Paracatu, no noroeste de Minas Gerais, ganhou em 2023 uma rede de apoio que nasceu de uma necessidade compartilhada entre mães. Cansadas de enfrentar sozinhas os desafios do diabetes tipo 1 nos filhos, mães da cidade se uniram em um grupo. Autodenominado “Mães Pâncreas”, ele buscava melhores condições de tratamento, acolhimento e apoio.
A mobilização chamou a atenção de uma vereadora que abraçou a causa e ajudou a estruturar a iniciativa. Assim nasceu a Associação Mãos que Acolhem de Paracatu, a AMAP. Hoje, a organização é uma entidade da sociedade civil sem fins lucrativos. Ela acompanha mais de 150 pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 na região.
Da Casa de Apoio à constituição formal
Ainda em 2023, antes mesmo da formalização jurídica, a AMAP criou seu primeiro projeto, a Casa de Apoio. O espaço recebe pacientes e acompanhantes vindos de outros municípios da região que precisam se deslocar até Paracatu para tratamento de saúde.
A estrutura oferece alimentação, local para descanso e itens de higiene pessoal durante o período de tratamento. Em 2024, a associação foi oficialmente constituída como organização da sociedade civil sem fins lucrativos. A formalização ampliou o alcance das ações voltadas ao cuidado de pessoas com diabetes.
Monitoramento contínuo e acompanhamento multiprofissional
Com a estrutura formalizada, a AMAP implantou o Projeto Vivendo Bem com Diabetes, voltado a pessoas com diabetes tipo 1. A iniciativa disponibiliza sensores para monitoramento contínuo da glicose, acompanhamento multiprofissional e ações de educação em diabetes, além de monitoramento periódico dos pacientes.
Segundo a associação, a equipe reúne enfermeira, nutricionista, endocrinologista pediatra e assistente social. Esses profissionais também orientam as famílias e conduzem o acompanhamento clínico e social contínuo. Essa combinação, explica a instituição, contribui para maior segurança no tratamento e para a redução de complicações relacionadas à doença.

RitBox amplia o cuidado para além da glicemia
Em 2025, a AMAP passou a atuar também na prevenção. O Projeto RitBox oferece aulas gratuitas de exercícios funcionais para a comunidade de Paracatu, incentivando a prática regular de atividade física. A proposta reforça uma frente que vai além do diabetes. O exercício físico funciona, assim, como estratégia de promoção da saúde e de controle de doenças crônicas associadas, como hipertensão e obesidade.
Quem a AMAP atende
Atualmente, a associação acompanha mais de 150 pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2 em Paracatu. O público reúne crianças, adolescentes, adultos e idosos, e inclui pessoas em situação de vulnerabilidade social. Esse grupo costuma enfrentar barreiras adicionais de acesso a insumos e a acompanhamento especializado. Por isso, precisa de acompanhamento contínuo e de educação em saúde para sustentar a adesão ao tratamento.
Além do cuidado direto aos pacientes, a associação presta assistência a familiares e cuidadores. As ações educativas apoiam o dia a dia do tratamento. Em três anos, a associação saiu de um grupo informal de mães para uma estrutura com atuação regional, sustentada por uma equipe mista de voluntários e profissionais, a maioria remunerada.
O que é importante entender
A trajetória da AMAP ilustra como associações de pacientes costumam nascer da mobilização de famílias diante de lacunas no cuidado oferecido pelo sistema de saúde. Em três anos, a organização saiu de um grupo informal de apoio para uma estrutura com equipe multiprofissional.
Os projetos hoje vão do acolhimento à prevenção. Iniciativas como a Casa de Apoio e o monitoramento contínuo de glicose mostram como o suporte comunitário pode complementar o tratamento clínico, sobretudo para famílias que precisam se deslocar de outras cidades da região em busca de atendimento especializado.
A associação funciona na Rua Francisco Xavier de Oliveira, no bairro Arraial D’Angola, e pode ser procurada por quem deseja apoiar o trabalho ou obter mais informações sobre os projetos.
