Uma mesa de café da manhã costuma reunir pão francês, cuscuz, café e frutas. Para quem recebe o diagnóstico de diabetes tipo 2, esse momento passa a exigir escolhas diferentes, mas nem sempre é preciso excluir alimentos tradicionais da rotina.
Segundo a nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos, membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o mais importante é avaliar a quantidade consumida e a forma como os alimentos são combinados.
Cuscuz ou pão: qual causa menor impacto na glicemia?
Na comparação entre cuscuz de milho e pão industrializado, Tarcila explica que o cuscuz costuma oferecer vantagens por ser um alimento menos processado. Produzido a partir do milho, ele preserva fibras e outros nutrientes presentes no grão.
Segundo a especialista, muitas pessoas acreditam que comprar um pão industrializado representa uma escolha melhor para o diabetes. No entanto, o cuscuz pode ser uma alternativa mais interessante quando faz parte de uma refeição equilibrada.
Isso não significa que o pão precise ser retirado do cardápio. O ponto central continua sendo a quantidade e o restante da refeição.
O pão pode continuar no café da manhã
Quem tem diabetes não precisa abandonar o pão francês após o diagnóstico. Tarcila afirma que o alimento pode permanecer na alimentação, desde que seja consumido em porções adequadas e acompanhado de proteínas.
Entre as estratégias sugeridas está consumir um pão de tamanho tradicional, retirar parte do miolo quando possível e acrescentar alimentos como ovo mexido. Essa combinação reduz a velocidade de absorção dos carboidratos em comparação ao consumo do pão sozinho.
A nutricionista também orienta evitar somar muitos carboidratos na mesma refeição. Quem costuma comer pão e fruta ao mesmo tempo pode, por exemplo, deixar a fruta para outro horário do dia e incluir uma fonte de proteína no café da manhã.
Quantidade pesa mais do que o alimento escolhido
Para pessoas com diabetes tipo 2, a resistência à insulina faz com que o controle da quantidade de carboidratos tenha papel importante na alimentação.
Segundo Tarcila, não existe um alimento capaz de resolver ou provocar sozinho alterações da glicemia. O resultado depende do tamanho da porção, da combinação dos alimentos e das características de cada pessoa.
Nesse contexto, trocar o pão pela aveia ou escolher apenas alimentos considerados saudáveis não garante melhor controle da glicose. A aveia contém fibras e outros nutrientes, mas continua sendo fonte de carboidratos. Se consumida em excesso, também pode elevar a glicemia.
Cuscuz também deve ser consumido com equilíbrio
O cuscuz não é um alimento livre para consumo sem controle de porções. A nutricionista recomenda iniciar com duas a três colheres de sopa e sempre incluir uma fonte de proteína na refeição.
Ovos, queijo, frango desfiado e iogurte são algumas combinações citadas durante a entrevista. Essa estratégia ajuda a tornar a absorção dos carboidratos mais lenta.
Além disso, Tarcila destaca que a escolha deve considerar os hábitos alimentares da pessoa. Em regiões onde o cuscuz faz parte da cultura alimentar, ele pode permanecer no cardápio sem necessidade de substituição pelo pão.
Cada organismo responde de forma diferente
Embora o cuscuz apresente vantagens em relação ao pão industrializado, a resposta da glicemia varia entre as pessoas.
A especialista explica que algumas controlam melhor a glicose após consumir cuscuz, enquanto outras apresentam resultados diferentes. Por isso, quando existe acesso à monitorização da glicemia, seja com glicosímetro ou sensor, o acompanhamento ajuda a entender como cada alimento influencia o organismo.
Segundo Tarcila, o objetivo da alimentação no diabetes não é excluir alimentos tradicionais, mas adaptar quantidades, combinações e horários de acordo com a realidade de cada pessoa.
