Quem tem diabetes pode encontrar valores diferentes de glicemia ao longo do dia e, mesmo assim, estar dentro da meta estabelecida para o tratamento. A Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) 2026 mostra que a avaliação depende do horário da medição e do perfil de cada pessoa.
A dúvida sobre qual seria a glicose normal para quem tem diabetes costuma surgir principalmente diante de um resultado no glicosímetro ou no sensor. O problema é que um número isolado não permite interpretar o controle glicêmico sem considerar quando aquela medição foi feita.
A SBD considera diferentes momentos para estabelecer as metas, incluindo jejum, período antes das refeições, duas horas após o início da alimentação e horário de dormir. As referências também mudam conforme idade e condição clínica.
O horário muda a interpretação
Uma glicemia medida em jejum não é avaliada da mesma maneira que um resultado obtido depois de uma refeição. Por isso, a diretriz apresenta alvos específicos para cada período.
Para adultos, a referência estabelecida pela SBD para a glicemia de jejum e para o período antes das refeições fica entre 80 e 130 mg/dL. Já duas horas após o início da refeição, o objetivo é permanecer abaixo de 180 mg/dL. Metas de controle glicêmico
Ao deitar, a faixa de referência muda novamente. Para adultos, a diretriz considera valores entre 90 e 150 mg/dL. Metas de controle glicêmico
Isso significa que o mesmo resultado pode ter interpretações diferentes dependendo do momento em que a glicose foi medida. A comparação precisa ser feita com a meta correspondente àquele horário.
Qual é a glicose normal para quem tem diabetes?
Para adultos, a SBD estabelece como meta de glicemia capilar em jejum valores entre 80 e 130 mg/dL. Duas horas depois do início da refeição, a recomendação é manter a glicemia abaixo de 180 mg/dL. Metas de controle glicêmico
A escolha de 80 mg/dL como limite inferior da glicemia de jejum também tem uma justificativa. Segundo a diretriz, a SBD utiliza esse limite para reduzir o risco de episódios de hipoglicemia, com base em opinião de especialistas. Metas de controle glicêmico
Por isso, falar apenas em “glicose normal” pode simplificar uma situação que, na prática, envolve diferentes metas. O controle é avaliado a partir de um conjunto de medidas e não somente de um resultado isolado.
Hemoglobina glicada entra na avaliação
A glicemia mostra a quantidade de açúcar presente no sangue naquele momento. A hemoglobina glicada, conhecida como HbA1c, apresenta outra informação: uma estimativa da exposição média à glicose ao longo dos meses anteriores.
Segundo a SBD, a glicose se liga à hemoglobina durante a vida das hemácias, que dura aproximadamente três a quatro meses. A HbA1c, por isso, se relaciona com a média das glicemias nesse período. Metas de controle glicêmico

A diretriz recomenda, para a maioria das pessoas com diabetes, uma meta de HbA1c inferior a 7%, desde que o tratamento não provoque hipoglicemias graves e frequentes. Metas de controle glicêmico
A relação entre HbA1c e glicemia média também ajuda a entender por que um resultado não deve ser analisado isoladamente. A SBD aponta que uma HbA1c próxima de 7% corresponde a uma glicemia média estimada de aproximadamente 154 mg/dL. Metas de controle glicêmico
A meta pode mudar conforme a idade
A resposta também muda quando são consideradas características específicas da pessoa com diabetes. A Diretriz SBD 2026 apresenta metas diferentes para adultos, idosos e crianças e adolescentes.
Em idosos com diabetes tipo 2 que apresentam estado funcional e cognitivo preservados e não possuem comorbidades limitantes, a recomendação é uma HbA1c entre 7% e 7,5%. Metas de controle glicêmico
Já para idosos com comprometimento funcional, fragilidade, alterações cognitivas ou doenças que limitam a expectativa de vida, a SBD considera uma meta de HbA1c inferior a 8,5%, com o objetivo de evitar hipoglicemia. Metas de controle glicêmico
Em crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, a diretriz considera uma meta de hemoglobina glicada inferior a 7,5% em situações como hipoglicemia assintomática, histórico de hipoglicemia grave ou dificuldade de monitorização.
Sensor considera outra faixa
Para quem utiliza monitorização contínua de glicose, a avaliação também pode ser feita pelo Tempo no Alvo, conhecido pela sigla TIR, do inglês Time in Range. O indicador mostra quanto tempo a glicose permanece dentro de uma determinada faixa.
Para pessoas com diabetes tipo 1 não gestantes que utilizam sensor, a SBD recomenda que mais de 70% do tempo permaneça entre 70 e 180 mg/dL. Metas de controle glicêmico
O documento também estabelece limites para o tempo em hipoglicemia. Valores abaixo de 70 mg/dL devem representar menos de 4% do período monitorado, enquanto níveis abaixo de 54 mg/dL devem permanecer abaixo de 1%.
A hipoglicemia abaixo de 70 mg/dL é dividida pela SBD em níveis. Entre 54 e 69 mg/dL, é classificada como nível 1. Abaixo de 54 mg/dL, corresponde ao nível 2. O nível 3 ocorre quando a pessoa apresenta alteração física ou mental que exige ajuda de outra pessoa, independentemente do valor registrado.
Um único número não define o controle
A Diretriz SBD 2026 também recomenda avaliar a variabilidade glicêmica, que corresponde às oscilações da glicose ao longo do tempo. Um dos indicadores utilizados para essa análise é o coeficiente de variação.
Em pessoas não gestantes com diabetes tipo 1, a recomendação é manter esse coeficiente abaixo de 36%. A diretriz cita estudo no qual episódios de hipoglicemia foram mais frequentes entre pessoas com coeficiente acima desse valor.
A própria SBD ressalta que a hemoglobina glicada não deve ser a única medida utilizada para avaliar o controle glicêmico. Fatores que alteram as características das hemácias podem interferir na relação entre o exame e a glicemia média. Metas de controle glicêmico
A Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes 2026 foi revisada em setembro de 2026 e reúne recomendações para diferentes situações clínicas, incluindo glicemia capilar, hemoglobina glicada e monitorização contínua da glicose.
