A escolha das gorduras no jantar para quem tem diabetes pode influenciar o comportamento da glicose após a refeição. No entanto, isso não significa que qualquer alimento rico em gordura seja uma boa opção. Segundo a nutricionista Tarcila Campos, mestre em Nutrição e integrante do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o tipo de gordura e a forma de preparo dos alimentos fazem diferença no planejamento alimentar.
Durante participação no DiabetesCast, a especialista explicou que a gordura pode retardar a absorção dos carboidratos. Ainda assim, ela destaca que a estratégia só faz sentido quando envolve alimentos com melhor qualidade nutricional.
Quais priorizar no jantar para quem tem diabetes?
Para pessoas que fazem uma refeição completa à noite, Tarcila orienta seguir uma lógica semelhante à do almoço. Nesse contexto, sementes e azeite podem ser incluídos na alimentação, enquanto a escolha da proteína também merece atenção.
“O azeite e as sementes continuam sendo boas opções. Além disso, os peixes oferecem proteínas e gorduras de melhor qualidade”, explica.
Entre as alternativas citadas estão sardinha, atum e outros peixes preparados de forma assada, grelhada ou cozida. Segundo a nutricionista, essas opções fornecem gorduras insaturadas, associadas a um perfil nutricional diferente das gorduras saturadas e trans presentes em muitos alimentos industrializados.
Lanche no jantar também pode incluir gorduras de boa qualidade
Nem todas as pessoas costumam fazer uma refeição completa no período da noite. Para quem prefere um lanche, a nutricionista sugere substituir produtos ultraprocessados por alimentos que combinem proteína e gorduras de melhor qualidade.
Uma das possibilidades é preparar um pão sírio com sardinha ou atum. Além disso, essas opções costumam ser mais práticas para a rotina e podem contribuir para uma refeição com menor quantidade de alimentos industrializados.
Segundo Tarcila, o objetivo não é eliminar totalmente a gordura da alimentação, mas escolher fontes que também ofereçam benefícios nutricionais.
A forma de preparo também influencia
A especialista alerta que um alimento pode perder parte das suas vantagens quando passa por fritura de imersão.
Ela cita como exemplo o peixe. Embora seja uma fonte de gorduras insaturadas, ao ser empanado e mergulhado em óleo quente, o alimento passa a incorporar maior quantidade de gordura utilizada na fritura.
Nesse contexto, a recomendação é priorizar preparações assadas, grelhadas ou cozidas. Além disso, o azeite pode ser utilizado para temperar saladas ou finalizar a refeição.
Abacate também aparece como opção para a noite
Durante a conversa, Tarcila também cita o abacate como alternativa para quem costuma fazer ceia ou um lanche mais tarde.
Segundo ela, a fruta contém gordura de boa qualidade e pode ser consumida de diferentes formas, respeitando as quantidades indicadas para cada pessoa.
Entre as sugestões estão o creme de abacate preparado com leite ou leite em pó e o guacamole, feito com abacate, tomate, cebola e um fio de azeite.
Além disso, ela comenta que algumas pessoas utilizam o abacate combinado com proteína, como whey protein, quando essa estratégia faz parte do plano alimentar elaborado pelo profissional responsável.
Quantidade e individualização continuam sendo fundamentais
Apesar das recomendações, Tarcila reforça que não existe uma única estratégia para todas as pessoas com diabetes.
Segundo ela, alimentos ricos em gorduras de boa qualidade podem retardar a absorção dos carboidratos. No entanto, o excesso também pode influenciar a glicose horas após a refeição.
Por isso, a nutricionista destaca que a combinação dos alimentos, a quantidade consumida e os objetivos de cada pessoa devem orientar as escolhas feitas no jantar e nas demais refeições do dia.
