As internações por diabetes tipo 1 entre crianças e adolescentes de até 19 anos aumentaram 46,9% no estado de São Paulo entre 2022 e 2025. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, as hospitalizações passaram de 1.348 para 1.980 no período. A faixa etária de 10 a 14 anos concentrou 41% dos registros.
O crescimento chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce e dos cuidados necessários para manter a glicose controlada. O diabetes tipo 1 exige aplicação diária de insulina, monitoramento da glicemia e acompanhamento médico. Sem tratamento adequado, a doença pode provocar complicações graves.
Os dados, porém, não significam necessariamente que houve um aumento equivalente de novos diagnósticos. As internações podem envolver tanto crianças que descobriram a doença recentemente quanto aquelas que já convivem com diabetes. Até o momento, não há informações detalhadas sobre as causas das hospitalizações registradas.
Quais são os sinais de alerta do diabetes tipo 1?
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o organismo destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina, hormônio necessário para que a glicose seja utilizada pelas células.
Diferentemente do diabetes tipo 2, o tipo 1 não é causado pelo consumo excessivo de açúcar, pela alimentação inadequada ou pela falta de atividade física. A condição pode surgir em qualquer idade, mas é frequentemente diagnosticada na infância e na adolescência.
De acordo com o Ministério da Saúde, os principais sintomas incluem:
- Sede excessiva e boca seca;
- Vontade frequente de urinar, inclusive durante a madrugada;
- Fome aumentada;
- Perda de peso sem explicação;
- Cansaço e fraqueza.
Esses sinais podem aparecer rapidamente. Uma criança que começa a beber muita água, urinar mais vezes ou emagrecer mesmo comendo normalmente precisa passar por avaliação médica. Reconhecer os sintomas pode evitar que o diagnóstico aconteça apenas quando a doença já provocou uma complicação grave.
Complicações que podem levar à internação
Uma das principais emergências relacionadas ao diabetes tipo 1 é a cetoacidose diabética. Ela ocorre quando a falta de insulina faz o organismo utilizar gordura como fonte de energia, provocando o acúmulo de substâncias chamadas cetonas, que tornam o sangue excessivamente ácido.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a condição pode causar náuseas, vômitos, dor abdominal, desidratação, respiração acelerada e alterações da consciência. É uma emergência médica que exige atendimento imediato.
A cetoacidose pode ser a primeira manifestação do diabetes em crianças ainda não diagnosticadas. Também pode ocorrer em quem já faz tratamento, especialmente diante de interrupções no uso de insulina, problemas na administração ou infecções.
Outra situação que pode exigir atendimento hospitalar é a hipoglicemia grave, quando a glicose cai a níveis muito baixos e a pessoa pode apresentar confusão mental, convulsões ou perda de consciência.
Embora essas complicações possam levar à hospitalização, os dados divulgados sobre São Paulo não detalham quantas internações ocorreram por cada uma dessas causas.
Os desafios do diabetes na infância e na adolescência
Receber o diagnóstico de diabetes tipo 1 significa incorporar novos cuidados à rotina familiar. A aplicação de insulina, o acompanhamento da glicose e o planejamento das refeições passam a fazer parte do dia a dia, inclusive durante as aulas, atividades físicas, viagens e passeios.
A alimentação também exige atenção. A contagem de carboidratos, por exemplo, ajuda a calcular as doses de insulina necessárias para as refeições, conforme orientação da equipe de saúde. Isso não significa que crianças e adolescentes precisem deixar de consumir todos os alimentos com carboidratos, mas que devem aprender a considerar seus efeitos na glicemia.
Na adolescência, as mudanças hormonais podem dificultar o controle da glicose. Ao mesmo tempo, os jovens começam a assumir mais responsabilidades pelo próprio tratamento, o que exige orientação e apoio.
A participação da família é fundamental nesse processo. Com acompanhamento adequado, crianças e adolescentes podem desenvolver autonomia para cuidar da saúde e continuar participando das atividades comuns à sua idade, como estudar, praticar esportes e viajar.
Como reduzir o risco de complicações e internações?
A prevenção começa pelo reconhecimento dos sintomas e pelo início rápido do tratamento após o diagnóstico. No diabetes tipo 1, a insulina é indispensável para a sobrevivência e deve ser utilizada conforme a prescrição médica.
As diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes destacam a importância de iniciar a insulinoterapia imediatamente após o diagnóstico clínico, reduzindo o risco de complicações como a cetoacidose diabética.
O monitoramento da glicose também é essencial. Sensores de glicose podem ajudar a acompanhar as variações ao longo do dia e identificar episódios de hipoglicemia e hiperglicemia. Outros recursos, como sistemas de infusão de insulina, podem facilitar o tratamento de acordo com as necessidades de cada paciente.
Além das tecnologias, a educação em diabetes permite que famílias e pacientes compreendam como agir diante de alterações da glicemia, episódios de febre, vômitos e outras situações que exigem atenção especial.
As escolas também têm um papel importante. Professores e funcionários precisam conhecer as necessidades dos estudantes com diabetes e saber como buscar ajuda em situações de emergência.
Para que esses cuidados sejam possíveis, é necessário garantir acompanhamento regular, acesso contínuo à insulina, aos insumos de monitoramento e às orientações dos profissionais de saúde. A prevenção de internações não depende apenas das famílias, mas também da estrutura e da assistência oferecidas aos pacientes.
Secretaria de Saúde é procurada sobre aumento das internações
O Portal Um Diabético procurou a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo para esclarecer as causas do aumento das internações e quais medidas estão sendo adotadas para melhorar o atendimento a crianças e adolescentes com diabetes tipo 1.
Até a última atualização desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
