Você escova os dentes e percebe sangue na espuma ou no fio dental. Outras vezes, sente um gosto metálico na boca, mas não identifica de onde vem. Esses sinais podem parecer comuns, mas merecem atenção, especialmente para quem vive com diabetes.
A dentista e periodontista Bruna Ricci, que também convive com o diabetes tipo 1, explica que a saúde bucal e o controle da glicose estão relacionados. Em entrevista ao DiabetesCast, a especialista destacou a importância de reconhecer os sinais de doenças periodontais e adotar cuidados para evitar complicações.
Neste domingo (25/10), Dia do Dentista e Dia Nacional da Saúde Bucal, entenda como essa relação funciona e quais cuidados ajudam a preservar a saúde da boca.
Gengiva e glicose: uma relação de mão dupla
A doença periodontal afeta os tecidos que sustentam os dentes e está associada ao diabetes. O quadro costuma começar com a gengivite, uma inflamação causada pelo acúmulo de placa bacteriana. Quando não tratada adequadamente, ela pode evoluir para a periodontite, comprometendo esses tecidos.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver periodontite, especialmente quando a glicose está elevada. Já no sentido inverso, a inflamação periodontal também pode aumentar a resistência à insulina e dificultar o alcance das metas glicêmicas.
Pesquisas indicam que o cuidado com a inflamação gengival pode favorecer a redução da hemoglobina glicada (HbA1c), embora os resultados variem e as evidências em pessoas com diabetes tipo 1 ainda sejam limitadas. Nesse contexto, a prevenção e a atenção aos sinais de problemas bucais são fundamentais. Veja a seguir, quais são os cuidados com a boca que fazem a diferença para quem tem diabetes.
12 cuidados com a boca para quem tem diabetes
1. Não considere o sangramento normal
“Gengiva saudável não sangra”, afirma Bruna. Sangramento durante a escovação ou o uso do fio dental pode indicar inflamação. A dentista também alerta para o gosto de sangue na boca, mesmo quando o sangramento não é visível. Ao perceber esses sinais, procure avaliação odontológica.
2. Procure ajuda ao notar os primeiros sinais
A gengivite pode regredir quando a placa bacteriana é removida adequadamente. Já a periodontite pode provocar perda dos tecidos que sustentam os dentes. Segundo a dentista, a doença pode progredir mais rapidamente em pessoas com diabetes. Vermelhidão, inchaço ou sangramento frequente merecem avaliação.
3. Escove os dentes regularmente
A escovação ajuda a remover a placa bacteriana e prevenir cáries e problemas gengivais. Especialistas recomendam manter a higiene ao longo do dia, preferencialmente após as refeições.
4. Use fio dental diariamente
A escova não alcança adequadamente todos os espaços entre os dentes. Por isso, o fio dental deve ser usado pelo menos uma vez ao dia para remover resíduos e placa bacteriana dessas regiões.
5. Higienize a língua
A língua acumula bactérias e resíduos que podem formar uma camada esbranquiçada, chamada saburra lingual, e contribuir para o mau hálito. A limpeza pode ser feita com raspador próprio ou com a escova, usando movimentos suaves.
6. Escolha o creme dental conforme sua necessidade
Não existe um creme dental específico que todas as pessoas com diabetes precisem usar. Como explica Bruna, “tem creme dental específico pra tudo, não pra diabetes”. A escolha depende das condições bucais e pode ser orientada pelo dentista.
7. Fique atento à boca seca
A saliva ajuda a umidificar e limpar a boca, além de proteger os dentes. A redução da salivação pode aumentar o risco de problemas bucais. A boca seca pode estar relacionada à hiperglicemia, mas também tem outras causas.
8. Converse sobre medicamentos que podem ressecar a boca
Alguns medicamentos podem provocar boca seca. Bruna relata ter observado o sintoma em pacientes que utilizavam medicamentos para diabetes tipo 2 e obesidade. A associação ainda precisa ser avaliada com cautela. Se a secura começar ou piorar após iniciar um medicamento, converse com os profissionais de saúde e não interrompa o tratamento por conta própria.
9. Investigue o mau hálito persistente
O mau hálito pode estar relacionado à saburra lingual, à redução da saliva ou à doença periodontal. Uma avaliação odontológica ajuda a identificar a causa. A dentista também alerta para o hálito cetônico, que pode lembrar o cheiro de frutas muito maduras. Quando acompanhado de náuseas, vômitos, dor abdominal, respiração acelerada ou alteração da consciência, exige atendimento de emergência, pois pode indicar cetoacidose diabética.
10. Faça avaliações odontológicas regulares
As consultas permitem identificar problemas antes que avancem e definir a frequência de acompanhamento conforme as necessidades de cada pessoa. O cuidado odontológico deve fazer parte da atenção geral à saúde de quem tem diabetes.
11. Peça uma avaliação periodontal completa
O tratamento periodontal não se resume a uma limpeza convencional. Bruna explica que a avaliação pode incluir sondagem periodontal, procedimento que verifica os espaços entre a gengiva e os dentes, além de exames de imagem quando indicados. O acompanhamento permite avaliar a evolução da doença e orientar a manutenção.
12. Mantenha médico e dentista informados
Informe ao dentista que você tem diabetes e quais medicamentos utiliza. Da mesma forma, converse com a equipe médica sobre problemas bucais identificados durante o acompanhamento. A integração entre os profissionais ajuda a definir os cuidados adequados para cada situação.
Diabetes e saúde bucal exigem atenção conjunta
Ter diabetes não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá doença periodontal. Com higiene diária, avaliações regulares e tratamento quando necessário, é possível prevenir problemas e controlar a inflamação. Bruna resume a importância desse cuidado com uma orientação:
“Eu acho que o meu recado mais importante é que é isso, saúde bucal e saúde geral não se separam nunca. Então, faça do cuidado bucal parte do cuidado do diabetes e da sua saúde geral”.
Quer saber mais sobre o assunto? Confira o bate papo completo que tivemos com a dentista e periodontista Bruna Ricci.
