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    Tratamento

    Cetoacidose diabética: saiba reconhecer os sinais antes que o quadro se agrave

    Sintomas que parecem banais podem ser o início de uma emergência médica
    Vânia Vaccari2 de julho de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Cetoacidose diabética
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    A cetoacidose diabética pode começar com sintomas que parecem comuns, como sede que não passa, vontade de urinar com frequência incomum e uma fraqueza que surge do nada. Para quem vive com diabetes, esses sinais podem ser confundidos com um dia ruim, mas também podem indicar uma emergência médica que evolui rapidamente. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), reconhecer os sintomas precocemente é determinante para evitar complicações graves.

    O que é a cetoacidose diabética e por que ela é uma emergência

    A cetoacidose diabética acontece quando o corpo não tem insulina suficiente para usar a glicose como fonte de energia. Diante dessa falta, o organismo passa a queimar gordura de forma acelerada, e esse processo gera substâncias chamadas cetonas.

    Em excesso, as cetonas se acumulam no sangue e tornam o organismo ácido, o que compromete o funcionamento de órgãos vitais. A condição ocorre principalmente no diabetes tipo 1, mas a SBD alerta que também pode atingir pessoas com diabetes tipo 2. Por evoluir rapidamente e oferecer risco real à vida, a cetoacidose é considerada uma emergência médica.

    Sinais de alerta: o que observar primeiro

    Os primeiros sintomas costumam ser sutis e fáceis de confundir com cansaço ou mal-estar passageiro. Sede excessiva e vontade de urinar com frequência muito acima do normal estão entre os primeiros sinais. Isso acontece porque o corpo tenta eliminar o excesso de glicose pela urina, levando à perda de líquidos. Fraqueza, náuseas e vômitos também costumam aparecer nessa fase inicial, assim como dor ou sensibilidade abdominal. Outro sinal característico é o hálito cetônico, com odor que lembra fruta podre, resultado direto do acúmulo de cetonas no organismo.

    Quando o quadro se agrava: sinais de emergência

    Se não tratada, a cetoacidose evolui para sintomas mais graves, que exigem atendimento imediato. A respiração pode se tornar ofegante, um mecanismo do corpo para tentar eliminar o excesso de ácido. Taquicardia, pressão baixa e desidratação costumam acompanhar esse agravamento, junto com febre ou, em alguns casos, queda da temperatura corporal.

    Em estágios mais avançados, surgem sonolência excessiva e confusão mental, sinais de que o quadro está comprometendo o sistema nervoso. Segundo a SBD, em até 10% dos casos a cetoacidose pode evoluir para coma. Diante de qualquer combinação desses sintomas, a orientação é clara: procurar o pronto-socorro sem demora.

    Quais valores podem indicar risco de cetoacidose diabética?

    A glicemia elevada é um dos sinais da cetoacidose diabética, mas ela, sozinha, não confirma o diagnóstico. A doença é caracterizada pela combinação de hiperglicemia, presença de cetonas e acidose metabólica. Em alguns casos, chamados de cetoacidose euglicêmica, a complicação pode ocorrer até mesmo com glicemias abaixo de 200 mg/dL, especialmente em pessoas que utilizam inibidores de SGLT2 ou durante a gestação. Por isso, sintomas como náuseas, vômitos, dor abdominal, respiração ofegante e hálito cetônico nunca devem ser ignorados.

    Exame ou parâmetroValor de alertaO que significa
    GlicemiaAcima de 200 mg/dLÉ um dos critérios para suspeita de cetoacidose, mas não basta isoladamente para confirmar o diagnóstico.
    Cetonemia (beta-hidroxibutirato)1,5 a 3,0 mmol/LIndica aumento do risco de cetoacidose. É recomendada avaliação médica e, se necessário, realização de gasometria.
    Cetonemia (beta-hidroxibutirato)≥ 3,0 mmol/LCritério laboratorial compatível com cetoacidose diabética quando associado à acidose metabólica.
    pH venosoMenor que 7,3Mostra que o sangue está ácido, um dos principais critérios da doença.
    Bicarbonato séricoMenor que 15 mEq/LIndica acidose metabólica e ajuda a confirmar o diagnóstico.

    Como os médicos classificam a gravidade da cetoacidose?

    GravidadepHBicarbonatoBeta-hidroxibutirato
    Leve7,25–7,3015–18 mEq/L3–6 mmol/L
    Moderada7,00–7,2410–14,9 mEq/L3–6 mmol/L
    GraveAbaixo de 7,00Menor que 10 mEq/LAcima de 6 mmol/L

    Quanto menores os valores de pH e bicarbonato e maiores os níveis de cetonas, maior é a gravidade da cetoacidose diabética e a necessidade de tratamento intensivo, geralmente em ambiente hospitalar.

    Importante: Se a pessoa com diabetes apresentar glicemia elevada associada a cetonas positivas, náuseas, vômitos, dor abdominal, respiração rápida ou profunda, hálito com cheiro de fruta e sonolência, a orientação é procurar imediatamente um serviço de urgência. Não é recomendado tentar tratar a cetoacidose em casa.

    O que pode causar a cetoacidose

    Diversos fatores podem desencadear a cetoacidose diabética, segundo a SBD. A causa mais direta é a omissão do tratamento, seja pela falta de aplicação de insulina, seja pela interrupção de medicamentos. O quadro também pode estar associado ao mau funcionamento da bomba de insulina em quem usa esse dispositivo. Doenças agudas representam outro gatilho comum, incluindo infecções urinárias, pulmonares ou quadros gripais, além de eventos como infarto do miocárdio e hemorragia digestiva.

    Distúrbios endócrinos, como feocromocitoma, hipertireoidismo e acromegalia, também figuram entre as causas possíveis. O uso de determinadas substâncias pode contribuir para o quadro, entre elas corticoides, agonistas adrenérgicos, fenitoína, beta-bloqueadores, antipsicóticos, álcool e cocaína.

    Por fim, a desidratação tem papel relevante, seja pela ingestão insuficiente de água, por diarreia ou exposição à sauna. O consumo excessivo de refrigerantes e outras bebidas açucaradas também contribui.

    O que fazer diante dos sintomas

    A cetoacidose diabética é uma emergência médica e não deve ser tratada em casa. Diante de qualquer sinal de alerta, a recomendação da SBD é buscar atendimento no pronto-socorro imediatamente. É fundamental também avisar o médico responsável pelo tratamento assim que possível, para que o acompanhamento clínico continue de forma adequada após o atendimento emergencial.

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    Vânia Vaccari

    Jornalista com quase 30 anos de experiência em televisão no interior de São Paulo, atuando como coordenadora de conteúdo e responsável por produção de pautas. Atualmente é produtora executiva na TB Content.

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