A batata faz parte da alimentação de muitas pessoas com diabetes. No entanto, a forma como ela é preparada pode influenciar a resposta da glicose após a refeição. A diferença não está apenas na quantidade de carboidratos, mas também na velocidade com que esse carboidrato é absorvido pelo organismo.
Durante participação no DiabetesCast, a médica endocrinologista pesquisadora Denise Franco e a nutricionista que convive com diabetes tipo 1 Juliana Baptista explicaram por que o purê de batata costuma elevar a glicose mais rapidamente do que a batata cozida.
Purê de batata costuma elevar a glicose mais rápido
Segundo Juliana Baptista, a quantidade de carboidratos de um alimento não determina sozinha o comportamento da glicose após a refeição. Além disso, é necessário observar o índice glicêmico, que representa a velocidade com que a glicose chega à corrente sanguínea.
Nesse contexto, o purê de batata costuma apresentar uma absorção mais rápida do que a batata cozida. Isso acontece porque a batata já foi amassada e processada durante o preparo.
De acordo com a nutricionista, quando o alimento já está processado, o sistema digestivo realiza menos etapas para transformá-lo em glicose. Como resultado, a elevação da glicemia tende a ocorrer mais rapidamente.
Quantidade de carboidrato e índice glicêmico são coisas diferentes
Uma dúvida comum entre pessoas com diabetes é acreditar que alimentos com a mesma quantidade de carboidratos terão exatamente o mesmo efeito na glicose.
No entanto, Denise Franco explica que o índice glicêmico e a contagem de carboidratos são conceitos diferentes. A contagem mostra quanto carboidrato existe na refeição. Já o índice glicêmico indica a velocidade com que esse carboidrato será absorvido.
Por isso, dois alimentos com quantidades semelhantes de carboidratos podem produzir curvas glicêmicas diferentes.
Segundo as especialistas, essa diferença ajuda a explicar por que algumas refeições provocam aumento mais rápido da glicose mesmo quando a quantidade de carboidratos parece semelhante.
A forma de preparo muda a resposta da glicose
O purê de batata é apenas um exemplo de como o preparo interfere na glicemia.
Durante o DiabetesCast, Juliana Baptista comparou esse efeito ao consumo de frutas. Segundo ela, o suco costuma elevar a glicose mais rapidamente do que a fruta inteira. Isso ocorre porque parte das fibras fica retida durante o preparo, enquanto a parte mais rica em açúcar permanece concentrada na bebida.
Da mesma forma, a batata amassada tende a ser absorvida mais rapidamente do que a versão cozida em pedaços.
Portanto, quem utiliza insulina ou monitora a glicemia frequentemente pode observar diferenças importantes dependendo da forma de preparo dos alimentos.
Combinar alimentos pode reduzir a velocidade de absorção
A velocidade de aumento da glicose também depende do que acompanha a refeição.
Segundo Juliana Baptista, proteínas e fibras ajudam a reduzir o índice glicêmico dos alimentos consumidos junto com os carboidratos.
Nesse contexto, consumir batata junto com fontes de proteína, como frango, peixe, ovos, carnes ou queijos, pode modificar a resposta glicêmica da refeição.
Além disso, verduras, legumes e outros alimentos ricos em fibras também contribuem para uma absorção mais gradual.
As especialistas destacam que a alimentação deve ser analisada como um conjunto. Por isso, observar apenas um alimento isoladamente nem sempre permite prever o comportamento da glicose.
Contagem de carboidratos continua importante
Embora o índice glicêmico ajude a entender a velocidade de absorção, a contagem de carboidratos continua sendo uma ferramenta importante para muitas pessoas com diabetes.
Segundo Juliana Baptista, a estratégia permite ajustar a quantidade de insulina de acordo com os carboidratos consumidos, reduzindo o risco de hipoglicemia e hiperglicemia.
Além disso, a técnica oferece mais flexibilidade alimentar e pode ser utilizada não apenas por pessoas com diabetes tipo 1, mas também em situações como diabetes gestacional e diabetes tipo 2.