A Prefeitura de Palmas, no Tocantins, realizou a primeira entrega de sensores de monitoramento contínuo de glicose para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1. Segundo o município, a iniciativa torna Palmas a primeira cidade da Região Norte a disponibilizar esse tipo de dispositivo pelo SUS e amplia as opções de acompanhamento da glicose para famílias atendidas pela rede municipal de saúde.
A medida contempla crianças e adolescentes de 4 anos até menores de 18 anos, insulinodependentes, que moram em Palmas e estão matriculados em instituições de ensino públicas ou privadas do município. Cada paciente poderá receber dois sensores por mês, com duração aproximada de 14 dias cada.
Como funciona o sensor de glicose
Diferentemente da medição tradicional, que exige uma pequena perfuração no dedo para obter uma amostra de sangue, o sensor de monitoramento contínuo acompanha a glicose por meio de um dispositivo colocado no corpo.
Os dados podem ser visualizados em um leitor ou aplicativo compatível e permitem acompanhar não apenas um valor isolado, mas também a tendência da glicose ao longo do tempo. Dependendo do dispositivo, também é possível receber alertas quando os níveis estão muito altos ou baixos.
Para crianças com diabetes tipo 1, esse acompanhamento pode facilitar a observação das oscilações ao longo do dia e ajudar os responsáveis a tomar decisões de acordo com as orientações da equipe de saúde.
A Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2026 recomenda a monitorização intensiva da glicose para pessoas com diabetes tipo 1 em todas as idades. Segundo a entidade, esse acompanhamento está associado a uma maior probabilidade de atingir as metas glicêmicas, além de melhora do controle da glicose e menor risco de cetoacidose diabética.
Tecnologia pode fazer diferença na rotina escolar
Um dos pontos destacados pela Prefeitura de Palmas é justamente a possibilidade de acompanhar a glicose durante o período escolar. Na prática, o sensor permite que os responsáveis acompanhem as informações mesmo quando não estão fisicamente ao lado da criança. Essa possibilidade foi relatada por familiares durante a primeira entrega realizada pelo município.
A professora Liliane dos Santos Faria, mãe de Manoel Farias Corado, de sete anos, contou à Prefeitura que precisava buscar formas de trabalhar perto da escola do filho para conseguir acompanhar a alimentação e a aplicação de insulina durante o dia. Com o sensor, ela poderá consultar as informações pelo celular mesmo quando estiver distante.
Outro caso apresentado pelo município foi o de Gustavo Medeiros, de nove anos, diagnosticado com diabetes tipo 1 aos cinco anos. Segundo a mãe, Luanna Medeiros, o monitoramento com sensor já havia ajudado a identificar alterações na glicose durante a madrugada.
Quem pode receber o sensor em Palmas?
O programa municipal de fornecimento do sensor é destinado a crianças e adolescentes de 4 até menores de 18 anos que atendam aos seguintes critérios:
- ter diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1);
- ser insulinodependente;
- ser morador de Palmas;
- estar matriculado na rede pública ou privada de ensino do município.
Para solicitar o dispositivo, pais ou responsáveis devem procurar a Unidade de Saúde da Família (USF) de referência. Entre os documentos exigidos estão o Cartão SUS, RG e CPF do paciente e dos responsáveis, comprovante de endereço, comprovante de matrícula e frequência escolar, além de laudo médico atualizado com o diagnóstico de diabetes tipo 1 e a indicação de insulinoterapia e uso de sensor de glicose. Também são exigidos termos de consentimento e responsabilidade.
O que muda para as famílias
Para quem cuida de uma criança com diabetes tipo 1, o monitoramento da glicose envolve muito mais do que acompanhar números. É preciso observar alimentação, atividade física, aplicação de insulina, sintomas de hipoglicemia e hiperglicemia e as mudanças que podem acontecer ao longo do dia.
Nesse contexto, o sensor pode reduzir a necessidade de algumas medições por punção no dedo e oferecer uma visão mais ampla do comportamento da glicose. A tecnologia, porém, não substitui o acompanhamento médico nem elimina a necessidade de conhecer os sinais de alterações glicêmicas e seguir as orientações da equipe de saúde.
A experiência de Palmas agora começa a ser acompanhada pelas famílias que receberam os primeiros dispositivos e pode ajudar a mostrar, na prática, os desafios e os efeitos da oferta contínua dessa tecnologia dentro da rede pública municipal
