Quem tem diabetes pode incluir pão francês, ovo ou tapioca no café da manhã, mas a combinação dos alimentos e as quantidades consumidas influenciam a resposta da glicose. A nutricionista e educadora em diabetes Juliana Baptista, que convive com diabetes tipo 1 há 37 anos, explicou no DiabetesCast como adaptar essa refeição sem excluir automaticamente alimentos presentes na rotina dos brasileiros.
Segundo Juliana, a estratégia é considerar os nutrientes de cada alimento e combinar carboidratos com fontes de proteína e fibras. A orientação permite avaliar alternativas para quem prefere pão francês, pão integral, ovos ou preparações à base de tapioca.
A nutricionista também destacou que a resposta glicêmica varia ao longo do dia. Pela manhã, o organismo pode precisar de mais insulina para lidar com os carboidratos, o que ajuda a explicar por que algumas pessoas observam elevações maiores da glicose nesse horário.
Como combinar pão e ovo no café da manhã
O pão francês é uma fonte de carboidratos e pode elevar a glicemia após o consumo. No episódio, Juliana explicou que associá-lo a uma fonte de proteína, como o ovo, é uma estratégia para influenciar a velocidade de absorção dos carboidratos.
O pão integral contém mais fibras do que o pão branco, o que pode contribuir para uma absorção mais lenta. Entretanto, a nutricionista ressaltou que o preço e a preferência alimentar também entram nessa escolha.
Para quem mantém o pão francês no café da manhã, Juliana sugeriu considerar alternativas como consumir uma porção menor ou comer primeiro um alimento proteico, como ovo ou iogurte. A resposta deve ser avaliada individualmente, sem presumir que a combinação impedirá a elevação da glicose.
Tapioca e crepioca têm efeitos diferentes no café da manhã
A tapioca também foi abordada pela nutricionista. Feita à base de fécula de mandioca, ela é fonte de carboidratos e, quando consumida sozinha ou com um recheio que não acrescente fibras ou proteínas, pode provocar uma elevação mais rápida da glicose.
Juliana explicou que uma alternativa é preparar a crepioca, que combina ovo e tapioca. A presença do ovo acrescenta proteína à preparação e modifica a composição da refeição.
Outra opção mencionada por ela é preparar uma espécie de pãozinho com ovo, farinha de amêndoas ou de amendoim e fermento. Segundo a nutricionista, essa receita permite variar o café da manhã e pode ser acompanhada de uma porção de fruta.
Fruta também pode fazer parte do café da manhã
Banana, maçã e abacaxi foram algumas das frutas citadas durante o episódio. Juliana recomendou observar as porções e evitar concentrar várias frutas na mesma refeição sem considerar a quantidade total de carboidratos.
Uma das combinações sugeridas foi banana com aveia e iogurte. Nessa preparação, a fruta fornece carboidratos, a aveia contribui com fibras e o iogurte fornece proteínas, conforme a composição do produto escolhido.
A nutricionista também orientou dar preferência à fruta inteira em vez do suco. No exemplo do suco de laranja, ela explicou que o preparo pode concentrar o conteúdo de várias frutas em um único copo, enquanto parte das fibras fica retida no bagaço.
A quantidade consumida continua sendo um fator relevante. Mesmo alimentos que fazem parte de uma alimentação equilibrada contêm carboidratos e podem influenciar a glicemia.
O horário pode influenciar a resposta glicêmica
Segundo Juliana Baptista, algumas pessoas precisam de mais insulina para lidar com os carboidratos consumidos pela manhã do que em outros horários. Essa diferença pode contribuir para variações na glicemia após o café da manhã.
Por esse motivo, a nutricionista sugeriu que pessoas que apresentam elevações recorrentes após comer pão avaliem alternativas, como mudar a composição da refeição ou experimentar consumir o alimento em outro horário, quando isso fizer sentido para sua rotina.
Ela também recomendou observar a resposta individual com o monitoramento da glicose. Para quem utiliza insulina, mudanças na alimentação e possíveis ajustes de doses precisam ser discutidos com a equipe de saúde.
As sugestões apresentadas no DiabetesCast são orientações gerais. A quantidade de carboidratos e a composição das refeições devem ser adaptadas às necessidades de cada pessoa, considerando o tratamento, a rotina e as metas de glicemia estabelecidas com os profissionais responsáveis pelo acompanhamento.
