A jornalista do ‘Um Diabético’, Estefane Moitinho, que convive com diabetes tipo 1, será uma das primeiras pacientes no Brasil a utilizar a insulina semanal. A experiência será registrada em uma série de conteúdos nas redes sociais do portal, com acompanhamento da endocrinologista Dra. Denise Franco.
Estefane apresentou a chegada do medicamento em um vídeo no qual descreve o momento como a realização de um sonho. A proposta é mostrar ao público as diferentes etapas do tratamento, desde a preparação para a primeira aplicação até a adaptação à nova rotina.

A insulina semanal permite substituir as aplicações diárias da insulina basal por uma aplicação a cada sete dias. Com isso, o número de aplicações desse tipo de insulina passa de aproximadamente 365 para 52 por ano.
Como funciona a insulina semanal
A insulina icodeca, desenvolvida pela Novo Nordisk e comercializada internacionalmente como Awiqli®, é uma insulina basal de ação prolongada. Ela foi desenvolvida para manter sua ação no organismo durante sete dias, diferentemente das insulinas basais que exigem aplicações diárias.

Após a aplicação, a molécula se liga de forma reversível à albumina, uma proteína presente no sangue. Esse mecanismo contribui para a liberação gradual da insulina, permitindo sua ação prolongada.
A função da insulina basal é ajudar a controlar a glicose entre as refeições, durante a noite e nos períodos de jejum. Com a icodeca, esse controle pode ser mantido com uma aplicação semanal, conforme a prescrição médica.
O que muda para quem tem diabetes tipo 1
A insulina semanal não substitui todas as aplicações necessárias para o tratamento do diabetes tipo 1. A mudança envolve apenas a insulina basal, enquanto as doses de insulina rápida ou ultrarrápida antes das refeições continuam sendo necessárias para controlar a glicose após a alimentação.
A transição deve ser planejada individualmente e acompanhada por um profissional de saúde. Como a insulina icodeca permanece ativa por um período prolongado, os ajustes de dose exigem atenção à resposta glicêmica e ao risco de hipoglicemia.
No estudo clínico ONWARDS 6, que avaliou adultos com diabetes tipo 1, a insulina icodeca apresentou controle glicêmico semelhante ao da insulina degludeca. Entretanto, os pesquisadores observaram mais episódios de hipoglicemia clinicamente significativa entre os participantes que utilizaram a insulina semanal.
Esse resultado reforça a necessidade de monitorização frequente da glicose, especialmente durante o período de adaptação ao tratamento.
O que será mostrado na série
Com acompanhamento da Dra. Denise Franco, Estefane vai compartilhar a experiência com a insulina semanal nos canais do Um Diabético. A série pretende mostrar como acontece a aplicação, quais orientações fazem parte do acompanhamento e como será a adaptação à nova rotina.

O conteúdo também permitirá acompanhar as dúvidas que surgirem durante o processo e apresentar informações sobre o funcionamento da insulina semanal para quem convive com diabetes.
A experiência individual não substitui a avaliação médica nem significa que a tecnologia seja indicada para todas as pessoas com diabetes tipo 1. A escolha do tratamento depende das características e necessidades de cada paciente.
Quando a insulina semanal estará disponível no Brasil?
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a insulina icodeca em março de 2025 para adultos com diabetes tipo 1 e tipo 2. No entanto, a aprovação regulatória não significa que o medicamento já esteja disponível nas farmácias.
Até o momento descrito no material de apuração, a Novo Nordisk não havia anunciado oficialmente uma data para o lançamento comercial no Brasil. Existe uma expectativa do medicamento está disponível nas farmácias em 2027. A disponibilidade do medicamento e as condições de acesso deverão ser confirmadas pela fabricante.