A manga costuma aparecer com frequência na mesa dos brasileiros, principalmente na época da safra. Para muitas pessoas que convivem com diabetes tipo 2, porém, a fruta acaba sendo retirada da alimentação logo após o diagnóstico.
Segundo a nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos, membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), essa decisão nem sempre é necessária. O ponto principal está na quantidade consumida e na forma como a fruta é incluída na refeição.
Manga não está na lista de alimentos proibidos
Durante participação no Diabetes Cast, Tarcila explicou que não existe uma fruta proibida para quem tem diabetes. Segundo ela, a orientação deve considerar o contexto de cada pessoa, seus hábitos alimentares e a resposta do organismo.
A nutricionista afirma que muitas pessoas chegam ao consultório acreditando que precisam eliminar alimentos que gostam. No entanto, o objetivo do tratamento nutricional não é criar uma lista de proibições, mas organizar a alimentação para favorecer o controle da glicemia.
Ela também destaca que não existe uma fruta considerada ideal para todas as pessoas. O mais importante é escolher frutas que façam parte da rotina, sejam acessíveis e possam ser consumidas na quantidade indicada para cada caso.
1. Controle a quantidade da manga
A primeira orientação é prestar atenção na porção.
Segundo Tarcila, frutas são alimentos in natura e fazem parte de uma alimentação saudável. Ainda assim, elas contêm carboidratos, que influenciam os níveis de glicose no sangue.
Por isso, quem convive com diabetes tipo 2 deve evitar exageros. Como referência inicial, a nutricionista orienta começar com uma porção equivalente ao tamanho da palma da mão e ajustar essa quantidade conforme a orientação do profissional de saúde e a resposta individual do organismo.
2. Evite comer a manga sozinha
Outra estratégia é combinar a fruta com uma fonte de proteína ou outro alimento que ajude a reduzir a velocidade de absorção dos carboidratos.
Durante a conversa, Tarcila explicou que uma fruta consumida junto com alimentos como iogurte natural pode provocar uma resposta glicêmica diferente daquela observada quando ela é ingerida sozinha.
Segundo ela, essa combinação faz parte da personalização do tratamento nutricional e pode contribuir para um controle glicêmico mais estável.
3. Conheça a resposta do seu organismo
A terceira dica envolve o monitoramento da glicose.
Tarcila explica que cada organismo reage de forma diferente aos alimentos. Algumas pessoas conseguem consumir determinada fruta sem alterações importantes na glicemia, enquanto outras apresentam respostas diferentes.
Por isso, ela afirma que a monitorização da glicose, seja por meio da ponta de dedo ou do sensor, quando disponível, permite entender como cada alimento interfere nos níveis de glicose e ajuda a ajustar a alimentação de forma individualizada.
Segundo a nutricionista, essa informação oferece mais segurança para montar um plano alimentar sem retirar alimentos desnecessariamente.
O foco não deve ser apenas a manga
Durante o episódio, Tarcila reforçou que um dos erros mais comuns após o diagnóstico é procurar um alimento “vilão” ou um alimento “milagroso”.
Ela explica que o impacto da alimentação depende do conjunto da refeição. A presença de verduras, legumes, proteínas e fibras pode modificar a velocidade de absorção dos carboidratos e favorecer o controle da glicemia.
Por isso, a orientação nutricional vai além de decidir se uma pessoa pode ou não comer manga. O objetivo é organizar a alimentação de forma que ela seja compatível com a rotina, os hábitos e as necessidades individuais.
