O pão costuma ser um dos primeiros alimentos retirados da alimentação de quem recebe o diagnóstico de diabetes ou pré-diabetes. A preocupação faz sentido, ele é uma fonte importante de carboidrato e pode elevar a glicemia rapidamente quando consumido sozinho.
No entanto, segundo Danilo Araújo, nutricionista especialista em diabetes, a questão não está apenas no alimento em si, mas na forma como ele é consumido dentro da refeição.
“Posso comer o meu pãozinho? Posso, desde que tenha estratégia para comer ele”, explica o especialista.
Como o pão afeta a glicemia
O carboidrato presente é convertido em glicose durante a digestão. Por isso, quando o alimento é consumido isoladamente, a tendência é que a glicemia aumente de forma mais rápida.
Segundo Danilo Araújo, esse efeito pode ser mais perceptível em pessoas com diabetes ou pré-diabetes, já que o organismo apresenta dificuldade para lidar com a glicose circulante.
Nesse contexto, o especialista orienta que o consumo do pão seja planejado dentro de uma refeição equilibrada, em vez de ocorrer sozinho.
A quantidade também faz diferença
Além da composição da refeição, a quantidade consumida merece atenção. Danilo Araújo explica que a estratégia não envolve consumir vários pães na mesma refeição. Segundo ele, a recomendação é controlar a porção e evitar excessos.
“O que você tem que pensar é o seguinte: você não vai comer dois ou três pães, você vai comer um pão”, afirma.
Portanto, o controle da quantidade representa uma das medidas que podem ajudar a reduzir oscilações maiores da glicemia após a refeição.
O que combinar com o pão para reduzir o pico de glicose
Segundo o nutricionista, uma estratégia prática consiste em combinar o pão com fontes de proteína e gordura.
Entre os exemplos citados estão ovos e queijo. Dessa forma, a refeição passa a reunir os três macronutrientes principais: carboidratos, proteínas e gorduras.
Enquanto o pão fornece carboidrato, os outros alimentos ajudam a compor uma refeição mais completa.
Por que proteína e gordura podem ajudar
De acordo com Danilo Araújo, quando o pão é consumido junto com proteína e gordura, a digestão do carboidrato ocorre de forma mais lenta.
Como consequência, a entrada da glicose na corrente sanguínea também tende a acontecer de maneira menos acelerada.
“O seu corpo, na hora que ele for digerir o seu pão, vai digerir o carboidrato dele de uma maneira mais lenta”, explica.
Segundo o especialista, esse mecanismo contribui para diminuir o pico de glicemia após a refeição.
Além disso, a estratégia permite que o alimento continue fazendo parte da rotina alimentar sem a necessidade de exclusões automáticas.
Cortar o pão é sempre necessário?
A ideia de que toda pessoa com diabetes precisa eliminar o pão da alimentação é comum. No entanto, Danilo Araújo afirma que o conhecimento sobre os alimentos e suas combinações pode ajudar na construção de escolhas mais adequadas.
Nesse contexto, o foco passa a ser a organização da refeição, o tamanho da porção e a combinação dos nutrientes consumidos.
Por outro lado, cada pessoa possui necessidades individuais. Portanto, orientações específicas devem ser definidas junto à equipe de saúde responsável pelo acompanhamento do tratamento.
5 dicas para comer pão tendo diabetes ou pré-diabetes
Segundo Danilo Araújo, algumas estratégias podem ajudar a incluir o pão na alimentação sem favorecer picos mais acentuados de glicemia:
- Controle a quantidade
Evite consumir dois ou três pães na mesma refeição. Uma porção pode ser suficiente dentro de um plano alimentar equilibrado. - Não coma o pão sozinho
Consumir o pão isoladamente pode fazer a glicemia subir mais rápido. - Inclua uma fonte de proteína
Ovos são um exemplo citado pelo especialista para complementar a refeição. - Acrescente uma fonte de gordura
Alimentos como queijo podem ajudar a compor uma refeição mais completa. - Monte uma refeição com os três macronutrientes
A combinação de carboidratos, proteínas e gorduras pode tornar a digestão do carboidrato mais lenta e reduzir os picos de glicemia após a refeição.
