaliaram consumo mais elevado encontraram associação com aumento do risco cardiovascular em alguns grupos com diabetes. Apesar disso, os resultados não são unânimes.
Parte dos estudos não identificou aumento claro do risco cardiovascular ligado ao consumo moderado de ovos. Por isso, especialistas reforçam que o padrão alimentar completo possui mais impacto do que um único alimento isoladamente.
“O consumo de ovos em uma alimentação saudável e controlada em gorduras trans e saturadas parece não exercer efeitos negativos nos níveis de colesterol do sangue”, afirma Maria Conceição Chaves.
5. O modo de preparo faz diferença no diabetes
A forma de preparo influencia diretamente o impacto nutricional do ovo. Quando o alimento é preparado com excesso de óleo, manteiga ou gordura, ocorre aumento das calorias e da quantidade de gordura saturada da refeição.
Por isso, especialistas recomendam preparações como:
- Ovo cozido
- Ovo pochê
- Ovo mexido com pouca gordura
- Omelete preparada sem excesso de óleo
Além disso, o ovo pode substituir carnes em algumas refeições do almoço e jantar. Nos dias sem consumo de ovos, proteínas podem vir de iogurte natural, queijo branco, coalhada e castanhas.
Quantos ovos por semana quem tem diabetes pode consumir?
A recomendação da Sociedade Brasileira de Diabetes para pessoas com diabetes e LDL elevado gira em torno de duas a três vezes por semana. No entanto, a quantidade ideal depende do histórico clínico, exames laboratoriais, rotina alimentar e prática de atividade física.
Para pessoas sem alterações metabólicas, o consumo de um a dois ovos por dia costuma ser considerado seguro. Já praticantes de exercícios intensos podem receber orientações diferentes, conforme avaliação profissional.
Nesse contexto, nutricionistas reforçam que não existe recomendação única válida para todos os casos. Dieta geral, genética, atividade física e modo de preparo continuam sendo fatores importantes na saúde cardiovascular.
Quem convive com diabetes deve discutir a frequência ideal do consumo de ovos com médico ou nutricionista responsável pelo acompanhamento.
