A escolha da agulha faz parte da rotina de quem aplica insulina. Segundo as enfermeiras educadoras em diabetes Gisele Filgueiras e Gabriela Cavicchioli, a orientação sobre o tamanho ideal mudou com novos estudos sobre a espessura da pele.
Durante o DiabetesCast, as especialistas explicaram que a agulha de 4 milímetros pode ser usada por pessoas com diferentes tipos de corpo. A indicação não depende de a pessoa ser magra, ter mais peso, ser alta, baixa, adulta ou criança.
Segundo Gabriela Cavicchioli, estudos mostraram que a pele apresenta cerca de 2,7 milímetros de espessura. Por isso, a agulha de 4 mm ultrapassa a pele e alcança o tecido subcutâneo, onde a insulina deve ser aplicada.
Agulha de 4 mm pode ser usada por todos?
A orientação apresentada pelas enfermeiras é que a agulha de 4 mm pode ser utilizada por qualquer pessoa. A indicação não depende do formato do corpo.
Durante a conversa, Gabriela explicou que, no passado, os profissionais consideravam o tamanho do corpo para escolher o comprimento da agulha. No entanto, os estudos citados pelas educadoras mudaram essa avaliação.
A agulha de 4 mm passou a ser considerada uma opção segura para pessoas com diferentes características corporais. Isso inclui pessoas magras, pessoas com mais peso, adultos e crianças.
Além disso, a especialista afirmou que a agulha de 4 mm é considerada a opção mais segura dentro das informações apresentadas no episódio.
Quem usa agulha de 4 mm precisa fazer prega?
De acordo com as enfermeiras, quem utiliza agulha de 4 mm, em geral, não precisa fazer uma prega na pele durante a aplicação.
A prega consiste em segurar uma parte da pele e do tecido abaixo dela antes da aplicação. A técnica pode ser necessária em algumas situações específicas.
Gabriela explicou que crianças menores de 6 anos e idosos com pele muito frágil ou muito emagrecidos podem precisar de cuidados diferentes. Nesses casos, a avaliação da técnica deve considerar as características da pele.
Para a maioria das pessoas, entretanto, a aplicação com agulha de 4 mm não exige a formação de uma prega.
E a agulha de 6 mm?
A orientação muda quando a pessoa utiliza uma agulha de 6 mm.
Segundo as enfermeiras, a aplicação com esse tamanho exige a formação de uma prega na pele. Essa orientação vale para crianças e adultos.
Gisele Filgueiras e Gabriela Cavicchioli também explicaram que a forma de fazer a prega pode facilitar a aplicação em algumas regiões do corpo.
No braço, por exemplo, a pessoa pode trazer a parte posterior do braço para frente para formar a prega. Na perna, também existem formas de posicionar a pele para realizar a técnica.
Agulhas maiores exigem mais atenção
Durante o episódio, as especialistas também mencionaram outros tamanhos de agulha. A conversa passou pelas agulhas de 4, 6, 8 e até 12,7 milímetros.
A mudança na recomendação sobre o comprimento das agulhas faz parte da evolução das técnicas de aplicação de insulina.
Segundo as enfermeiras, a agulha de 4 mm permite uma aplicação sem necessidade de considerar se a pessoa tem um corpo mais magro ou com mais tecido subcutâneo.
O objetivo da técnica é fazer com que a insulina chegue ao tecido subcutâneo. A aplicação precisa respeitar também o local escolhido e as características individuais de quem usa insulina.
Onde aplicar insulina?
A escolha do tamanho da agulha não é o único cuidado durante a aplicação. As enfermeiras também explicaram os principais locais indicados para aplicar insulina.
Entre eles estão a barriga, a região lateral da coxa, a parte posterior do braço e a região superior externa do bumbum.
Na barriga, a orientação apresentada durante o episódio foi manter uma distância de três dedos do umbigo. A partir dessa área, a aplicação pode ocorrer nas laterais.
Na coxa, a indicação é utilizar a região lateral. A parte interna da coxa não deve receber a aplicação, segundo as especialistas.
No braço, a aplicação ocorre na parte posterior, na região conhecida como “tchauzinho”. Já no bumbum, a aplicação pode ocorrer no quadrante superior externo.
Por que é preciso fazer rodízio dos locais?
Alternar os pontos de aplicação ajuda a evitar alterações no tecido subcutâneo.
Gisele e Gabriela explicaram que aplicar insulina repetidamente no mesmo ponto pode provocar lipodistrofia. O problema pode aparecer como um endurecimento ou caroço na região.
Esse tipo de alteração também pode interferir na absorção da insulina. Por isso, a pessoa precisa variar os pontos de aplicação.
As enfermeiras orientaram manter uma distância de cerca de dois a três dedos do último ponto utilizado quando a pessoa permanece na mesma região do corpo.
A pessoa também pode organizar o rodízio de acordo com os locais que consegue utilizar com conforto. Nesse contexto, a individualidade faz parte da escolha da região de aplicação.
O que muda para quem usa insulina
A informação sobre a agulha de 4 mm pode facilitar a rotina de pessoas que utilizam insulina.
Segundo Gabriela Cavicchioli, a recomendação atual apresentada no episódio permite que pessoas com diferentes tipos de corpo utilizem esse tamanho de agulha.
Ainda assim, a técnica precisa considerar situações específicas, como crianças menores de 6 anos e idosos com pele muito frágil ou muito emagrecidos.
Por isso, conhecer o tamanho da agulha, o local de aplicação e a necessidade de fazer ou não uma prega ajuda a organizar a rotina de quem usa insulina.
A orientação das enfermeiras também reforça que a aplicação não termina na escolha da agulha. O rodízio dos locais, a observação da pele e o cuidado com a técnica fazem parte do tratamento.