Quem tem diabetes pode consumir bebidas alcoólicas sem prejudicar o controle da glicose? Essa dúvida, comum em festas e encontros com amigos, foi abordada pela influenciadora Helena, que convive com diabetes tipo 1. Em um vídeo que ganhou repercussão nas redes sociais, ela contou como concilia os momentos de lazer com os cuidados que adota para reduzir os riscos.
Apesar do tom descontraído, a influenciadora reconheceu que nem sempre teve os mesmos cuidados.
“Eu já passei muito aperto e já fui muito irresponsável nesse quesito. Mas como tudo na vida é processo, a gente vai aprendendo.”
O relato chama atenção porque o diagnóstico de diabetes não significa, necessariamente, que uma pessoa adulta esteja proibida de consumir bebidas alcoólicas. Entretanto, o álcool pode provocar alterações importantes na glicose, especialmente entre quem utiliza insulina.
Quem tem diabetes pode consumir bebida alcoólica?
A resposta depende das condições de saúde e do tratamento de cada pessoa. O consumo não é automaticamente proibido para todos os adultos com diabetes, mas exige cuidados e pode ser contraindicado em determinadas situações.
Durante uma entrevista ao DiabetesCast, a endocrinologista Denise Franco explicou que orientar sobre os riscos é mais importante do que simplesmente tratar o assunto como uma proibição.
“É melhor a gente ensinar como fazer pra fazer de uma maneira correta ou pelo menos com menos risco”, afirmou.
Segundo as orientações da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o consumo de álcool merece atenção especial em pessoas que utilizam insulina ou medicamentos que podem provocar hipoglicemia.
Isso não significa que exista uma quantidade de álcool completamente segura. A Organização Mundial da Saúde (OMS)alerta que o consumo está associado a riscos à saúde, mesmo em pequenas quantidades.
Influenciadora explica quais cuidados adota ao beber
No vídeo, Helena compartilhou três hábitos que considera importantes quando decide consumir bebidas alcoólicas.
O primeiro é não beber de estômago vazio.
“Primeiro de tudo, eu como antes, depois e se deixar até durante o rolê”, relatou.
A recomendação também é reforçada por Denise Franco, que orienta evitar o consumo de álcool em jejum, principalmente pelo risco de queda da glicose horas depois.
Outro cuidado da influenciadora é escolher bebidas com menos carboidratos. “Eu prefiro beber destilados que não tenham carboidrato. Como, por exemplo, a vodka, gin e até o uísque”, contou.
Ela também relata que costuma combinar essas bebidas com opções sem açúcar e pedir adaptações no preparo dos drinks. Embora essa escolha possa reduzir o impacto inicial na glicemia, bebidas sem açúcar continuam contendo álcool e não eliminam o risco de hipoglicemia. Além disso, misturar álcool com energéticos, mesmo sem açúcar, pode mascarar a percepção da embriaguez.
O terceiro hábito é acompanhar a glicose durante os momentos de lazer.
“Eu sempre estou monitorando a minha glicose enquanto eu estou bebendo”, afirmou.
Helena recomenda verificações bastante frequentes, mas esse é um cuidado pessoal, não uma regra universal. A frequência do monitoramento deve considerar o tratamento e as condições de cada pessoa.
Por que o álcool pode causar hipoglicemia?
Um dos principais riscos está no funcionamento do fígado. Quando uma pessoa consome álcool, o órgão prioriza sua metabolização, o que pode prejudicar a produção de glicose pelo organismo.
Por isso, mesmo que uma cerveja ou um drink com açúcar provoque uma elevação inicial da glicemia, existe a possibilidade de queda horas depois.
“Mas, num momento posterior, o risco de hipoglicemia é alto, amigos”, alerta Helena no vídeo.
A endocrinologista Denise Franco explica que a hipoglicemia pode ocorrer durante a madrugada ou até no dia seguinte, especialmente entre pessoas que utilizam insulina.
Além de interferir na glicose, o álcool pode comprometer a capacidade de tomar decisões. Segundo a especialista, isso merece atenção porque pessoas com diabetes precisam avaliar a glicemia, reconhecer sintomas e, em alguns casos, calcular doses de insulina. Sob efeito do álcool, essas decisões podem se tornar mais difíceis.
Outro problema é que sintomas como tontura, sonolência, confusão mental e dificuldade para falar podem ser confundidos com embriaguez.
Helena também chama atenção para essa dificuldade: “Então muitas pessoas nem percebem.”
Por isso, é importante que amigos ou familiares saibam que a pessoa tem diabetes e conheçam os sinais de uma possível hipoglicemia.
O que fazer para reduzir os riscos?
Para adultos com diabetes que optam por beber e não apresentam contraindicações, alguns cuidados são importantes:
- Não consumir álcool em jejum e evitar longos períodos sem comer.
- Monitorar a glicose antes, durante e após o consumo, principalmente antes de dormir.
- Intercalar bebidas alcoólicas com água e evitar excessos.
- Ter carboidratos de rápida absorção disponíveis para tratar uma eventual hipoglicemia.
- Não realizar correções extras de insulina por conta própria para compensar alterações na glicose após beber.
- Avisar pessoas próximas sobre o diabetes e não dirigir após consumir álcool.
As referências tradicionais de moderação utilizadas pela SBD mencionam até uma dose diária para mulheres e duas para homens adultos, quando não existem contraindicações. Uma dose corresponde aproximadamente a 350 mL de cerveja, 150 mL de vinho ou 45 mL de destilado. Esses valores não representam uma recomendação para beber nem garantem ausência de riscos.
O relato de Helena mostra que conviver com diabetes não significa necessariamente abrir mão dos momentos de lazer. Entretanto, conhecer os efeitos do álcool, acompanhar a glicose e seguir as orientações da equipe de saúde são cuidados importantes para reduzir os riscos e tomar decisões mais conscientes.
