Quem convive com diabetes costuma concentrar a atenção nos carboidratos, mas a escolha das proteínas também influencia o tratamento. As carnes para quem tem diabetes não aumentam a glicose da mesma forma que os carboidratos. No entanto, o tipo de corte e a forma de preparo fazem diferença para a saúde cardiovascular, um dos principais pontos de atenção para essa população.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), carnes magras devem ocupar espaço nas refeições porque oferecem proteínas de alto valor biológico, promovem saciedade e ajudam na composição de um prato equilibrado.
Por que a escolha da carne faz diferença no diabetes
A carne praticamente não contém carboidratos e, por isso, não provoca aumento imediato da glicose. No entanto, cortes com grande quantidade de gordura saturada podem favorecer a resistência à insulina e aumentar o risco cardiovascular.
Além disso, pessoas com diabetes já apresentam maior risco de desenvolver doenças do coração. Portanto, escolher carnes com menor teor de gordura saturada faz parte da estratégia de cuidado.
O preparo também interfere nesse resultado. Frituras aumentam a quantidade de gordura e calorias da refeição. Enquanto isso, preparações grelhadas, cozidas, assadas ou no vapor preservam os nutrientes sem acrescentar gordura em excesso.
Segundo especialistas em nutrição clínica vinculados à SBD, a proteína magra também ajuda a prolongar a saciedade e desacelera a absorção dos carboidratos consumidos na mesma refeição.
Frango ou carne vermelha: qual é a melhor opção?
Não existe uma única resposta. Tanto o frango quanto a carne bovina podem fazer parte da alimentação de quem tem diabetes, desde que a escolha recaia sobre cortes magros.
No caso das aves, o peito de frango e o peito de peru sem pele estão entre as principais recomendações por apresentarem baixo teor de gordura saturada.
Entre as carnes bovinas, os cortes mais indicados incluem patinho, lagarto, alcatra e músculo. Além de fornecerem proteínas, esses cortes são fontes de ferro e zinco, com quantidade moderada de gordura quando comparados a outras opções.
A carne suína também pode entrar no cardápio. O lombo de porco é considerado um corte magro e pode apresentar perfil semelhante ao do frango quando preparado corretamente.
Peixes merecem espaço na alimentação
Os peixes recebem uma recomendação específica nas orientações da SBD. Salmão, sardinha e truta são fontes de ômega-3, gordura associada à redução da inflamação e à melhora da sensibilidade à insulina.
Além disso, o consumo de peixes gordurosos contribui para a saúde cardiovascular, aspecto importante para pessoas com diabetes. Por isso, especialistas orientam incluir peixe na alimentação pelo menos duas vezes por semana.
A tilápia também aparece entre as opções recomendadas por ser uma fonte de proteína com baixo teor de gordura.
Ovos também são uma fonte de proteína
Os ovos podem integrar a alimentação de quem tem diabetes. Tanto o ovo inteiro quanto a clara oferecem proteína de alto valor biológico e podem ser utilizados em diferentes preparações.
Além disso, representam uma alternativa para variar as fontes de proteína ao longo da semana.
Quais carnes devem ser consumidas com moderação
A recomendação não é excluir alimentos, mas controlar a frequência e a quantidade de alguns produtos.
Entre os cortes que devem ser consumidos com moderação estão:
- Picanha.
- Costela.
- Cupim.
- Fraldinha com excesso de gordura aparente.
Os embutidos também exigem atenção. Linguiça, salsicha, salame, copa e presunto gordo concentram sódio, gordura saturada e aditivos.
Além disso, carnes processadas, como hambúrguer industrializado, nuggets e mortadela, apresentam elevado teor de sódio e gordura.
Outro cuidado envolve a pele do frango, que concentra gordura saturada e deve ser retirada antes do preparo.
O modo de preparo também influencia a refeição
Mesmo um corte magro pode perder parte dos benefícios quando é preparado com excesso de gordura.
Segundo as diretrizes nutricionais para diabetes, o grelhado é uma das melhores opções porque preserva os nutrientes e permite que parte da gordura da carne seja eliminada durante o preparo.
O assado também representa uma alternativa para carnes bovinas e aves, pois exige pouca gordura adicional.
Enquanto isso, o cozido mantém boa qualidade nutricional e funciona bem para músculo, frango e peixe.
Já o preparo no vapor é indicado principalmente para peixes e frango porque conserva os nutrientes sem acrescentar gordura.
Nos temperos, a orientação é utilizar ervas frescas ou secas, limão e azeite em quantidade moderada. Por outro lado, molhos industrializados devem ser evitados devido ao elevado teor de sódio, fator que também interfere na saúde cardiovascular.
Como a proteína ajuda no controle da glicemia
A proteína não aumenta rapidamente a glicose. Ainda assim, ela exerce um papel importante no controle glicêmico.
Ao retardar o esvaziamento do estômago, a proteína desacelera a entrada da glicose dos carboidratos na corrente sanguínea.
Além disso, refeições com quantidade adequada de proteína aumentam a saciedade e podem reduzir o consumo excessivo de carboidratos ao longo do dia.
Para quem utiliza insulina, conhecer a composição completa da refeição, incluindo proteína e gordura, também faz parte da contagem de carboidratos e do ajuste das doses.
Segundo especialistas da Sociedade Brasileira de Diabetes, combinar proteína magra, vegetais e uma porção controlada de carboidratos é uma das estratégias para manter a glicemia mais estável durante o dia.
