Um vídeo do advogado Lucas Duarte, que vive com diabetes, mostra quanto ele pagou por uma caixa de insulina na Itália e explica como o acesso ao medicamento pode influenciar o preço. Segundo ele, a embalagem com cinco canetas custou 2 euros (cerca de R$ 11,30).
No mesmo vídeo, Lucas afirma que pessoas sem acesso à cobertura utilizada por ele podem pagar entre 65 e 69 euros (cerca de R$ 367,25 a R$ 389,85), dependendo da localidade. Esses valores correspondem ao relato do advogado e não a uma tarifa nacional confirmada para todas as compras.
Lucas explica que pagou o valor reduzido porque está inscrito no sistema público de saúde italiano. Ele também afirma que ainda não obteve a isenção que, segundo seu relato, permitirá retirar o medicamento sem pagar.
A experiência levanta dúvidas sobre como funciona o fornecimento de insulina na Itália, quais despesas o sistema público cobre e em quais situações o paciente precisa pagar pelo medicamento.
Como funciona o sistema público de saúde italiano
A Itália possui o Servizio Sanitario Nazionale (SSN), sistema público que organiza a assistência à saúde no país. O modelo prevê cobertura de tratamentos e medicamentos conforme as regras nacionais, a classificação dos produtos e as condições de acesso dos pacientes.
O Ministério da Saúde italiano prevê isenção de determinadas despesas relacionadas ao acompanhamento de doenças crônicas, incluindo diabetes. A cobertura contempla procedimentos previstos nas regras nacionais, mas não significa que todos os medicamentos sejam gratuitos em qualquer situação.
A diferença é relevante porque o pagamento de medicamentos segue regras próprias. Na Itália, os produtos são classificados em categorias que determinam se o custo pode ser coberto pelo sistema público ou se fica a cargo do paciente.
Quando o paciente precisa pagar pela insulina
Segundo o Ministério da Saúde italiano, os medicamentos da faixa A são, em regra, custeados pelo sistema público para pacientes que atendem às condições de cobertura. Algumas regiões, porém, cobram uma taxa adicional, conhecida como ticket, para determinados medicamentos.
Já os medicamentos classificados na faixa C têm o custo atribuído ao paciente. Por isso, o diagnóstico de diabetes, isoladamente, não garante gratuidade de todos os medicamentos prescritos.
No caso das insulinas, a apresentação comercial e a classificação regulatória precisam ser verificadas antes de atribuir um preço à cobertura pública.
Uma determinação publicada na Gazzetta Ufficiale, publicação oficial do governo italiano, em agosto de 2023 classificou determinadas apresentações de Abasaglar, uma insulina glargina, na faixa C. O documento se refere a embalagens com cinco canetas preenchidas e não permite concluir que todas as insulinas glargina tenham a mesma classificação.
O vídeo de Lucas menciona a insulina Basaglar, que é a insulina glargina. Como o documento oficial consultado se refere a Abasaglar, é necessário confirmar o nome comercial exato, a apresentação comprada e as condições da aquisição antes de estabelecer uma relação direta entre o preço de 2 euros (cerca de R$ 11,30) e o reembolso pelo SSN.
Quanto custa a insulina para turistas
O valor de 65 a 69 euros (cerca de R$ 367,25 a R$ 389,85) citado por Lucas corresponde ao relato dele sobre compras sem a cobertura que utiliza. Não foi possível confirmar, nas fontes oficiais consultadas, que esse intervalo seja uma tarifa nacional aplicada a todos os turistas na Itália.
O Ministério da Saúde italiano estabelece regras específicas para a assistência a estrangeiros. As condições variam conforme a situação de cada pessoa, a cobertura de saúde e o tipo de atendimento necessário.
Para um brasileiro em viagem, a necessidade de substituir a insulina pode envolver uma consulta médica e a emissão de uma receita aceita no país. O custo final depende do medicamento, da apresentação, da prescrição e das condições de atendimento.
A isenção por diabetes não cobre tudo
O sistema italiano prevê isenção de determinadas despesas de acompanhamento para pessoas com doenças crônicas, incluindo diabetes. O benefício segue uma lista de procedimentos e condições estabelecidas nas normas nacionais.
Na assistência farmacêutica, porém, a isenção por doença crônica não elimina automaticamente todos os pagamentos. O Ministério da Saúde orienta que o paciente consulte a autoridade sanitária local, conhecida como ASL, para verificar as regras aplicáveis à sua região e ao medicamento prescrito.
No relato publicado nas redes sociais, Lucas afirma que ainda paga 2 euros (cerca de R$ 11,30) pela caixa de insulina e que espera obter a isenção total. As condições específicas desse benefício e a classificação do medicamento utilizado por ele ainda precisam ser confirmadas para explicar por que a compra teve esse custo.
