Muita gente que convive com diabetes evita arroz branco por medo de aumentar a glicose rapidamente. No entanto, segundo a nutricionista e educadora em diabetes Carol Netto, o problema não está apenas no alimento, mas na forma como ele é consumido no dia a dia.
A especialista explicou que o arroz branco tem alto índice glicêmico. Isso significa que ele pode elevar a glicemia de forma rápida após a refeição. Ainda assim, ela afirma que o alimento não precisa ser excluído da alimentação de pessoas com diabetes.
Nesse contexto, Carol Netto apresentou quatro estratégias que podem ajudar a reduzir os picos de glicose após o consumo de arroz.
A glicose aumenta mais rápido?
Segundo Carol Netto, o arroz branco é visto por muitas pessoas como um “vilão” porque possui uma capacidade alta de elevar a glicemia em pouco tempo.
“O arroz branco tem um alto índice glicêmico. Ele tem uma potência de subir a glicemia muito parecida com açúcar”, explicou a nutricionista.
Além disso, ela destacou que a principal questão está na velocidade com que o carboidrato se transforma em glicose no sangue. Por isso, muitas pessoas acabam deixando o arroz de lado após o diagnóstico de diabetes.
No entanto, Carol reforçou que o alimento não precisa ser proibido. “O arroz não é o grande vilão”, afirmou.
1. Controlar a quantidade de arroz no prato
A primeira orientação apresentada por Carol Netto envolve a quantidade consumida durante as refeições.
Segundo ela, exagerar no arroz pode aumentar a ingestão de carboidratos e calorias, o que favorece picos glicêmicos e ganho de peso. Portanto, controlar a porção é um dos pontos mais importantes para quem vive com diabetes.
“Não pode ter montanha de arroz no prato”, explicou.
Enquanto isso, a nutricionista também lembrou que o organismo precisa lidar com toda a carga de carboidrato ingerida. Em pessoas que usam insulina ou medicamentos para controle da glicose, quantidades maiores exigem maior resposta do tratamento.
Nesse contexto, ela reforçou que o arroz pode fazer parte da alimentação, desde que exista equilíbrio.
2. Montar um prato completo ajuda a reduzir o pico glicêmico
A segunda dica envolve a combinação dos alimentos no prato. Segundo Carol Netto, consumir arroz sozinho favorece uma subida mais rápida da glicose. Por outro lado, quando ele aparece junto de proteínas, fibras e outros alimentos, o impacto tende a ser menor.
“O ideal é consumir um prato completo”, explicou.
Ela orienta que a refeição tenha arroz, feijão, proteína e fibras. As proteínas podem incluir carne, ovo, peixe ou frango. Já as fibras podem vir de legumes e saladas.
Além disso, a especialista explicou que essa combinação funciona como um “freio” para a glicemia.
Quando proteínas e fibras acompanham o arroz, a absorção do carboidrato acontece de forma mais lenta. Portanto, a curva glicêmica tende a subir de maneira mais controlada.
3. Usar proteínas e fibras para “frear” a subida da glicose
Durante a conversa, Carol Netto destacou que proteínas e fibras ajudam o organismo a evitar grandes oscilações após as refeições.
Segundo ela, isso não significa que a glicose não vai subir. A elevação acontece em qualquer pessoa após o consumo de carboidratos. No entanto, o objetivo é evitar picos muito elevados.
“Tanto as fibras quanto as proteínas ajudam bastante para frear essa subida da glicemia”, afirmou.
Enquanto isso, pessoas com diabetes tipo 2 que ainda produzem insulina podem ter uma resposta melhor do organismo quando existe esse equilíbrio alimentar. Já quem usa medicamentos ou insulina também pode se beneficiar de refeições mais equilibradas.
Nesse contexto, Carol Netto reforçou que a alimentação não deve focar apenas na retirada de alimentos, mas também na forma de montar o prato.
4. Apostar na combinação de arroz com feijão
A quarta dica citada pela nutricionista envolve uma combinação tradicional na alimentação brasileira: arroz com feijão.
Segundo Carol Netto, a mistura oferece benefícios importantes para pessoas com diabetes. Isso porque o feijão contém fibras e proteína vegetal, nutrientes que ajudam a reduzir a velocidade da absorção do carboidrato.
Além disso, ela explicou que a combinação contribui para estimular a produção de aminoácidos essenciais ligados à musculatura.
“Quando você consome arroz com feijão, você também segura essa subida da glicemia”, explicou.
Portanto, a orientação não é retirar completamente o arroz da alimentação, mas entender como ele pode ser consumido de forma mais equilibrada.
Enquanto isso, Carol Netto reforça que estratégias simples no prato podem ajudar pessoas com diabetes a terem refeições mais organizadas e com menos impacto na glicemia.
