A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização de tiras de glicemia Accu-Chek Active identificadas em anúncios na Amazon. A decisão, publicada nesta quinta-feira (22), ocorreu após a Roche Diabetes Care Brasil encontrar irregularidades na venda dos produtos e comunicar o caso à agência. Embora a Anvisa tenha classificado os materiais como falsificados, a fabricante esclareceu ao Portal Um Diabético que não há confirmação de falsificação.
A medida também proíbe a distribuição, a importação e o uso dos produtos envolvidos. A determinação não se aplica a todas as tiras Accu-Chek Active disponíveis no mercado, mas aos itens identificados na irregularidade.
O que motivou a proibição?
Segundo a Anvisa, a Roche identificou características diferentes das versões originais em dois anúncios na Amazon:
- Tiras Accu-Chek Active C/50, com 50 unidades;
- Kit Tiras Medidor Glicemia Accu-Check Active 100 Unidades, com 100 unidades.
Entre as irregularidades apontadas estavam a ausência da embalagem externa original e a inscrição “ONLY FOR GOVERNMENT TENDER”, expressão em inglês que significa “destinado exclusivamente a licitações governamentais”.
A decisão foi formalizada pela Resolução RE nº 4.143, de 20 de outubro de 2026 pela Anvisa, publicada no Diário Oficial da União em 22 de outubro.
A Agência Brasil também repercutiu a decisão e informou que procurou a Amazon para obter um posicionamento sobre a comercialização dos produtos.
Roche esclarece irregularidade e identifica lotes envolvidos
Em nota enviada ao Portal Um Diabético, a Roche Diabetes Care Brasil informou que identificou a comercialização irregular durante procedimentos internos rotineiros de fiscalização e controle. Segundo a empresa, a Anvisa foi notificada imediatamente após a descoberta.
A fabricante também esclareceu que os dados de identificação dos produtos são idênticos aos das tiras fabricadas oficialmente pela companhia.
“A Roche esclarece, ainda, que os dados de identificação dos produtos relacionados a esta questão são idênticos aos originais fabricados oficialmente pela empresa, não havendo qualquer confirmação de que sejam itens falsificados”, informou.
De acordo com a Roche, a irregularidade envolve os lotes 29533831 e 29534131, originalmente destinados exclusivamente ao atendimento de licitações públicas.
A empresa afirma que os materiais foram desviados sem sua autorização ou conhecimento e passaram a ser comercializados irregularmente no varejo, por meio de uma plataforma de comércio eletrônico, sem a embalagem externa original.
O esclarecimento apresenta uma distinção importante em relação ao comunicado da Anvisa. Enquanto a agência classificou os produtos como falsificados, a Roche afirma que não há confirmação dessa condição e aponta o desvio e a comercialização indevida como o problema identificado.
O que isso significa para quem utiliza as tiras?
As tiras reagentes Accu-Chek Active são utilizadas em aparelhos de glicemia capilar, conhecidos pelo teste de ponta de dedo. Elas permitem medir a concentração de glicose no sangue, informação importante para o acompanhamento do diabetes.
A procedência desses materiais merece atenção porque condições inadequadas de armazenamento, transporte ou conservação podem comprometer seu desempenho e a confiabilidade das medições.
Resultados incorretos podem dificultar a identificação de alterações na glicemia e interferir em decisões relacionadas ao tratamento, especialmente entre pessoas que utilizam insulina.
Entretanto, não há informações de que os lotes envolvidos neste caso tenham apresentado falhas de medição ou provocado danos à saúde. A Roche também reforçou que não existe confirmação de falsificação dos produtos.
O que fazer se você comprou essas tiras?
Pessoas que adquiriram tiras Accu-Chek Active devem conferir a identificação dos lotes e observar as condições das embalagens, especialmente quando a compra foi realizada pela internet.
A ausência da embalagem externa original e a inscrição “ONLY FOR GOVERNMENT TENDER” estão entre as características apontadas pela Anvisa nos produtos envolvidos.
Como a agência determinou a proibição de uso dos materiais identificados, consumidores que suspeitarem ter adquirido essas tiras devem evitar utilizá-las até que sua procedência seja esclarecida.
É recomendável guardar a embalagem, a nota fiscal e os registros da compra, que podem ajudar na identificação dos produtos e em eventuais reclamações. Suspeitas de irregularidades também podem ser comunicadas à vigilância sanitária.
Para quem depende da glicemia capilar no tratamento, é importante manter o monitoramento com materiais de procedência confiável e procurar orientação da equipe de saúde caso tenha dificuldades para obter novas tiras.
Na nota enviada ao portal, a Roche informou ainda que está desenvolvendo medidas para combater a comercialização irregular de seus produtos em plataformas de comércio eletrônico, incluindo procedimentos de denúncia e acompanhamento de possíveis ocorrências.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre a quantidade de unidades comercializadas ou eventuais problemas de saúde relacionados aos produtos envolvidos.
