Quem recebe o diagnóstico de diabetes ou pré-diabetes costuma passar a olhar com mais atenção para alimentos que antes faziam parte da rotina. Entre as dúvidas mais frequentes está o suco de laranja. Afinal, ele precisa ser retirado da alimentação? Segundo especialistas, a resposta depende da forma de consumo, da quantidade e do contexto de cada pessoa.
O nutricionista especialista em diabetes Danilo Araújo explica que o problema não é a laranja em si, mas a maneira como ela é consumida. Segundo ele, um copo de aproximadamente 200 ml de suco concentra cerca de três laranjas, reúne aproximadamente 22 gramas de carboidratos e praticamente não contém fibras.
Sem a fibra presente na fruta, o açúcar é absorvido mais rapidamente pelo organismo. Como consequência, a glicose tende a subir em menos tempo após o consumo da bebida.
O que muda entre o suco e a fruta inteira?
Segundo Danilo Araújo, retirar o bagaço da fruta modifica a forma como o organismo absorve o carboidrato.
“O que faz diferença não é a laranja, mas como ela chega ao organismo”, explica o nutricionista.
Enquanto a fruta inteira mantém as fibras naturais, o suco perde grande parte desse componente durante o preparo. Nesse contexto, o organismo absorve o açúcar mais rapidamente, favorecendo uma elevação maior da glicose após a ingestão.
Além disso, um único copo pode reunir o equivalente a várias unidades da fruta. Portanto, a quantidade de carboidrato consumida em poucos minutos costuma ser muito maior do que quando a pessoa come apenas uma laranja.
Existem alternativas para continuar consumindo laranja?
Segundo Danilo Araújo, não é necessário abandonar completamente o suco de laranja. Uma das estratégias é trocar a bebida pela fruta inteira, consumindo também o bagaço. Dessa forma, a fibra permanece no alimento e ajuda a desacelerar a absorção da glicose.
Outra alternativa indicada pelo nutricionista é caminhar entre 10 e 15 minutos após tomar o suco.
Segundo ele, durante a atividade física, os músculos utilizam parte da glicose circulante como fonte de energia. Com isso, a tendência é reduzir a intensidade do aumento da glicemia após a bebida.
Sociedade Brasileira de Diabetes explica por que o suco aumenta mais a glicose
A nutricionista Maristela Strufaldi, integrante do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), afirma que transformar a fruta em suco modifica a velocidade de absorção dos carboidratos.
Segundo ela, quando a laranja é espremida, a fibra deixa de exercer parte do seu papel no controle da absorção da glicose. Como resultado, o açúcar chega mais rapidamente à corrente sanguínea.
Além disso, um único copo pode concentrar quatro ou cinco laranjas. Nesse contexto, a quantidade de carboidratos ingerida se aproxima da encontrada em outros alimentos consumidos nas refeições.
Por isso, Maristela destaca que o impacto na glicose não depende apenas da fruta, mas também do volume consumido de uma só vez.
A forma de preparar o suco também faz diferença
A nutricionista Carol Netto, educadora em diabetes, afirma que pequenas mudanças no preparo podem reduzir o impacto glicêmico da bebida.
Segundo ela, uma alternativa é preparar uma laranjada utilizando um terço de suco de laranja e completar o restante do copo com água.
Nesse contexto, a bebida fica menos concentrada em carboidratos quando comparada ao suco puro. Além disso, essa estratégia ajuda a reduzir a quantidade de glicose ingerida em cada porção.
Ainda assim, a orientação não substitui o controle das porções nem o planejamento alimentar individual.
Nem todo aumento da glicose acontece apenas por causa do alimento
Maristela Strufaldi lembra que a resposta da glicose não depende exclusivamente do que a pessoa come ou bebe.
Segundo a nutricionista, fatores como qualidade do sono, presença de infecções, esquema de medicação e o valor da glicose antes da refeição também influenciam o resultado observado após a alimentação.
Nesse contexto, atribuir toda elevação da glicemia apenas ao suco de laranja pode levar a uma interpretação incompleta da situação.
Além disso, ela explica que todos os alimentos que contêm carboidratos fornecem glicose para produzir energia. No entanto, a velocidade e a intensidade dessa resposta variam conforme a composição da refeição e as características de cada pessoa.
A fruta inteira deve ter prioridade
De acordo com a orientação apresentada pela Sociedade Brasileira de Diabetes, a fruta inteira deve ser priorizada sempre que possível.
Segundo Maristela Strufaldi, consumir a laranja com o bagaço facilita o controle da porção e preserva as fibras naturais, que ajudam a reduzir a velocidade de absorção da glicose.
Enquanto isso, o suco concentra mais carboidratos em menor volume e tende a provocar uma resposta glicêmica mais rápida.
Além disso, bebidas industrializadas ou preparações com adição de açúcar não fazem parte dessa recomendação. Isso ocorre porque alimentos líquidos com açúcar costumam elevar a glicose em menos tempo.